OAB-DF abre apuração disciplinar sobre sócios de escritório ligado à família de Moraes
Procedimento envolve integrantes do Barci & Barci Advogados e se baseia em informações de relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master.
As famílias de Campinas devem movimentar R$ 348,4 milhões com cigarros, charutos, tabaco para cachimbo, isqueiros, fósforos e outros produtos relacionados ao fumo em 2026. A projeção representa alta de 12,2% em relação aos R$ 310,5 milhões estimados para 2025, mesmo em um cenário de crescimento no número de pessoas que conseguiram parar de fumar por meio do programa municipal de combate ao tabagismo.
O cigarro provoca 8 milhões de mortes anualmente, mas os benefícios de abandonar o tabaco aparecem quase imediatamente
Foto: Geralt para Pixabay
O avanço financeiro não significa, necessariamente, que houve aumento na quantidade de fumantes. Em entrevista ao g1, o economista e professor da PUC-Campinas Eli Borochovicius avaliou que o resultado pode refletir reajustes dos produtos acima da inflação ou maior consumo entre as pessoas que mantiveram o hábito. A hipótese, porém, não confirma isoladamente nenhuma dessas causas.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que o número de participantes que deixaram de fumar no programa de controle do tabagismo saltou de 784, em 2023, para 1.568, em 2025. A Prefeitura também informou que a participação no serviço cresceu 75% em dois anos e que os grupos de tratamento passaram de 36 para 51.
O contraste entre a redução do hábito entre parte dos participantes do programa e a alta no potencial de consumo preocupa especialmente pelo impacto no orçamento doméstico. Borochovicius avaliou que, nas famílias de menor renda, a elevação das despesas com fumo pode reduzir recursos disponíveis para itens essenciais, como alimentação e cuidados com a saúde.
O consumo permanece presente em diferentes perfis de público. Uma atendente ouvida pela reportagem afirmou fumar, em média, um maço por dia desde a adolescência e disse evitar calcular a despesa mensal. Já um empresário que deixou o cigarro por razões de saúde, mas mantém uma adega com tabacaria no bairro Carlos Lourenço, relatou que os produtos seguem com procura e costumam ser associados à venda de bebidas.
Uma funcionária de tabacaria entrevistada pelo g1 também relatou aumento da busca por tabaco entre jovens após a queda no consumo de dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como pods ou vapes. A comercialização, importação, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda desses dispositivos são proibidos no Brasil; a regra foi reforçada pela RDC 855/2024 da Anvisa.
Campinas concentrava 36,1% do potencial de consumo de produtos ligados ao fumo na Região Metropolitana de Campinas em 2025. Para 2026, a participação projetada subiu para 37,3%, dentro de um mercado regional estimado em R$ 933,3 milhões nos 20 municípios da RMC. Enquanto a cidade teve avanço de 12,2%, a projeção regional indica crescimento de 8,6%.
A cidade reúne 36,5% dos domicílios da RMC, mas concentra 45,2% das residências classificadas como classe A na região, característica que ajuda a explicar seu maior peso no consumo. As classes B e C respondem por quase 81% do mercado campineiro: a classe C lidera, com potencial de R$ 163,6 milhões, ou 47% do total, seguida pela classe B, com R$ 118,2 milhões e participação próxima de 34%.
Nos extremos de renda, os aumentos foram mais expressivos. O potencial de gastos das classes D e E subiu 45,2%, de R$ 19,5 milhões para R$ 28,3 milhões em um ano. Nas classes B e A, as altas foram de 24,9% e 21,1%, respectivamente. A classe C teve leve queda de 0,7%, passando de R$ 164,8 milhões para R$ 163,6 milhões. Para Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, a elevação de impostos influencia os valores, enquanto a melhora no emprego e no poder de compra pode ajudar a explicar a expansão do mercado nas faixas de menor renda.
Ao dividir o potencial de consumo pelo número de residências, o estudo estima gasto médio anual de R$ 1.262,81 nos lares de classe A, R$ 1.007,82 na classe B, R$ 754,35 na classe C e R$ 391,80 nas classes D e E. Embora a despesa com produtos ligados ao fumo tenha peso menor do que os gastos com habitação, alimentação, bebidas e veículos, o crescimento proporcional entre os grupos de menor renda acende alerta sobre o comprometimento do orçamento familiar.
O levantamento foi divulgado no Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. A data foi criada pela Lei Federal nº 7.488, de 1986, para ampliar a conscientização sobre os danos sociais, econômicos, ambientais e à saúde provocados pelo tabaco. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) informa, com base em dados da Organização Mundial da Saúde, que o consumo de tabaco causa mais de 8 milhões de mortes por ano no mundo.