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O relato público de Beatriz Santos de Oliveira, jovem de Tatuí (SP) diagnosticada com câncer de mama durante a gravidez, levou outras mulheres da cidade a observarem alterações nas próprias mamas e procurarem atendimento médico. A experiência compartilhada por ela nas redes sociais alcançou milhares de pessoas e, conforme reportagem do g1, teve impacto direto na descoberta de novos casos entre moradoras do município.
Talita e Beatriz receberam diagnóstico de câncer de mama
Foto: Arquivo Pessoal
Uma das mulheres alcançadas pela história foi Talita de Oliveira Paschoal, de 39 anos, amiga da cunhada de Beatriz. Ela acompanhava as publicações desde o início da gestação da jovem e decidiu observar as próprias mamas, mesmo sem sentir dor ou desconforto. Durante essa percepção do corpo, identificou uma região endurecida na lateral da mama, perto da axila, e buscou orientação médica, segundo o g1.
Talita identificou um nódulo na mama ao realizar o autoexame
Foto: Arquivo Pessoal
Após passar por ultrassom e biópsia, Talita recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 4 de abril de 2025, três dias antes de completar aniversário. Ela iniciou a quimioterapia em junho daquele ano e concluiu as sessões em dezembro. Em janeiro de 2026, foi submetida a uma cirurgia para retirada de parte da mama; como o tumor havia diminuído durante o tratamento, não foi necessária a retirada total. Entre maio e junho deste ano, ela também fez radioterapia e continua em tratamento hormonal, previsto para durar cinco anos.
Mãe de um menino de nove anos, Talita contou que explicou ao filho o que ocorria durante cada etapa do tratamento. O garoto acompanhou a raspagem de cabelo, feita pelo pai, que é cabeleireiro, e também esteve presente no momento em que ela tocou o sino que marca o encerramento de uma fase do atendimento oncológico. Para ela, a divulgação da experiência de Beatriz foi determinante para que buscasse assistência mesmo sem histórico familiar conhecido da doença.
Magda ao lado da filha, Milena; durante a gravidez, ela começou a sentir dores no seio direito
Foto: Arquivo Pessoal
A história também mobilizou Magda Josiane Machado, de 36 anos, outra moradora de Tatuí que conheceu Beatriz durante o tratamento em um hospital da cidade. Magda relatou ao g1 que começou a sentir dores na mama direita quando estava no quarto mês de gestação da filha, Milena. Naquele período, as alterações foram associadas à formação de leite, mas a dor se intensificou depois do parto.
Magda iniciou a quimioterapia quando a filha tinha apenas 6 meses
Foto: Arquivo Pessoal
Quando a bebê tinha quatro meses, Magda pediu encaminhamento para avaliação especializada, apesar de os exames de rotina do pós-parto não apontarem alterações. O mastologista identificou suspeita de nódulo no exame físico, e as biópsias da mama e da axila confirmaram câncer de mama já em estágio avançado. Ela iniciou a quimioterapia em dezembro de 2025, quando a filha completou seis meses, e desde então passou por cirurgia na mama e na axila, além de radioterapia. Atualmente, segue em terapia-alvo, planejada para um ano.
As duas pacientes relatam que a convivência com outras mulheres em tratamento ajudou a enfrentar o período de consultas, procedimentos e limitações físicas. Magda afirmou que a troca de informações e apoio entre pacientes se tornou uma forma de acolhimento e de alerta para outras mulheres, especialmente durante a gestação e o pós-parto, fases em que mudanças nas mamas podem ser atribuídas a alterações naturais do organismo.
Magda recebeu o diagnóstico de câncer de mama em estágio avançado pouco depois do nascimento da filha, Milena
Foto: Arquivo Pessoal
O mastologista Guilherme Ribeiro Fonseca, que acompanhou Beatriz, reforçou ao g1 que qualquer mudança percebida nas mamas deve motivar avaliação profissional. Ele destacou que a palpação clínica e os exames de imagem são complementares, pois uma alteração palpável nem sempre aparece inicialmente em determinado exame, e um resultado de imagem não substitui a avaliação médica.
O mastologista Guilherme Ribeiro Fonseca destaca a importância de buscar avaliação médica ao notar qualquer alteração nas mamas
Foto: Reprodução
O Ministério da Saúde orienta que nódulos, alterações na pele da mama, retrações, inversão do mamilo, secreção espontânea — especialmente com sangue — e caroços na axila sejam investigados sem demora. A confirmação de câncer depende de avaliação médica e, quando indicada, de biópsia. A auto-observação pode ajudar a perceber mudanças, mas não substitui o exame clínico nem a mamografia de rastreamento.
Para mulheres sem sinais ou sintomas, o Ministério da Saúde recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos entre 50 e 74 anos. Pessoas mais jovens com alterações suspeitas, histórico de risco elevado ou dúvidas sobre a saúde das mamas devem procurar a unidade de saúde ou um profissional para avaliação individualizada.