Zema insiste em pré-candidatura, mas PL articula para tê-lo como vice de Flávio Bolsonaro em 2026

Em Minas, negociações esbarram na candidatura de Mateus Simões ao governo e na exigência de alinhamento formal do PSD ao palanque de Flávio, enquanto o partido fortalece projeto nacional com novos presidenciáveis

30/01/2026 às 16:29 por Redação Plox

Enquanto o governador Romeu Zema (Novo) reafirma que não abrirá mão da candidatura à Presidência da República em outubro, o Partido Liberal (PL) prepara novas investidas para tentar levá-lo à vice na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputará o Palácio do Planalto.

A hipótese de Zema ocupar um papel secundário na eleição foi rejeitada por ele em entrevistas recentes e em conversas com aliados. Ainda assim, o PL não pretende desistir de ter o governador mineiro em seu palanque. A sigla trabalha para construir uma candidatura unificada da direita, com o objetivo de fortalecer o embate contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará a reeleição e um quarto mandato.

Zema tem rechaçado qualquer hipótese de abrir mão da candidatura ao Planalto

Zema tem rechaçado qualquer hipótese de abrir mão da candidatura ao Planalto

Foto: GIL LEONARDI


PL vê Zema como peça-chave na disputa presidencial

À reportagem, o presidente do PL em Minas Gerais, deputado federal Domingos Sávio, reforçou o peso político do governador no cenário nacional. Zema é hoje um dos principais nomes da política em Minas Gerais, maior colégio eleitoral do país e estado decisivo na escolha de todos os presidentes desde a redemocratização.

“Nós do PL e o próprio (Jair) Bolsonaro sempre deixamos claro nosso respeito e consideração com o governador Zema. Mas o nosso candidato a presidente é Flávio Bolsonaro. O governador Zema, embora tenha se lançado como pré-candidato, ele próprio disse que aguardaria as pesquisas e hoje as pesquisas mostram que Flávio Bolsonaro já está empatado e tem condições de vencer Lula. Portanto o apoio de Zema será muito importante e poderá decidir a eleição a favor do Brasil”, disse Sávio. Domingos Sávio

O posicionamento de Domingos Sávio está alinhado ao discurso do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Netto. Em entrevista ao jornal O Globo, ele apontou o interesse direto em ter o governador mineiro como vice e defendeu uma composição ampla já no primeiro turno para tentar assegurar a vitória da direita. A avaliação de Valdemar encontra eco em outros caciques políticos, como o senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Impasses em Minas podem travar aliança entre PL e PSD

As movimentações do PL em direção a Zema ocorrem em meio a um quadro de indefinições sobre a estratégia do partido em Minas Gerais para as eleições de outubro. A lealdade do vice-governador e candidato à sucessão de Zema, Mateus Simões (PSD), ao atual governador ameaça a aliança que vinha sendo costurada entre PL e PSD no estado, negociação que teve forte atuação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL).

O principal ponto de atrito é a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e a necessidade de um palanque robusto para o senador fluminense em Minas. Simões quer ser o nome apoiado pelo partido do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado, mas o PL exige que a chapa mineira embarque formalmente na candidatura de Flávio Bolsonaro, deixando de lado tanto Zema quanto o presidenciável próprio que o PSD planeja apresentar.

PSD acumula presidenciáveis e aumenta pressão por decisão

O PSD acertou nesta semana a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e passa a contar com três pré-candidatos ao Planalto: Caiado, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, governador do Paraná. Com isso, o partido comandado por Kassab reforça seu projeto nacional e amplia o grau de complexidade nas negociações com o PL.

As siglas têm até o fim do primeiro semestre para registrar suas chapas na Justiça Eleitoral, mas há consenso de que prolongar indefinições prejudica a arrancada eleitoral. A meta é apresentar ao eleitorado, até abril, os principais nomes em disputa. No PL, cresce a avaliação de que a saída mais viável seria o PSD aceitar subir ao palanque de Flávio Bolsonaro em Minas, cenário que, na visão de líderes liberais, depende sobretudo de uma eventual desistência de Romeu Zema.

Cenários para o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas

Se Zema aceitar compor como vice de Flávio Bolsonaro, Mateus Simões corre o risco de ficar isolado na disputa pelo governo mineiro. Caso o governador mantenha a candidatura própria ao Planalto, a alternativa principal do PL passa a ser a construção de um palanque com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas Gerais.

Essa composição com Cleitinho é defendida desde o fim de 2025 por uma ala mais ideológica do PL, contrária à aliança com Zema e Simões. Para esse grupo, o senador teria condições de oferecer um palanque mais alinhado ao eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além de projetar maior capilaridade no estado.

O próprio Cleitinho admitiu à reportagem que pode disputar o governo de Minas, mas ressaltou que a decisão final sobre sua candidatura só será tomada em março. Nesse contexto, a definição de Zema sobre permanecer ou não na corrida presidencial tende a ser um dos movimentos mais aguardados da direita no tabuleiro eleitoral de 2026.

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