Perícia particular aponta que PC Siqueira foi assassinado por estrangulamento com fio de fone
Parecer de 48 páginas, concluído em março de 2026, contesta laudos oficiais que indicaram suicídio e levou MP a pedir nova comparação de vestígios
30/04/2026 às 06:35por Redação Plox
30/04/2026 às 06:35
— por Redação Plox
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Uma perícia particular concluiu que o influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, teria sido estrangulado e assassinado com um fio de fones de ouvido dentro do apartamento onde morava, na Zona Sul de São Paulo. Ele foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos.
O parecer foi elaborado em março de 2026, a pedido dos advogados da família, e contesta os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), da Polícia Técnico-Científica. Em 2025, os órgãos oficiais haviam concluído que o influenciador se suicidou por enforcamento com uma cinta de catraca.
Pela versão oficial, PC teria se enforcado na frente da ex-namorada, Maria Luiza Lopes Watanabe.
Parecer técnico de perito particular aponta que PC foi estrangulado com fio de fone de ouvido (à esquerda). Perícia oficial concluiu que influencer se enforcou e se suicidou com cinta de catraca (à direita). Polícia ainda investiga como artista morreu.
Foto: Reprodução
Perícia particular aponta asfixia por fio fino
Para o perito particular Francisco João Aparício La Regina, ex-perito da Polícia Técnico-Científica e professor por 30 anos, PC não morreu por enforcamento. No parecer de 48 páginas, ele afirma que a asfixia foi causada por um fio fino.
Segundo essa análise, as marcas no pescoço do influenciador seriam compatíveis com um fio preto de fones de ouvido encontrado no apartamento. O material foi recolhido posteriormente pelos advogados da família, Caio Muniz e Geraldo Bezerra da Silva Filho, e entregue ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.
O parecer particular também afirma que o padrão e a largura das lesões seriam incompatíveis com a cinta de catraca laranja, que seria mais larga. Segundo o texto, esse foi o único objeto apreendido inicialmente pela perícia oficial.
Procurados, o perito e os advogados informaram que não podem comentar o caso. De acordo com eles, o inquérito corre sob segredo de Justiça.
Maria Watanabe e PC Siqueira foram namorados. Ela contou à polícia que viu namorado se enforcar, mas não conseguiu salvá-lo. Depois pediu ajuda a uma vizinha, que cortou a cinta que o prendia
Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Ministério Público pede nova análise pericial
Diante da divergência entre o laudo oficial e o parecer particular, o Ministério Público determinou que a Polícia Civil encaminhe o fio dos fones de ouvido ao IML e ao IC. Os peritos oficiais devem comparar o objeto com os ferimentos encontrados em PC.
Como a morte ocorreu há mais de dois anos, não será possível exumar o corpo. A análise será feita com base em fotografias do cadáver tiradas pela perícia na época. O novo laudo ainda não foi concluído.
Justiça mantém investigação e polícia apura novas hipóteses
No fim de 2025, a Justiça determinou a continuidade da investigação, atendendo a um pedido do Ministério Público. O inquérito havia sido concluído no ano anterior como suicídio pela Polícia Civil, mas o arquivamento definitivo não foi autorizado.
A Promotoria apontou dúvidas nos laudos e contradições em depoimentos. Com isso, a polícia passou a apurar outras hipóteses, como instigação ao suicídio, homicídio com simulação de suicídio e omissão de socorro.
Pessoas próximas ao influenciador poderão ser investigadas. Até o momento, porém, não há suspeitos formalmente identificados. O caso segue em aberto para a polícia, o MP e a Justiça.
Depoimentos, reconstituição e acareação
Ouvida como testemunha, Maria disse à Polícia Civil que tentou salvar PC, mas não conseguiu. Ela relatou que saiu do apartamento gritando no corredor e pedindo ajuda.
Uma vizinha afirmou que ouviu os gritos e encontrou o influenciador enforcado com a cinta laranja. Disse ainda que ligou para a Polícia Militar (PM) e cortou o objeto com uma faca para tentar socorrê-lo.
A Polícia Técnico-Científica realizou uma reconstituição do caso em 20 de janeiro de 2026, no prédio onde PC morava, no Campo Belo. A ex-namorada não participou, alegando motivos pessoais.
Em 30 de janeiro de 2026, Maria e a vizinha participaram de uma acareação por videoconferência. A divergência era sobre o horário do pedido de ajuda.
Segundo depoimentos, PC teria se matado na frente de Maria. Os dois haviam terminado o relacionamento dois dias antes. Ela disse que ele afirmou que queria se matar e que não conseguiu impedir.
Amigos relataram à polícia que o relacionamento era marcado por discussões, algumas transmitidas ao vivo nas redes sociais. Um amigo afirmou que se relacionou com a ex após o término, o que teria irritado o influenciador.
O que diz a defesa da ex-namorada
O g1 procurou a ex-namorada de PC, mas não houve retorno. Neste mês, a advogada dela, Clarissa Azevedo, divulgou nota.
A defesa acompanha a investigação com tranquilidade e confia no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Ressalta, ainda, que o inquérito tramita sob sigilo, razão pela qual manifestações públicas devem ser feitas com cautela.
A posição da defesa é clara no sentido de que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. Nesse sentido, importa destacar que, até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais apontando morte por enforcamento.
Destaque-se que estes laudos oficiais são elaborados pelos órgãos do Estado, sendo exames realizados com critérios técnicos, imparcialidade e controle institucional.
Já eventuais pareceres particulares, ainda que possam ser juntados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, razão pela qual não possuem o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial.
Observa-se, por fim, que parte das acusações se apoia em relatos indiretos e versões que apresentam divergências entre si, sem respaldo nos elementos constantes dos autos, o que já vem sendo esclarecido pela defesa ao longo da investigação.
Clarissa Azevedo
Quem foi PC Siqueira
PC Siqueira foi um dos primeiros criadores de conteúdo digital a alcançar projeção no Brasil, principalmente no YouTube. Ele também apresentou programas em canais de televisão, como a MTV.
Antes da morte, era alvo de uma investigação por suspeita de divulgação de imagens de abuso sexual infantil, aberta após o vazamento de mensagens privadas em 2020. Laudos posteriores não encontraram esse tipo de material nos computadores apreendidos. PC sempre negou as acusações.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso foi relatado em junho de 2024 por extinção da punibilidade. Com a morte do influenciador, o procedimento seria arquivado sem conclusão judicial.
Após a morte, a família agradeceu as manifestações de solidariedade e pediu respeito ao período de luto. Também informou que desenvolve uma série documental sobre a trajetória do influenciador.