Câmeras mostram chegada de jovem encontrada morta em piscina em Lins; polícia apura homicídio

Imagens registram Beatriz Callegari de Paula indo à área de lazer e a movimentação de um homem e do carro da amiga que alugou o imóvel, presa temporariamente

30/01/2026 às 14:59 por Redação Plox

Imagens de câmera de segurança registraram o momento em que a jovem de 26 anos encontrada morta ao lado de uma piscina em Lins (SP) chega à área de lazer. Beatriz Callegari de Paula aparece chegando ao local na companhia de um amigo por volta das 11h do dia 16 de janeiro. 

Nas gravações, Beatriz surge abrindo com uma chave a porta lateral do imóvel, enquanto olha uma mensagem no celular, e em seguida aciona o portão automático para entrar na propriedade.

De acordo com a polícia, inicialmente apenas três pessoas estiveram no imóvel naquela data: Beatriz; Grazielli de Barros Silva, de 40 anos, presa temporariamente desde 27 de janeiro suspeita de envolvimento na morte da jovem; e o rapaz que aparece chegando com a vítima nas imagens.

Segundo a investigação, o homem teria deixado o endereço antes da morte de Beatriz e, por isso, não é tratado como suspeito. Ele prestou depoimento e foi liberado.

Câmeras registram movimentação na casa

No vídeo, é possível ver o momento em que o homem sai do imóvel e retorna pouco tempo depois. Ele chega a entrar parcialmente na garagem para retirar alguns objetos do veículo e, na sequência, estaciona o carro em frente à casa.

Em outro trecho das gravações, o rapaz aparece deixando o local por volta das 13h44, usando outra roupa. Minutos depois, às 13h50, um carro prata chega ao imóvel e entra na garagem.

Esse mesmo veículo deixa a residência por volta das 15h e chega a bater na lateral do portão ao sair. De acordo com as investigações, o carro pertence a Grazielli, que dirigia no momento da batida.

A dona do imóvel, Gabriella Camargo Fernandes, afirmou ao g1 que o aluguel da área de lazer foi feito por Grazielli, cliente conhecida que já havia utilizado o espaço em outras ocasiões.

Gabriella relatou ainda que a câmera de segurança também registrou a chegada de Grazielli ao local por volta das 11h11, além de um período em que ela permaneceu fora do imóvel antes de colocar o carro na garagem, às 13h50.

Segundo a proprietária, esses trechos de vídeo não foram solicitados pela polícia. As imagens ficam armazenadas apenas por um período limitado no aplicativo, e, de acordo com ela, já não estão mais disponíveis no sistema.


Beatriz Calegari de Paula, de 26 anos, foi encontrada morta em uma área de lazer de Lins (SP)

Beatriz Calegari de Paula, de 26 anos, foi encontrada morta em uma área de lazer de Lins (SP)

Foto: Reprodução

Laudo aponta afogamento e muda rumo do caso

As imagens apreendidas pela Polícia Civil são analisadas no inquérito que apura o crime de homicídio, instaurado após laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicar que a causa da morte de Beatriz foi afogamento. Inicialmente, em depoimento, Grazielli havia informado que a amiga teria sido vítima de uma descarga elétrica.

Os bombeiros foram acionados e chegaram ao local às 15h30. Beatriz foi encontrada caída de costas, vestindo biquíni, ao lado da piscina, com parte do corpo sobre a tampa metálica do motor. Perto dela havia uma caixa de energia com disjuntores, registros metálicos, um botão liga/desliga e uma ducha.

Antes de constatar o óbito, a equipe desligou a energia do local. O horário exato da morte não foi divulgado e ainda integra a apuração policial.

Após a conclusão do laudo, no dia 23 de janeiro, a polícia pediu a prisão temporária de Grazielli por homicídio, fundamentando o pedido em supostas contradições entre o depoimento dela e o resultado da perícia.


Beatriz Callegari de Paula tinha 26 anos e foi encontrada morta ao lado de uma piscina em Lins

Beatriz Callegari de Paula tinha 26 anos e foi encontrada morta ao lado de uma piscina em Lins

Foto: Reprodução/Facebook

Defesa de suspeita contesta perícia

Ao portal de notícias g1, a defesa de Grazielli de Barros Silva afirma que a prisão é prematura e sem fundamentos legais. O advogado Celso Modonesi sustenta que sua cliente sempre esteve à disposição da polícia, não demonstrou risco de fuga e não tentou atrapalhar as investigações.

Os representantes de Grazielli também questionam a condução das perícias, afirmam que não tiveram acesso imediato aos laudos oficiais e contestam a conclusão de afogamento, alegando que a possibilidade de descarga elétrica não teria sido analisada de forma adequada.

