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Sistema Cantareira atinge menor nível desde 2016 em meio à seca em SP

Principal reservatório de abastecimento da Grande São Paulo cai para 21,3% da capacidade; especialista alerta para risco de desabastecimento e chance de cenário mais crítico em 2026

29/11/2025 às 08:34 por Redação Plox

O Sistema Cantareira, principal reservatório de abastecimento de água de São Paulo, atingiu nesta sexta-feira (28/11) o menor nível em quase uma década, em meio a um período de seca no estado. Com apenas 21,3% do volume total disponível, o manancial é responsável por atender cerca de 46% da população da Grande São Paulo.


No começo do ano, o Cantareira tinha 60% de sua capacidade total disponível

No começo do ano, o Cantareira tinha 60% de sua capacidade total disponível

Foto: Divulgação / Sabesp.



Esse é o menor índice desde 23 de fevereiro de 2016, quando o sistema registrou 21,4%. Sem previsão de chuvas significativas para os últimos dias de novembro, o mês já é o 10º consecutivo com precipitação abaixo da média histórica.


No início do ano, o Cantareira operava com 60% do volume total, patamar alcançado após as chuvas do fim de dezembro de 2024 e de janeiro deste ano. Desde 3 de março, porém, o sistema perdeu 38,7 pontos percentuais, refletindo a combinação de estiagem prolongada e aumento da demanda.

Sob pressão, Sabesp reduz vazão noturna

Diante da piora no nível dos reservatórios, a Sabesp adotou em 27 de agosto a redução da pressão da água no período noturno, medida que busca diminuir perdas por vazamentos, mais frequentes de madrugada. Segundo a companhia, o ajuste é aplicado das 19h às 5h em toda a Região Metropolitana de São Paulo.


A empresa classifica a ação como preventiva, voltada a preservar os sistemas que abastecem a Grande São Paulo e tentar frear o ritmo de queda do Cantareira e de outros mananciais.

Primavera seca aumenta alerta

Em entrevista ao Metrópoles, o professor Antonio Carlos Zuffo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avaliou que o volume baixo nesta época do ano, por si só, não é fora do padrão, mas ressaltou que a combinação de nível crítico com a falta de chuvas na primavera é motivo de preocupação.


A primavera, ao lado do verão, compõe o período mais chuvoso no Sudeste. Neste ano, porém, a estação se aproxima do fim sem registrar precipitação suficiente para conter a queda do Cantareira. A falta de reposição no momento em que historicamente os reservatórios deveriam começar a se recuperar acende um sinal de alerta.


De acordo com o professor, as chuvas de verão serão decisivas para afastar o risco de desabastecimento no curto prazo. Ele calcula que a estação precisa repor pelo menos 20% do nível do reservatório para reduzir os riscos para o ano seguinte.

Não sabemos o quanto vai chover. Se chover bem, ele [o reservatório] recupera mais de 15%. A preocupação é se essa recuperação for tímida após as chuvas, porque só volta a chover no começo de outubro do ano que vem

Antonio Carlos Zuffo, Unicamp

Abastecimento em risco a partir de 2026

Questionado sobre o cenário para os próximos anos, Zuffo avalia que, se o nível do Cantareira não voltar a subir de forma consistente, 2026 pode registrar uma situação ainda mais crítica. Segundo ele, o abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo pode ser afetado de maneira drástica caso o quadro de escassez se agrave.


O professor classifica a atual redução da pressão da água como uma forma de “gestão de perdas”, estratégia que, na visão dele, tende a ser ampliada se o volume disponível continuar caindo. Em um cenário de piora, a Sabesp pode recorrer a medidas adicionais para conter o consumo e preservar os estoques.

Medidas possíveis em caso de agravamento

Entre as ações que podem ser implementadas pela companhia, estão:


• Concessão de descontos na conta de água para consumidores que reduzirem o gasto;
Ampliação das restrições de uso em determinados horários ou atividades;
• Aplicação de multas por consumo exagerado;
• Adoção de racionamento de água em áreas mais pressionadas.

Monitoramento permanente dos reservatórios

A situação dos reservatórios e dos recursos hídricos paulistas é acompanhada continuamente pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). O órgão afirma que as decisões são tomadas com base em parâmetros técnicos e em planos já estabelecidos.


O atual cenário é tratado sob protocolos de atenção e prevenção, definidos no Plano Estadual de Segurança Hídrica, que orienta as ações de monitoramento, gestão da oferta e medidas de contenção de consumo em momentos de crise.

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