Governo Lula prepara resposta ao tarifaço de Trump, mas aposta no diálogo

Alckmin articula solução diplomática enquanto plano de contingência para setores afetados é elaborado

Por Plox

29/07/2025 09h16 - Atualizado há cerca de 1 mês

Com a iminente entrada em vigor de tarifas de importação de 50% para produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o governo federal corre contra o tempo. A partir desta sexta-feira, 1º de agosto, a medida imposta pelo presidente Donald Trump poderá afetar fortemente setores estratégicos da economia nacional.


Imagem Foto: Reprodução


Para mitigar os danos, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está finalizando um plano de contingência que será submetido à análise do presidente nos próximos dias. Esse conjunto de ações visa apoiar as empresas e cadeias produtivas brasileiras atingidas pelo tarifaço.


Ao mesmo tempo, o governo brasileiro ainda aposta em uma saída diplomática. O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, está à frente de um comitê criado por Lula para negociar a questão com autoridades norte-americanas.



Durante coletiva de imprensa realizada no Palácio do Planalto na segunda-feira (28/7), Alckmin afirmou que a prioridade do momento é buscar uma solução negociada.
\"Todo o empenho agora, nessa semana, é para a gente buscar resolver o problema. Nós estamos permanentemente no diálogo\", destacou o vice-presidente.

Mais cedo, o presidente Lula também adotou um tom conciliador ao defender que as divergências sejam tratadas de maneira civilizada. Ele apelou para que Trump considere a importância das relações bilaterais com o Brasil e se disponha ao diálogo. “Tem divergência? Tem. Então senta na mesa, coloca a divergência do lado e vamos tentar resolver. E não de forma abrupta, individual”, afirmou o presidente.



Apesar dos apelos diplomáticos, até agora a Casa Branca não respondeu aos pedidos de interlocução direta. Ainda assim, o Brasil conseguiu estabelecer diálogo com membros do alto escalão norte-americano. Alckmin revelou que manteve uma conversa longa e considerada produtiva com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, onde foram apresentados os principais pontos de preocupação do Brasil.


Em paralelo às tratativas internacionais, o governo brasileiro busca reforçar internamente a capacidade de resistência ao tarifaço. Uma das principais apostas é o programa Acredita Exportações, sancionado por Lula nesta segunda-feira. A iniciativa prevê incentivos às micro e pequenas empresas exportadoras, com foco na desoneração e no aumento da competitividade.



O programa permitirá a devolução de até 3% do valor exportado em tributos federais pagos ao longo da cadeia produtiva. A medida, que valerá até 31 de dezembro de 2026, antecipa dispositivos da reforma tributária e elimina a cumulatividade que encarece as exportações nacionais. “Ela antecipa os benefícios da reforma tributária. Com a reforma, acaba a cumulatividade de crédito e desonera totalmente a exportação”, explicou Alckmin.


Além disso, o Acredita Exportações trará benefícios para empresas optantes pelo Simples Nacional e aprimorará o funcionamento de regimes aduaneiros como o Drawback Suspensão e o Recof. Esses regimes permitem a aquisição de insumos com isenção de tributos, desde que destinados à produção de bens voltados à exportação.



Enquanto aguarda uma resposta formal do governo dos Estados Unidos, a equipe econômica e diplomática brasileira continua mobilizada, reforçando canais institucionais e buscando apoio para evitar que o impacto da medida se consolide. A pressão para uma solução rápida cresce, com o vice-presidente demonstrando otimismo cauteloso de que ainda há tempo para reverter ou ao menos suavizar os efeitos da nova política tarifária americana.


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