Ex-presidente do BRB diz à PF que não há provas de créditos fictícios em operações de R$ 12,2 bilhões com o Banco Master

Paulo Henrique Costa afirmou que as carteiras adquiridas eram, em sua maioria, ativos saudáveis; PF apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta e temerária

30/01/2026 às 09:54 por Redação Plox

Em depoimento à Polícia Federal (PF), o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou que ainda não há provas de que os créditos vendidos pelo Banco Master ao BRB eram fictícios. A PF apura se o BRB teria amparado financeiramente o Master ao comprar, por R$ 12,2 bilhões, uma carteira de créditos que, segundo a investigação, teria sido adquirida a custo zero por Daniel Vorcaro.

Paulo Henrique (foto) foi afastado da presidência do BRB pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal

Paulo Henrique (foto) foi afastado da presidência do BRB pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília


Investigação mira suspeita de organização criminosa e gestão temerária

A operação que colocou as transações sob suspeita levou a PF a investigar indícios de organização criminosa, gestão fraudulenta e gestão temerária. Para contornar uma crise de liquidez, o Banco Master teria repassado ao BRB, por R$ 12,2 bilhões, créditos supostamente comprados de uma empresa chamada Tirreno Consultoria.

Mesmo após o Master deixar de honrar pagamentos relacionados aos créditos apontados como fictícios, Paulo Henrique disse que o BRB continuou adquirindo outras carteiras do banco. Segundo ele, essas novas operações envolviam ativos considerados saudáveis, com histórico de desempenho positivo e, em parte, serviram para amortizar dívidas já existentes.

Ausência de evidências sobre inexistência dos créditos

Questionado pela delegada Janaína Palazzo sobre o risco de continuar negociando diante da inadimplência, Paulo Henrique argumentou que, até o momento, não foi comprovado que os créditos eram inexistentes ou inviáveis. Ele declarou à PF que não via, naquele momento, elementos concretos que caracterizassem as carteiras como “podres”.

De acordo com o ex-presidente do BRB, o banco passou a substituir a carteira da Tirreno por outros ativos quando foi informado de que os créditos não eram originários do próprio Master. Ele afirmou que, a partir daí, foram adotadas medidas para agregar garantias e substituir os créditos, e que só tomou conhecimento de que a carteira era de um terceiro em maio de 2025.

Divergências em acareação com Vorcaro

Na acareação conduzida pela PF, Paulo Henrique e Daniel Vorcaro apresentaram versões divergentes. Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, alegou que nem ele conhecia a Tirreno, mas sustentou que ambos sabiam que a origem dos créditos era de terceiros, mencionando que houve conversas sobre um novo formato de comercialização baseado em carteiras de terceiros.

Paulo Henrique ressaltou ainda que os créditos comprados após a experiência com a Tirreno tinham características semelhantes às carteiras adquiridas diretamente do Master entre julho de 2024 e janeiro de 2025. Segundo ele, tratava-se de operações com oito a nove meses de histórico, com desempenho considerado adequado em termos de adimplência e retorno para o BRB.

BRB diz ter interrompido cessões antes de acionar o BC

O ex-presidente defendeu que o BRB adotou uma postura zelosa ao se afastar dos créditos oriundos da Tirreno antes mesmo de comunicar o caso ao Banco Central. Ele apontou que, em 15 de maio, o banco teria interrompido novas cessões de carteiras do Master com o mesmo padrão da Tirreno, dez dias antes de formalizar ao BC a “ausência de padrão documental” nessas operações.

Paulo Henrique prestou depoimento à PF em 30 de dezembro. O conteúdo só veio a público nesta quinta-feira (29/1), após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que derrubou o sigilo do caso. Toffoli atendeu a um pedido para tornar público o depoimento do diretor de Fiscalização Ailton de Aquino e estendeu a medida aos depoimentos de Paulo Henrique e de Vorcaro.

Afastamento do cargo e situação atual do BRB

Até ser afastado em novembro de 2025, por decisão cautelar da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, Paulo Henrique ocupava a presidência do BRB desde janeiro de 2019. O banco, controlado majoritariamente pelo governo do Distrito Federal, é atualmente presidido por Nelson Antônio de Souza, ex-vice-presidente da empresa de meios de pagamento Elo.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a