OMS classifica presunto e carnes processadas como cancerígenos e inclui alimentos no Grupo 1

Agência Internacional de Pesquisa em Câncer aponta evidência suficiente de ligação com câncer, especialmente o colorretal, mas ressalta que o nível de risco não é o mesmo do cigarro

30/01/2026 às 10:10 por Redação Plox

A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a classificar o presunto e outras carnes processadas como agentes cancerígenos para humanos, inserindo esses produtos no Grupo 1 de carcinógenos — mesma categoria em que está o cigarro. A decisão foi tomada pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), braço da OMS, com base em um conjunto consistente de estudos que confirmam a relação entre o consumo desses alimentos e o desenvolvimento de câncer, em especial o câncer colorretal.

Presunto

Presunto

Foto: Pixabay


Mesmo grupo do cigarro, mas riscos diferentes

Embora estejam na mesma categoria de classificação, isso não significa que presunto e cigarro ofereçam o mesmo grau de perigo. A inclusão no Grupo 1 indica que há evidência suficiente de que a substância causa câncer em humanos, mas não equipara a intensidade do risco entre os diferentes agentes. Na prática, o tabagismo continua associado a ameaças muito mais amplas e severas à saúde, enquanto o consumo frequente de carnes processadas configura um fator de risco relevante, que merece atenção.

Como o processamento aumenta o risco de câncer

A evidência científica aponta que o modo como a carne é processada — por exemplo, por cura, defumação ou adição de conservantes — tem papel central nesse risco. Durante a digestão, componentes presentes nesses produtos podem originar substâncias capazes de agredir o DNA das células do intestino, elevando a probabilidade de mutações e, consequentemente, de desenvolvimento de tumores.

O consumo regular de presunto, salsicha, bacon e outros embutidos também está ligado a diferentes mecanismos biológicos considerados relevantes para o surgimento do câncer. Entre eles, estão a presença de nitritos e nitratos, que podem formar compostos potencialmente carcinogênicos; a produção de substâncias reativas no intestino, associadas ao estresse oxidativo; e o afastamento de alimentos protetores da rotina alimentar, como fibras, frutas e vegetais.

Ultraprocessados, inflamação e ganho de peso

Outro ponto de preocupação é que dietas ricas em carnes processadas costumam vir acompanhadas de alto consumo de produtos ultraprocessados em geral. Esse padrão alimentar está relacionado ao ganho de peso, à inflamação crônica e a alterações metabólicas, fatores que também contribuem para aumentar o risco de diferentes tipos de câncer.

Recomendações para reduzir o risco

A orientação não é eliminar completamente esses alimentos, mas reconhecer que presunto e outros embutidos estão longe de ser inofensivos. O risco varia de acordo com a quantidade e a frequência de consumo. Por isso, especialistas sugerem priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, aumentar a ingestão de fibras, reservar as carnes processadas para situações esporádicas e manter hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física e o controle do peso.

A ideia central da nova classificação é informar, não alarmar. Ao tornar mais claro o vínculo entre carnes processadas e câncer colorretal, a OMS reforça a importância de escolhas alimentares mais conscientes e alinhadas à prevenção de doenças a longo prazo.

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