Polícia investiga morte de adolescente de 17 anos após atendimentos na UPA no PR

Brenda Cristina Rodrigues procurou a unidade três vezes com falta de ar e dor no peito, recebeu diagnóstico de ansiedade e morreu dias depois com pneumonia bacteriana

30/01/2026 às 09:06 por Redação Plox

A Polícia Civil do Paraná investiga a morte de Brenda Cristina Rodrigues, de 17 anos, que faleceu em 19 de janeiro, um dia após ser internada em um hospital particular com pneumonia bacteriana, em União da Vitória, no sul do estado. Antes disso, a jovem havia buscado atendimento três vezes em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, entre os dias 16 e 18 de janeiro, e foi liberada com diagnóstico de ansiedade.

Brenda Cristina Rodrigues

Brenda Cristina Rodrigues

Foto: Arquivo Pessoal


De acordo com familiares, Brenda apresentou falta de ar e dor no peito desde o primeiro atendimento na unidade de saúde. Apesar de relatar também chiados no peito, a adolescente recebeu alta em todas as consultas na UPA, sem a realização de exames complementares.

Família aponta falhas em série no atendimento

Para a família, a morte da jovem não foi um evento isolado, mas resultado de problemas sucessivos nos atendimentos realizados na UPA. O caso é acompanhado por um advogado, que aponta possível responsabilidade dos profissionais e da unidade.

Ela não faleceu por uma fatalidade inevitável, foi uma consequência de uma sequência de erros que culminaram na sua morte – Mateus Daldin, advogado da família

Internação em hospital particular e morte

Com a piora do quadro, o avô de Brenda a levou, na manhã de 18 de janeiro, à Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI), um hospital particular da cidade. No local, exames apontaram pneumonia e comprometimento dos pulmões.

A adolescente foi inicialmente internada em um quarto e, em seguida, transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde precisou ser entubada. Mesmo com a intervenção, ela não resistiu e morreu no dia seguinte.

Polícia apura possível negligência e omissão

O inquérito policial em andamento apura se houve negligência, imperícia, omissão de socorro ou homicídio culposo durante os atendimentos prestados na UPA. Estão sendo analisados prontuários médicos, protocolos de atendimento e ouvidos todos os profissionais envolvidos, desde a equipe de triagem até as médicas que autorizaram as altas.

Um exame de necropsia foi solicitado para detalhar as causas da morte da jovem. Os nomes dos profissionais investigados não foram divulgados pelas autoridades.

Prefeitura e gestora da UPA abrem apuração interna

A Prefeitura de União da Vitória informou que instaurará um processo administrativo para apurar a conduta da equipe da UPA. A unidade é administrada pelo Instituto Humaniza, empresa terceirizada que comunicou ter afastado as médicas que atenderam Brenda e declarou estar colaborando com as investigações.

Em nota, o Instituto Humaniza afirmou lamentar profundamente o falecimento da adolescente, manifestou solidariedade à família e amigos e disse que, desde o início do caso, tem prestado apoio e fornecido todas as informações solicitadas às autoridades, com transparência.

CRM-PR abre sindicância contra profissionais

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) acompanha o caso e anunciou a abertura de sindicância para averiguar a conduta dos profissionais envolvidos no atendimento à jovem. Se forem constatadas violações ao código de ética médica, os responsáveis podem sofrer sanções que vão de advertências a penas mais graves, como a cassação do registro.

Hospital particular não é alvo de investigação

A APMI, hospital particular onde Brenda foi internada já em estado grave, não é alvo das investigações policiais até o momento. A instituição não comentou detalhes do caso, sob a justificativa de que se trata de assunto particular da paciente e de seus familiares.

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