IGP-M sobe 0,52% em março e desacelera com influência de agro e derivados do petróleo
Conhecido como “inflação do aluguel”, índice divulgado pela FGV acumula deflação de 1,83% em 12 meses; gasolina e itens como ovos e feijão pressionaram o mês
30/03/2026 às 12:28por Redação Plox
30/03/2026 às 12:28
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como “inflação do aluguel”, registrou alta de 0,52% em março, após marcar 0,73% em fevereiro. O resultado foi influenciado pela pressão de produtos agropecuários e de derivados do petróleo.
Em 12 meses, IGP-M acumula recuo de 1,83%.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Com a divulgação nesta segunda-feira (30), o indicador passou a acumular deflação de 1,83% em 12 meses, o que significa que, na média, os preços recuaram no período. Os dados são do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Segundo a FGV, nos últimos 12 meses, metade dos resultados do IGP-M foi positiva e metade negativa. Em março de 2025, o índice havia ficado em -0,34%.
Atacado concentra maior peso e puxa variação do mês
A FGV considera três componentes para apurar o IGP-M. O de maior peso é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação sentida pelos produtores e representa 60% do indicador cheio.
Em março, o IPA apresentou alta de 0,61%. O economista do Ibre Matheus Dias atribui a pressão de alta, no atacado, à agropecuária, com destaque para as contribuições de bovinos, ovos, leite, feijão e milho.
Entre os itens, os ovos subiram 16,95% no mês, depois de já terem avançado 14,16% em fevereiro. O feijão teve alta de 20,91% em março, após elevação de 13,77% no mês anterior.
O agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio já se reflete nos preços de derivados de petróleo, indicando a disseminação dessas pressões para outros segmentos
Matheus Dias
De acordo com ele, o subgrupo de produtos derivados do petróleo subiu 1,16% em março, após deflação de 4,63% em fevereiro, sinalizando mudança no sinal da variação e possível reversão da trajetória recente. Ainda assim, em 12 meses, o subgrupo acumula -14,13%.
Conflito no Oriente Médio e efeitos sobre o petróleo
A guerra no Oriente Médio foi desencadeada em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A região reúne países produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz — por onde passam 20% da produção mundial —, o que provocou distorções na cadeia de petróleo e uma escalada de preços no mercado global.
Consumo e construção também entram no cálculo
Outro componente do IGP-M é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador. Em março, o IPC subiu 0,30%.
Na cesta de consumo das famílias, o item que mais pressionou os custos no mês foi a gasolina, com alta de 1,12%.
O terceiro componente medido pela FGV é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que avançou 0,36% em março.
Por que o IGP-M é chamado de “inflação do aluguel”
O IGP-M ganhou o apelido de inflação do aluguel porque o acumulado de 12 meses costuma servir de base para o reajuste anual de contratos imobiliários. Além disso, o índice é usado para corrigir algumas tarifas públicas e serviços essenciais.
Mesmo com o acumulado negativo, isso não significa necessariamente que os aluguéis serão reajustados para baixo. Isso ocorre porque há contratos com a cláusula de “reajuste conforme variação positiva do IGP-M”, o que, na prática, faz com que o reajuste só seja aplicado quando o índice é positivo.
A FGV coleta preços em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O levantamento do IGP-M considerou o período de 21 de fevereiro a 20 de março.