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Volta da Pampulha: confira dicas e orientações finais para encarar os 18 km em BH

Treinador, nutricionista e corredoras experientes destacam importância de não testar novidades, cuidar da alimentação e respeitar o próprio ritmo na tradicional prova em torno da lagoa, que reforça inclusão e clima festivo em Belo Horizonte

29/11/2025 às 11:30 por Redação Plox

A uma semana da Volta Internacional da Pampulha, marcada para o dia 7, milhares de corredores já vivem a expectativa de completar os 18 km em um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte. A prova, que no ano passado reuniu 19 mil participantes e chega agora à 26ª edição, exige atenção a cada detalhe. Para veteranos e estreantes, porém, a orientação central nesta reta final é a mesma: não é hora de experimentar nada novo.


A recomendação do treinador Thiago Vilela, da assessoria BV Run & Tri, é manter exatamente o que já vinha sendo feito nos treinos. Isso vale para tudo: alimentação, tênis, roupas e suplementação. Segundo ele, qualquer mudança de última hora pode comprometer o desempenho e até a conclusão da prova.


Nos dias que antecedem a Volta da Pampulha, o foco deve ser descanso, ajustes mínimos e preservação das rotinas que já funcionam.


A prova reúne milhares de competidores vindos de diferentes regiões do país

A prova reúne milhares de competidores vindos de diferentes regiões do país

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Como treinar na última semana antes da corrida

De acordo com Vilela, o último fim de semana antes da prova ainda pode contar com um treino mais longo, mas com medida. Para a maior parte dos corredores, distâncias entre 10 km e 15 km são consideradas suficientes. Atletas mais experientes podem até se aproximar do percurso completo, porém o público em geral não deve forçar. A orientação é não perder intensidade, mas priorizar a recuperação.


Ao longo da semana final, a indicação é investir em treinos leves, evitando sessões de força ou musculação pesada. Atividades como mobilidade, alongamento, massagem e, sobretudo, sono adequado ganham prioridade. O objetivo é chegar à largada descansado, sem desgaste acumulado e com o corpo pronto para suportar o esforço dos 18 km.

Largada, deslocamento e posicionamento no funil

A largada da Volta da Pampulha está marcada para as 6h, e a grande quantidade de participantes torna o deslocamento até a região do Mineirão um ponto de atenção.


O treinador chama a atenção para o fluxo intenso de pessoas e veículos: quem deixa para chegar em cima da hora tende a ficar mais ansioso e corre o risco de comprometer a largada. A recomendação é estar nos arredores do estádio com pelo menos uma hora de antecedência.


Outro aspecto importante é o posicionamento no funil de largada. Dois erros são comuns: começar rápido demais, movido pela empolgação, ou largar muito atrás e ficar preso em um ritmo travado. Para quem pretende buscar um tempo melhor, posicionar-se mais à frente é estratégico, evitando congestionamentos logo nos primeiros quilômetros.

Projeto Pernas de Aluguel leva inclusão ao percurso

Além da disputa individual de cada corredor, a Volta da Pampulha também é palco para histórias de inclusão. Nos últimos quatro anos, a nutricionista Junea Portilho trocou o foco exclusivo no próprio desempenho pela participação voluntária no projeto Pernas de Aluguel, iniciativa que há uma década reúne pessoas dispostas a empurrar cadeiras de rodas e permitir que pessoas com deficiência experimentem a atmosfera da corrida.

Emprestamos as pernas e ganhamos um coração Junea Portilho

A cada ultrapassagem, o grupo recebe gritos de incentivo, aplausos e espaço aberto pelos demais corredores — ninguém passa despercebido. Para Junea, o projeto mostra que a corrida vai muito além da performance: é sobre pertencimento e sobre permitir que todos sintam o vento no rosto, em uma experiência marcada pela emoção ao longo de todo o percurso.


Interessados em se voluntariar no Pernas de Aluguel podem se cadastrar pelo site www.pernasdealuguel.org. Anderson Costa, idealizador da iniciativa, reforça que há uma lista grande de atletas com deficiência aguardando para participar.


Por isso, a adesão de novos voluntários é considerada fundamental para ampliar a presença do projeto nas provas.

Alimentação: o que fazer na véspera e no dia da prova

A máxima de não inventar nada novo também se aplica à alimentação. Nutricionista e maratonista, Junea Portilho orienta que, na véspera da corrida, os corredores priorizem carboidratos de digestão rápida e reduzam um pouco a ingestão de fibras, para minimizar o risco de desconfortos gastrointestinais.


Refeições simples, como batata, arroz, massas com molhos leves e frutas da estação, são as mais indicadas. Frituras, molhos cremosos e alimentos gordurosos devem ser evitados.


No dia da prova, o ideal é fazer um café da manhã leve e habitual, sem introduzir alimentos desconhecidos. Junea destaca ainda a importância da hidratação, sobretudo por se tratar de uma competição realizada no fim da primavera, período em que o calor costuma ser abafado em Belo Horizonte.

M

esmo com os postos de hidratação ao longo do percurso, não é possível repor integralmente tudo o que se perde em líquidos durante os 18 km. A recomendação é aumentar a ingestão de água especialmente na sexta-feira e no sábado, para que o corredor chegue à largada já bem hidratado, reduzindo o risco de fadiga precoce e problemas relacionados ao calor.

Experiência de quem encara a prova como confraternização

Analista do Ministério Público de Minas Gerais, Jussara Marra, de 41 anos, segue com disciplina as orientações de treino e alimentação, mas encara a Volta da Pampulha como um momento de celebrar o esporte e o ambiente da corrida. Para ela, a prova é marcada pela grande quantidade de participantes e tem caráter mais festivo, de confraternização, do que de busca por recordes pessoais.


Jussara chama atenção, porém, para as condições climáticas e para as características do percurso. Trata-se de uma prova úmida, bastante cheia, com uma subida exigente no final, em frente ao Mineirão. Esses fatores exigem planejamento do ritmo e cuidado redobrado com o corpo.


Outro ponto citado por ela é o risco de tropeços, já que muitos participantes passam a caminhar em determinados trechos, estreitando o espaço disponível e exigindo atenção constante de quem continua correndo.


Participando pela sexta vez da Volta da Pampulha, Jussara reforça que coordenar todos esses elementos — clima, altimetria, volume de pessoas e gestão de esforço — é fundamental para completar bem os 18 km e aproveitar o evento do início ao fim.

Inscrições esgotadas e olhar voltado para 2026

Quem ainda não garantiu vaga para a tradicional Volta Internacional da Pampulha terá de esperar. As inscrições para a edição de 2025 estão esgotadas e a organização já abriu a pré-venda para 2026, com valor promocional e número limitado de vagas. Mais informações estão disponíveis no site oficial do evento: https://www.yescom.com.br/voltadapampulha.


Com o percurso ao redor da Lagoa da Pampulha e uma atmosfera que mistura competição, confraternização e inclusão, a prova segue consolidada como uma das mais aguardadas do calendário de corridas de Belo Horizonte.


Para quem já está inscrito, a missão nesta reta final é simples e decisiva: respeitar o que foi treinado, chegar descansado e evitar qualquer novidade de última hora.

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