Dólar abre em alta e petróleo volta ao radar, elevando incertezas sobre inflação e juros no Brasil

A escalada da commodity, em meio às tensões no Oriente Médio e riscos ao transporte global de energia, tem influenciado decisões de investidores e projeções para IPCA e Selic, com reflexos no câmbio e na bolsa.

30/03/2026 às 09:13 por Redação Plox

A escalada do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio voltou a ganhar peso nas decisões de investidores e nas projeções para inflação e juros no Brasil. O movimento também tem mexido com o câmbio e com o desempenho da bolsa, em um ambiente marcado por maior cautela diante da instabilidade externa.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Petróleo em alta reacende preocupações com inflação e juros

A valorização do petróleo no mercado internacional, associada à instabilidade no Oriente Médio e aos riscos para o transporte global de energia, voltou ao centro das atenções no início desta semana e passou a influenciar a leitura de inflação e juros no Brasil.

Em março, a Agência Brasil destacou que a volatilidade do petróleo tem sido afetada pela expectativa de prolongamento do conflito e por problemas no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela relevante do comércio marítimo mundial de petróleo.

Banco Central cita incerteza externa e impacto de commodities

No Brasil, o Banco Central tem citado o aumento da incerteza externa e os efeitos diretos e indiretos de commodities — como o petróleo — sobre o nível de preços ao longo do tempo. Na ata do Copom divulgada em 24 de março, o BC afirmou que o ambiente exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária, justamente para incorporar novas informações sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação.

Focus aponta reavaliação de apostas para IPCA e Selic

As projeções do mercado também têm refletido esse ambiente. Em 16 de março, a Agência Brasil informou que o boletim Focus apontava elevação da estimativa do mercado para o IPCA de 2026, além de uma expectativa de corte mais moderado da Selic na reunião daquela semana, com previsão de redução de 0,25 ponto percentual.

Câmbio e bolsa oscilam com aversão a risco

O cenário de aversão a risco já vinha se traduzindo em oscilações relevantes nos ativos brasileiros. Em 20 de março, a Agência Brasil registrou um pregão de forte tensão, com o dólar voltando a superar R$ 5,30 e o Ibovespa recuando mais de 2%, em movimento associado à valorização global da moeda americana e à reavaliação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos.

Expectativas seguem no centro do mercado

Com o petróleo em alta e a incerteza externa no radar, analistas e investidores tendem a recalibrar apostas sobre inflação, trajetória de juros e comportamento do câmbio — fatores que afetam desde o custo do crédito até preços de combustíveis e transporte no país.

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