Lula quer Rodrigo Pacheco candidato ao governo de Minas para ter palanque no estado na eleição presidencial
Diante da resistência de Pacheco em disputar o governo mineiro, PT mapeia alternativas como Cleitinho, Tadeuzinho, Jarbas Soares, Marília Campos, Margarida Salomão e até a reitora Sandra Goulart, em meio a disputas internas e indefinição partidária
O presidente Lula (PT) comunicou a auxiliares que pretende procurar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para convencê-lo a disputar o Governo de Minas Gerais. A avaliação no entorno do petista é de que uma eventual candidatura de Pacheco garantiria um palanque robusto no segundo maior colégio eleitoral do país, considerado estratégico para impulsionar sua tentativa de reeleição em 2026.
Rodrigo Pacheco e o presidente Lula
Foto: Presidência da República
Diante da resistência de Pacheco, que tem dado sinais contrários à ideia nos últimos meses, aliados de Lula começaram a mapear um plano B no estado. Entre os nomes cogitados estão o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), conhecido como Tadeuzinho, e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.
Também são mencionadas as prefeitas de Contagem, Marília Campos, e de Juiz de Fora, Margarida Salomão, ambas do PT. No caso de Marília, contudo, as citações aparecem com mais frequência ligadas a uma eventual candidatura ao Senado.
Lula aposta em Pacheco e segura negociações em Minas
Até o momento, o movimento em busca de alternativas não tem o endosso direto de Lula. O presidente insiste que Pacheco é o nome ideal para a disputa em Minas e pretende convidá-lo para uma conversa sobre seu futuro político. Em diálogo com aliados, Lula tem elogiado o senador e, para tentar costurar um acordo, busca apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O diretório mineiro do PT, por sua vez, representa um obstáculo a uma eventual aliança com Cleitinho. Dirigentes petistas no estado afirmam que o senador envia sinais contraditórios e o classificam como bolsonarista. No último fim de semana, por exemplo, Cleitinho apoiou uma caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em defesa da liberdade de Jair Bolsonaro (PL).
Além de Cleitinho, aliados de Lula veem em Tadeuzinho, presidente da Assembleia, uma possível opção ao governo estadual. Recentemente, porém, o próprio Lula orientou o presidente do PT, Edinho Silva, a adiar as tratativas com o emedebista à espera de um gesto mais claro de Pacheco. A decisão foi lida no entorno do Planalto como indício de que as conversas com o senador do PSD ainda podem avançar.
Procurado, Tadeuzinho declarou que, por ora, é pré-candidato à reeleição como deputado estadual. Disse ainda que passou os últimos meses concentrado na discussão da dívida de Minas e que qualquer mudança de rumo será debatida, a partir de agora, com seu grupo político.
Minas segue como termômetro para a eleição nacional
Minas Gerais abriga o segundo maior eleitorado do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Na tradição política recente, o candidato à Presidência que vence no estado tende a ser eleito. Desde 1945, apenas Getúlio Vargas, em 1950, chegou ao Planalto após perder em Minas.
No cálculo do PT, a disputa presidencial de 2026 será acirrada. Por isso, montar palanques fortes nos estados decisivos é visto como fundamental para manter o desempenho obtido em 2022. Naquele ano, Lula teve 50,2% dos votos válidos em Minas Gerais.
O presidente tem reiterado a aliados que ainda pretende conversar com Pacheco sobre uma candidatura ao governo mineiro. Nos bastidores, Lula afirma querer o senador em um projeto político mais amplo, com a formação de um palanque capaz de lhe dar segurança para entrar na disputa.
Aliados avaliam que Pacheco poderia concorrer ao governo com uma chapa considerada competitiva, tendo o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Marília Campos como candidatos ao Senado. O ex-prefeito de BH Marcio Lacerda também tem sido cortejado como possível vice na eventual chapa, embora já tenha sinalizado a pessoas próximas que não pretende voltar à vida pública.
Pacheco resiste e cenário partidário complica movimento
Apesar da pressão, Pacheco vem dizendo a interlocutores que pretende encerrar sua trajetória política ao fim de seu atual mandato no Senado, que se encerra em fevereiro do ano que vem. No ano passado, ele esteve entre os cotados para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, mas Lula optou por indicar Jorge Messias. Procurado, o senador não se manifestou.
Uma eventual candidatura ao governo ainda exigiria de Pacheco uma mudança de partido. O PSD, ao qual é filiado, abriga também o vice-governador Mateus Simões, pré-candidato ao governo com o apoio do atual governador Romeu Zema (Novo).
Segundo relatos, Lula teria sinalizado a Pacheco que a melhor legenda para uma disputa em Minas seria o MDB. Uma migração desse tipo seria conduzida com a participação dos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL).
Outra possibilidade em discussão é que Davi Alcolumbre abra espaço para o senador no União Brasil. Nesse cenário, aliados avaliam que seria necessário oferecer garantias adicionais, como a tentativa de emplacar um aliado de Pacheco na presidência do diretório mineiro da sigla.
PT mineiro testa alternativas à espera de definição
Com o quadro indefinido, segmentos do PT em Minas discutem internamente o lançamento da reitora da UFMG, Sandra Goulart, como candidata ao governo. A avaliação predominante, porém, é que dificilmente Lula e a direção nacional deixarão a definição da cabeça de chapa majoritária a cargo apenas da seção estadual.
Dentro do tabuleiro local, petistas mineiros consideram plausível que Cleitinho acabe não disputando o governo e lance o irmão, Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis, como vice na chapa de Mateus Simões. O senador, no entanto, tem rejeitado publicamente essa hipótese.
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