Câmeras escondidas em imóveis de aluguel: veja 5 formas de identificar e o que fazer ao encontrar

Relatos indicam monitoramento sem consentimento em casas e hotéis anunciados em plataformas como o Airbnb; advogado orienta como agir e quais medidas legais podem ser tomadas

30/04/2026 às 10:38 por Redação Plox

A privacidade de quem se hospeda em uma casa alugada ou em um hotel, seja em viagem a lazer ou a trabalho, pode estar sendo monitorada sem consentimento. Casos de câmeras escondidas em imóveis anunciados em plataformas de hospedagem, como o Airbnb, têm aparecido em sites como o Reclame Aqui. Segundo o relato da matéria, vídeos com a intimidade de hóspedes chegam a ser vendidos na internet por criminosos.


Diante desse cenário, o consumidor pode adotar medidas simples — manuais e tecnológicas — para tentar identificar equipamentos, que se tornam cada vez menores e mais difíceis de notar. O advogado especialista em Direito do Consumidor Felipe Moreira, do escritório Oliveira Filho Advogados, também orienta quais providências tomar caso uma câmera seja encontrada durante a hospedagem.

Casal descobriu câmera escondida em Airbnb em Copacabana

Casal descobriu câmera escondida em Airbnb em Copacabana

Foto: Pixabay/Reprodução


Cinco formas de identificar câmeras escondidas em quartos e banheiros

  1. Inspeção visual e física
    O primeiro passo é observar objetos que estejam voltados para áreas íntimas, como a cama ou o chuveiro. Entre os locais citados como comuns para camuflagem estão dispositivos de teto (detectores de fumaça, sprinklers e luminárias), além de itens de mesa e parede, como rádios-relógio, carregadores USB, tomadas, espelhos, quadros e outros objetos decorativos. No banheiro, a atenção deve se voltar para suportes de escova de dentes, chuveiros, ganchos de toalha e até frestas em azulejos.

    A recomendação é checar sinais incomuns, como furos em objetos decorativos ou fios que pareçam não ter utilidade no local.

  2. Lanterna do celular
    Como lentes são feitas de vidro, elas tendem a refletir a luz. A orientação é apagar as luzes do cômodo e usar a lanterna do celular, apontando lentamente para áreas suspeitas. Se surgir um ponto de brilho ou reflexo fora do esperado, o local deve ser verificado de perto.

  3. Detecção de luz infravermelha
    O texto aponta que “câmeras espiãs” costumam usar luz infravermelha para gravar no escuro — invisível ao olho humano, mas que pode aparecer em algumas câmeras de smartphone. Para o teste, é indicado deixar o ambiente totalmente escuro, abrir a câmera frontal do celular (que tende a ter menos filtros de infravermelho) e fazer uma varredura no cômodo, buscando pontos piscando ou luzes arroxeadas na tela.

  4. Escaneamento de Wi-Fi
    Outra possibilidade é checar a rede sem fio do local. Como câmeras modernas podem transmitir dados via Wi-Fi, a orientação é conectar-se à rede e usar aplicativos como o Fing (Android e iOS) para listar os dispositivos conectados. Vale procurar nomes de fabricantes mencionados, como Hikvision e Dahua, ou itens identificados como “IP Camera”.

  5. Teste do espelho
    Para verificar se um espelho pode ser, na verdade, um vidro de duas vias, o procedimento descrito é encostar a ponta do dedo na superfície. Em um espelho comum, deve haver um pequeno espaço entre o dedo e o reflexo; se não houver folga e as pontas “se encontrarem”, o material pode ser um vidro transparente com algo instalado atrás.

O que fazer ao encontrar uma câmera: registro de provas e boletim de ocorrência

Ao identificar uma câmera escondida, Felipe Moreira recomenda medidas imediatas com foco principal em produção de provas. Ele orienta que o hóspede registre imagens e vídeos do equipamento, sem removê-lo do lugar, para não comprometer a comprovação do que foi encontrado e do contexto em que estava instalado.

A primeira coisa é registrar por imagens, fotos, filmagem, onde está essa câmera e não arrancar ela do lugar, porque pode desconstituir a prova naquele ambiente. Tem que filmar para onde ela está apontada, registar o máximo de informação ali para não correr o risco de se perder essa prova

Felipe Moreira

O advogado também alerta para um cuidado durante essa etapa: evitar fazer registros em frente à câmera, para reduzir o risco de que alguém, ao perceber a gravação, tome providências por controle remoto.

Na sequência, a recomendação é fazer um boletim de ocorrência — preferencialmente com a polícia no local, e não apenas pela internet. Segundo ele, é importante insistir para que o policial verifique a situação e descreva no documento o que foi constatado, tornando a prova mais robusta. Se a polícia não puder ir, o texto aponta como alternativa registrar o BO e buscar testemunhas, como a verificação de um porteiro ou morador do prédio.

Após reunir os registros e formalizar o boletim, o consumidor deve comunicar o Airbnb ou outra plataforma, para que sejam tomadas providências e o local seja retirado da oferta de hospedagens.

Indenização e responsabilização no âmbito cível e criminal

Depois das medidas imediatas, o consumidor pode buscar reparação no Judiciário, tanto na esfera cível quanto criminal, conforme aponta Felipe Moreira. No campo civil, as ações podem ser direcionadas ao anfitrião e à plataforma de hospedagem, que é tratada no texto como co-responsável.

Já na esfera criminal, segundo a explicação do advogado, o principal autor do crime seria o proprietário do apartamento — e não a plataforma —, porque a responsabilidade criminal recai sobre quem comete o fato.

O hóspede pode pedir indenização por dano material, incluindo despesas com a hospedagem em que a câmera foi encontrada, custos de uma nova hospedagem de última hora e outros gastos decorrentes do problema. Também pode reivindicar danos morais, devido à violação de imagem, intimidade e privacidade, além de eventual discussão sobre proteção de dados no âmbito da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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