Perícia particular diz que PC Siqueira foi estrangulado e contesta laudos que apontaram suicídio
Parecer encomendado pela família sustenta hipótese de homicídio e leva Ministério Público a solicitar nova análise de fio encontrado no apartamento; novo laudo oficial ainda não foi concluído
30/04/2026 às 11:17por Redação Plox
30/04/2026 às 11:17
— por Redação Plox
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Uma perícia particular afirma que o influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, o PC Siqueira, foi estrangulado e assassinado dentro do apartamento onde morava, na Zona Sul de São Paulo. Ele foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos.
O parecer, elaborado em março de 2026 a pedido dos advogados da família, contesta os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Técnico-Científica. Em 2025, os órgãos oficiais concluíram que PC se suicidou por enforcamento com uma cinta de catraca.
Exame pedido pela família aponta homicídio por estrangulamento com fio de fones de ouvido. E diverge da perícia oficial, que concluiu suicídio por enforcamento com cinta.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Perito particular aponta estrangulamento com fio de fone
O documento é assinado pelo perito particular Francisco João Aparício La Regina, ex-perito da Polícia Técnico-Científica e professor por 30 anos. Segundo ele, PC não morreu por enforcamento: a asfixia teria sido causada por um fio fino. O parecer tem 48 páginas e não aponta quem teria cometido o suposto crime.
As marcas no pescoço do influenciador, segundo a perícia particular, seriam compatíveis com um fio preto de fones de ouvido encontrado no apartamento. O material foi recolhido posteriormente pelos advogados da família, Caio Muniz e Geraldo Bezerra da Silva Filho, e entregue ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.
A perícia particular também sustenta que o padrão e a largura das lesões seriam incompatíveis com a cinta de catraca laranja, mais larga — objeto que foi o único apreendido inicialmente pela perícia oficial.
Procurados, o perito e os advogados informaram que não podem comentar o caso. Segundo eles, o inquérito corre sob segredo de Justiça.
MP determina nova análise e comparações com fotos
Diante da divergência entre o laudo oficial e o parecer particular, o Ministério Público determinou que a Polícia Civil encaminhe o fio dos fones de ouvido ao IML e ao IC. A orientação é que os peritos oficiais comparem o objeto com os ferimentos descritos no caso.
Como a morte ocorreu há mais de dois anos, não será possível exumar o corpo. A nova análise deve ser feita com base em fotografias do cadáver registradas pela perícia na época. O novo laudo ainda não foi concluído.
Justiça manda investigação continuar
No fim de 2025, a Justiça determinou a continuidade da investigação, após pedido do Ministério Público. O inquérito havia sido concluído no ano anterior pela Polícia Civil como suicídio, mas o arquivamento definitivo não foi autorizado.
A Promotoria apontou dúvidas nos laudos e contradições em depoimentos. Com isso, a polícia passou a apurar outras hipóteses, como instigação ao suicídio, homicídio com simulação de suicídio e omissão de socorro.
Pessoas próximas ao influenciador poderão ser investigadas. Até o momento, porém, não há suspeitos formalmente identificados. O caso segue em aberto na polícia, no MP e na Justiça.
Depoimentos e reconstituição no prédio
Ouvida como testemunha, Maria Luiza Lopes Watanabe, ex-namorada de PC, disse à Polícia Civil que tentou salvá-lo, mas não conseguiu. Ela relatou que saiu do apartamento gritando no corredor e pedindo ajuda.
Uma vizinha afirmou que ouviu os gritos, encontrou o influenciador enforcado com a cinta laranja, ligou para a Polícia Militar e cortou o objeto com uma faca para tentar socorrê-lo.
A Polícia Técnico-Científica realizou uma reconstituição do caso em 20 de janeiro de 2026, no prédio onde PC morava, no Campo Belo. A ex-namorada não participou, alegando motivos pessoais.
Em 30 de janeiro de 2026, Maria e a vizinha participaram de uma acareação por videoconferência. A divergência, segundo o relato, era sobre o horário do pedido de ajuda.
De acordo com depoimentos, PC teria se matado na frente de Maria. Os dois haviam terminado o relacionamento dois dias antes. Ela disse que ele afirmou que queria se matar e que não conseguiu impedir.
Amigos relataram à polícia que o relacionamento era marcado por discussões, algumas transmitidas ao vivo nas redes sociais. Um amigo afirmou que se relacionou com a ex após o término, o que teria irritado o influenciador.
O que diz a defesa da ex-namorada
Neste mês, a advogada Clarissa Azevedo divulgou uma nota sobre o caso:
A defesa acompanha a investigação com tranquilidade e confia no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Ressalta, ainda, que o inquérito tramita sob sigilo, razão pela qual manifestações públicas devem ser feitas com cautela.
A posição da defesa é clara no sentido de que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. Nesse sentido, importa destacar que, até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais apontando morte por enforcamento.
Destaque-se que estes laudos oficiais são elaborados pelos órgãos do Estado, sendo exames realizados com critérios técnicos, imparcialidade e controle institucional.
Já eventuais pareceres particulares, ainda que possam ser juntados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, razão pela qual não possuem o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial.
Observa-se, por fim, que parte das acusações se apoia em relatos indiretos e versões que apresentam divergências entre si, sem respaldo nos elementos constantes dos autos, o que já vem sendo esclarecido pela defesa ao longo da investigação.
Clarissa Azevedo
Quem foi PC Siqueira
PC Siqueira foi um dos primeiros criadores de conteúdo digital a alcançar projeção no Brasil, principalmente no YouTube. Ele também apresentou programas em canais de televisão, como a MTV.
Antes da morte, era alvo de uma investigação por suspeita de divulgação de imagens de abuso sexual infantil, aberta após o vazamento de mensagens privadas em 2020. Laudos posteriores não encontraram esse tipo de material nos computadores apreendidos, e PC sempre negou as acusações.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso foi relatado em junho de 2024 por extinção da punibilidade. Com a morte do influenciador, o procedimento seria arquivado sem conclusão judicial.
Após a morte, a família agradeceu as manifestações de solidariedade e pediu respeito ao período de luto. Também informou que desenvolve uma série documental sobre a trajetória do influenciador.