A defesa relata ainda dificuldades para obter documentos do inquérito, aponta falhas técnicas no laudo de necropsia, diz que a preservação do local do fato foi prejudicada e sustenta que não há indícios de autoria contra a investigada. Também destaca que Grazielli é primária, tem residência fixa, emprego formal e é mãe de uma criança menor de 12 anos, argumentando que a prisão temporária não atenderia aos requisitos legais.

Relação de amizade e festa em área de lazer

Segundo relato do irmão da vítima, Alexandre Callegari de Paula, em entrevista ao g1, Beatriz e Grazielli se conheceram no trabalho. As duas atuavam como operadoras de caixa em um supermercado e chegaram a construir uma amizade próxima.

Com o tempo, porém, as duas se afastaram por causa de um relacionamento de Beatriz. De acordo com Alexandre, o ex-namorado da jovem tinha comportamento violento e teria, inclusive, agredido amigas dela por ciúmes, entre elas a própria Grazielli.

Depois de um período de distanciamento que o irmão não soube precisar, Grazielli voltou a procurar Beatriz para convidá-la para uma festa na área de lazer, espaço alugado para confraternizações.

Alexandre contou que a irmã vinha evitando sair de casa devido a ameaças e perseguições do ex-namorado, contra o qual havia medidas protetivas, mas, ainda assim, decidiu ir ao encontro.

Do nada, no mesmo dia, ela chegou conversando com a minha irmã para falar sobre a festa, disse que era uma festa particular para ninguém ficar sabendo — Alexandre Callegari de Paula

Beatriz era a caçula de quatro irmãos, morava com a mãe e mantinha uma relação muito próxima com a família.

Ela era vista pelos parentes como uma jovem muito presente no dia a dia, que ajudava em casa e mantinha bom relacionamento com as pessoas ao redor.

Nota da defesa de Grazielli de Barros Silva

Na nota enviada ao g1, a defesa de Grazielli de Barros Silva afirma que a prisão temporária foi decretada com base em alegações que não corresponderiam à realidade, como suposto risco de fuga, manifestações em redes sociais, prejuízo às investigações e paradeiro incerto.

O advogado relata que, no dia 20 de janeiro, a polícia informou ter recebido notícia de que a cliente estaria internada em um hospital psiquiátrico, mas que, após diligência, essa internação não foi confirmada. No mesmo dia, à tarde, a defesa compareceu à delegacia, apresentou procuração, informou que protocolaria a documentação médica relativa ao tratamento psiquiátrico de Grazielli e, segundo o advogado, entregou o atestado no dia seguinte.

Desde então, a defesa afirma ter ido diariamente à delegacia para pedir acesso aos laudos periciais, mas diz não ter obtido o laudo de necropsia nem o laudo técnico da parte elétrica da área de lazer, este ainda pendente de conclusão. Também aponta que informações do caso teriam sido repassadas à imprensa antes de a defesa ter acesso aos documentos.

De acordo com o advogado, o laudo de necropsia ao qual teve acesso no dia 26 de janeiro seria incompleto, sem fotodocumentação e com falhas técnicas, embora apontasse morte por afogamento. No mesmo dia, a defesa protocolou pedido de quesitos complementares ao IML para esclarecer lacunas e requereu a juntada das imagens que embasariam o laudo, mas afirma que ainda não obteve resposta.

A defesa também critica a perícia no local, alegando que a cena não teria sido preservada, que o espaço foi novamente alugado no dia seguinte ao fato e que houve circulação de terceiros antes da perícia oficial, incluindo a elaboração de um laudo particular pela proprietária do imóvel, o que, na avaliação do advogado, teria comprometido a produção de provas.

Outro ponto levantado é que, mesmo após se apresentar formalmente no dia 20 de janeiro e reiterar que Grazielli estava à disposição para ser ouvida, o depoimento dela não teria sido colhido. O advogado sustenta que o pedido de prisão se baseou em informações inverídicas e teria buscado responder ao clamor público sem provas substanciais.

A defesa afirma ainda que não há indícios de autoria, questionando, entre outros pontos, como uma pessoa de 64 quilos poderia ter afogado uma vítima de 80 quilos sem qualquer marca de luta corporal em nenhuma das duas. Reforça, por fim, que Grazielli mantém a versão de que Beatriz sofreu uma descarga elétrica e que essa hipótese não teria sido devidamente considerada, pedindo a revogação da prisão temporária por entender que há violação ao devido processo legal e ao direito ao contraditório.
Informações relatadas ao portal de notícias G1.

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