Esquema em clínicas de TEA pode ter gerado prejuízo de até R$ 60 milhões a planos de saúde, diz Abramge
Investigação aponta simulação de atendimentos, laudos falsos e ações judiciais para obrigar operadoras a pagar procedimentos inexistentes ou com valores inflados em São Paulo.
30/04/2026 às 11:41por Redação Plox
30/04/2026 às 11:41
— por Redação Plox
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A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) estimou em até R$ 60 milhões o prejuízo causado por um esquema criminoso envolvendo clínicas que atendem crianças com Transtornos do Espectro Autista (TEA). Segundo a entidade, as perdas teriam atingido diretamente os planos de saúde.
Polícia fez uma operação contra grupo criminoso que fraudava diagnósticos de crianças para conseguir verbas adicionais dos planos de saúde
Foto: Divulgação/ Polícia Civil de São Paulo
Fraudes miravam reembolso e custeio de procedimentos
De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), responsável por uma operação policial realizada nesta quinta-feira (30/4), o grupo investigado fraudava atendimentos para obter mais verba dos planos de saúde.
As autoridades afirmam que os investigados simulavam atendimentos, emitiam laudos médicos falsos e ingressavam com ações judiciais para obrigar os planos a custear procedimentos inexistentes ou com valores inflados. A investigação aponta que a prática gerou “prejuízos financeiros expressivos” e sustentava o funcionamento da fraude.
Operação “Descredenciamento” cumpre mandados em SP
A operação, chamada de Descredenciamento, cumpre 12 mandados de busca e apreensão na cidade de São Paulo e na região metropolitana. A ação é conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais (DIG), com foco em crimes de estelionato e contra a fé pública.
Cerca de 40 policiais civis participam da operação, com apoio de 17 viaturas, entre caracterizadas e descaracterizadas.
Polícia aponta impacto direto em crianças e famílias
Além das suspeitas de fraude financeira, a Polícia Civil destacou a gravidade do esquema por atingir diretamente crianças e famílias, que teriam sido submetidas a diagnósticos falsos e a intervenções terapêuticas inadequadas, “em afronta a princípios fundamentais de proteção e boa-fé”, informou a corporação.
Abramge diz acompanhar investigação e pede apuração
“defende a apuração rigorosa dos fatos e o fortalecimento de mecanismos de controle e prevenção, como forma de proteger os beneficiários e garantir que os recursos da saúde sejam aplicados corretamente”. Abramge
Em nota, a Abramge afirmou que acompanha com atenção a operação do Deic, também chamada de Descredenciamento.