Focus eleva projeção do IPCA de 2026 para 4,31% em meio a tensões no Oriente Médio

Estimativa do mercado subiu pela terceira semana seguida, enquanto Selic segue em 14,75% e previsão é de 12,5% ao fim de 2026, segundo o Banco Central

30/03/2026 às 13:00 por Redação Plox

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, subiu de 4,17% para 4,31% em 2026. A estimativa consta no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central (BC), com as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Estimativa para o crescimento da economia é 1,85%.

Estimativa para o crescimento da economia é 1,85%.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.


Em meio às tensões relacionadas à guerra no Oriente Médio, esta é a terceira semana seguida de alta na projeção para a inflação do ano. Ainda assim, a estimativa permanece dentro do intervalo da meta perseguida pelo BC.

Inflação segue dentro do intervalo da meta

A meta de inflação é estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.


Em fevereiro, a inflação oficial foi de 0,7%, acelerando em relação a janeiro, quando havia registrado 0,33%. O resultado do mês foi influenciado pela alta de preços em transportes e educação.


No acumulado de 12 meses, contudo, o índice recuou para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Para os anos seguintes, o mercado elevou a projeção de inflação de 2027 de 3,8% para 3,84%. Para 2028 e 2029, as estimativas apontam IPCA de 3,57% e 3,5%, respectivamente.

Selic, principal instrumento do Banco Central

Para conduzir a inflação em direção à meta, o Banco Central utiliza como principal instrumento a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,75% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).


Na reunião da semana passada, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, decisão tomada por unanimidade. Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.


A Selic havia chegado a 15% ao ano, no maior nível desde julho de 2006, quando foi fixada em 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas e, depois, permaneceu inalterada nas quatro reuniões seguintes.


Após esse período de manutenção, havia indicação de início de um ciclo de redução. No entanto, diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, o BC não descarta rever o processo de queda, se necessário. O próximo encontro do Copom para definir a Selic está previsto para abril.


No Boletim Focus desta semana, a estimativa do mercado para a Selic até o fim de 2026 permaneceu em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é de recuo para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa é projetada em 9,75% ao ano.


Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida: juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, o que tende a reduzir pressões sobre os preços, mas também pode dificultar a expansão da economia. Na definição dos juros ao consumidor, porém, os bancos consideram outros fatores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.


Já a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando produção e consumo. Esse movimento pode diminuir o controle sobre a inflação e, ao mesmo tempo, estimular a atividade econômica.

PIB e câmbio: projeções também foram atualizadas

O Boletim Focus também trouxe leve ajuste na previsão para o crescimento da economia brasileira em 2026: de 1,84% para 1,85%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 1,8%, e para 2028 e 2029, o mercado estima expansão de 2% em cada ano.


Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025. Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado marcou o quinto ano consecutivo de crescimento.


No câmbio, o Focus desta semana indica dólar a R$ 5,40 no fim de 2026. Para o fim de 2027, a estimativa é de R$ 5,45.

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