Relato de jovem com câncer na gravidez ajuda mulheres de Tatuí a identificarem sinais da doença

Após conhecerem a história de Beatriz Santos de Oliveira, outras moradoras buscaram avaliação médica ao notarem alterações nas mamas e na axila.

29/08/2026 às 08:22 por Redação Plox

O relato público de Beatriz Santos de Oliveira, jovem de Tatuí (SP) diagnosticada com câncer de mama durante a gravidez, levou outras mulheres da cidade a observarem alterações nas próprias mamas e procurarem atendimento médico. A experiência compartilhada por ela nas redes sociais alcançou milhares de pessoas e, conforme reportagem do g1, teve impacto direto na descoberta de novos casos entre moradoras do município.

Talita e Beatriz receberam diagnóstico de câncer de mama

Talita e Beatriz receberam diagnóstico de câncer de mama

Foto: Arquivo Pessoal


Alteração sem dor levou Talita ao diagnóstico

Uma das mulheres alcançadas pela história foi Talita de Oliveira Paschoal, de 39 anos, amiga da cunhada de Beatriz. Ela acompanhava as publicações desde o início da gestação da jovem e decidiu observar as próprias mamas, mesmo sem sentir dor ou desconforto. Durante essa percepção do corpo, identificou uma região endurecida na lateral da mama, perto da axila, e buscou orientação médica, segundo o g1.

Talita identificou um nódulo na mama ao realizar o autoexame

Talita identificou um nódulo na mama ao realizar o autoexame

Foto: Arquivo Pessoal


Após passar por ultrassom e biópsia, Talita recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 4 de abril de 2025, três dias antes de completar aniversário. Ela iniciou a quimioterapia em junho daquele ano e concluiu as sessões em dezembro. Em janeiro de 2026, foi submetida a uma cirurgia para retirada de parte da mama; como o tumor havia diminuído durante o tratamento, não foi necessária a retirada total. Entre maio e junho deste ano, ela também fez radioterapia e continua em tratamento hormonal, previsto para durar cinco anos.

Mãe de um menino de nove anos, Talita contou que explicou ao filho o que ocorria durante cada etapa do tratamento. O garoto acompanhou a raspagem de cabelo, feita pelo pai, que é cabeleireiro, e também esteve presente no momento em que ela tocou o sino que marca o encerramento de uma fase do atendimento oncológico. Para ela, a divulgação da experiência de Beatriz foi determinante para que buscasse assistência mesmo sem histórico familiar conhecido da doença.

Magda ao lado da filha, Milena; durante a gravidez, ela começou a sentir dores no seio direito

Magda ao lado da filha, Milena; durante a gravidez, ela começou a sentir dores no seio direito

Foto: Arquivo Pessoal


Sintomas começaram ainda na gravidez

A história também mobilizou Magda Josiane Machado, de 36 anos, outra moradora de Tatuí que conheceu Beatriz durante o tratamento em um hospital da cidade. Magda relatou ao g1 que começou a sentir dores na mama direita quando estava no quarto mês de gestação da filha, Milena. Naquele período, as alterações foram associadas à formação de leite, mas a dor se intensificou depois do parto.

Magda iniciou a quimioterapia quando a filha tinha apenas 6 meses

Magda iniciou a quimioterapia quando a filha tinha apenas 6 meses

Foto: Arquivo Pessoal


Quando a bebê tinha quatro meses, Magda pediu encaminhamento para avaliação especializada, apesar de os exames de rotina do pós-parto não apontarem alterações. O mastologista identificou suspeita de nódulo no exame físico, e as biópsias da mama e da axila confirmaram câncer de mama já em estágio avançado. Ela iniciou a quimioterapia em dezembro de 2025, quando a filha completou seis meses, e desde então passou por cirurgia na mama e na axila, além de radioterapia. Atualmente, segue em terapia-alvo, planejada para um ano.

As duas pacientes relatam que a convivência com outras mulheres em tratamento ajudou a enfrentar o período de consultas, procedimentos e limitações físicas. Magda afirmou que a troca de informações e apoio entre pacientes se tornou uma forma de acolhimento e de alerta para outras mulheres, especialmente durante a gestação e o pós-parto, fases em que mudanças nas mamas podem ser atribuídas a alterações naturais do organismo.

Magda recebeu o diagnóstico de câncer de mama em estágio avançado pouco depois do nascimento da filha, Milena

Magda recebeu o diagnóstico de câncer de mama em estágio avançado pouco depois do nascimento da filha, Milena

Foto: Arquivo Pessoal


Alterações devem ser avaliadas por profissionais

O mastologista Guilherme Ribeiro Fonseca, que acompanhou Beatriz, reforçou ao g1 que qualquer mudança percebida nas mamas deve motivar avaliação profissional. Ele destacou que a palpação clínica e os exames de imagem são complementares, pois uma alteração palpável nem sempre aparece inicialmente em determinado exame, e um resultado de imagem não substitui a avaliação médica.

O mastologista Guilherme Ribeiro Fonseca destaca a importância de buscar avaliação médica ao notar qualquer alteração nas mamas

O mastologista Guilherme Ribeiro Fonseca destaca a importância de buscar avaliação médica ao notar qualquer alteração nas mamas

Foto: Reprodução


O Ministério da Saúde orienta que nódulos, alterações na pele da mama, retrações, inversão do mamilo, secreção espontânea — especialmente com sangue — e caroços na axila sejam investigados sem demora. A confirmação de câncer depende de avaliação médica e, quando indicada, de biópsia. A auto-observação pode ajudar a perceber mudanças, mas não substitui o exame clínico nem a mamografia de rastreamento.

Para mulheres sem sinais ou sintomas, o Ministério da Saúde recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos entre 50 e 74 anos. Pessoas mais jovens com alterações suspeitas, histórico de risco elevado ou dúvidas sobre a saúde das mamas devem procurar a unidade de saúde ou um profissional para avaliação individualizada.

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