Petróleo recua após bater maior nível em quatro anos com tensão entre EUA e Irã
WTI e brent caem na manhã de quinta (30/4) depois de dispararem com bloqueio naval no Estreito de Ormuz e escalada diplomática entre Washington e Teerã
30/04/2026 às 11:18por Redação Plox
30/04/2026 às 11:18
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
Os preços internacionais do petróleo mostraram sinais de alívio na manhã desta quinta-feira (30/4), mesmo com a manutenção das tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o regime iraniano. O movimento ocorre em meio aos conflitos no Oriente Médio e ao bloqueio naval norte-americano no Estreito de Ormuz.
Considerado um canal marítimo estratégico entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, o Estreito de Ormuz é apontado como o principal “gargalo” mundial para a energia, por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo do planeta e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). A passagem é descrita como crucial para a economia global.
Após alcançarem, na véspera e nas primeiras horas desta quinta, o maior patamar em quatro anos, as cotações passaram a operar em baixa.
Imagem ilustrativa.
Foto: Freepik.
Petróleo recua após máximas em quatro anos
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI, referência do mercado norte-americano, recuava 2,47% e era negociado a US$ 104,24.
No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent, referência para o mercado internacional, cedia 3,73%, a US$ 113,63.
Mais cedo, a cotação chegou ao maior nível desde 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia. O barril do brent superou os US$ 118 e chegou a bater US$ 125 nos contratos futuros.
A sessão de quarta-feira (29/4) marcou a oitava alta consecutiva do petróleo, a maior sequência de valorização em quatro anos. Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio, o brent acumula alta de mais de 60%.
Irã critica bloqueio e diz que tentativa de cerco não terá efeito
“qualquer tentativa de cerco ao Irã por mar está condenada ao fracasso”
afirmou que, em referência ao bloqueio naval feito pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.
Também nesta quinta (30/4), o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que “qualquer tentativa de cerco ao Irã por mar está condenada ao fracasso”, em referência ao bloqueio naval feito pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.
Segundo Pezeshkian, o bloqueio é “uma fonte de tensão e perturbação para uma estabilidade duradoura no Golfo Pérsico”. Apesar do acordo de cessar-fogo, Trump tem dito que a medida seguirá em vigor até que as negociações sejam 100% finalizadas.
A mensagem de Pezeshkian foi divulgada por ocasião do Dia Nacional do Golfo Pérsico. No texto, ele destaca que a identidade iraniana está atrelada à via navegável.
Trump compartilha mapa e endurece discurso sobre negociação
Nessa quarta-feira, Donald Trump compartilhou nas redes sociais uma imagem de um mapa do Estreito de Ormuz renomeado como “Estreito de Trump”. A publicação ocorreu em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã, em uma região estratégica para a exportação global de combustíveis e marcada por restrições mútuas e ameaças ao tráfego marítimo.
No último fim de semana, o Irã apresentou uma proposta aos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o conflito armado. A oferta incluía o adiamento das discussões sobre o programa nuclear iraniano, mas foi rejeitada por Trump.
O republicano disse que houve avanços nas negociações, mas condicionou qualquer acordo à proibição total de armas nucleares pelo regime iraniano.
Eles já avançaram bastante. A questão é se eles vão longe o suficiente
Donald Trump
Trump afirmou, no Salão Oval da Casa Branca, que rejeitou a proposta do Irã de suspender o bloqueio norte-americano e reabrir o Estreito de Ormuz.
Ele também declarou que não aceitará um acordo que permita o desenvolvimento nuclear iraniano.
Segundo Trump, as tratativas têm avançado com mais agilidade devido ao uso de contatos telefônicos em vez de reuniões presenciais, mencionando que as conversas passaram a ocorrer por telefone.