Lixo do álbum da Copa: “papel” das figurinhas pode levar até 100 anos para se decompor

Material que protege a parte colante tem baixa reciclabilidade no Brasil e, sem cadeia e tecnologia em escala, costuma virar rejeito em aterros.

30/05/2026 às 06:55 por Redação Plox

Preencher o tradicional álbum de figurinhas da Copa do Mundo pode deixar um rastro ambiental bem maior do que muita gente imagina: o resíduo mais comum do processo — o liner, papel siliconado que protege a parte colante das figurinhas — tem baixa reciclabilidade no Brasil e, quando vai parar em aterros, pode levar até cerca de 100 anos para se decompor, por causa do revestimento de silicone.

Menino de Manaus se emociona ao encontrar figurinha rara de Cristiano Ronaldo em álbum da Copa

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Foto: Reprodução/Redes Sociais


O tema voltou ao debate com a chegada do álbum da Copa de 2026. A geração de lixo está concentrada principalmente nesse “papel” que sobra após colar as figurinhas, e que não recebe o mesmo destino do restante do papel comum. A dificuldade é técnica e econômica: reciclar o liner exige processos específicos, pouco disponíveis no país, o que faz com que grande parte do material acabe descartada como rejeito.

Reciclável x “ter reciclabilidade”

Apesar de parecer um resíduo simples por ter aparência de papel, o liner é um material composto e com tratamento de superfície (silicone), o que complica a reciclagem na prática. O resultado é uma diferença importante: algo pode até ser teoricamente reciclável, mas não necessariamente tem reciclabilidade (ou seja, cadeia e tecnologia acessíveis para virar matéria-prima novamente em escala).

A orientação de especialistas e iniciativas do setor, porém, é que o liner não deve ir para o lixo comum. Mesmo com poucas rotas disponíveis, o descarte no reciclável aumenta a chance de o material ser separado em cooperativas e seguir para empresas que tenham capacidade de processá-lo.

O que a lei diz sobre responsabilidade e logística reversa

Álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 produzido pela Panini

Álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 produzido pela Panini

Foto: Reprodução/Panini


No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece o princípio da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e prevê instrumentos como a logística reversa, que envolve fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e o poder público na destinação ambientalmente adequada de resíduos e embalagens pós-consumo.

Na prática, no entanto, a coleta e o reaproveitamento de resíduos específicos — como o liner com silicone — ainda dependem de estrutura, acordos setoriais e da existência de operadores capazes de receber e tratar esse material em diferentes regiões.

Iniciativas no país e como descartar

Entre as poucas iniciativas especializadas no Brasil, há empresas que atuam com logística reversa e reciclagem de liners. Um exemplo é a Polpel, sediada em Guarulhos (SP), que divulga ter desenvolvido processo para reciclagem desse tipo de resíduo e mantém ações de recebimento vinculadas à cadeia de rótulos autoadesivos.

Para o consumidor, a recomendação mais segura segue sendo separar o liner junto aos recicláveis secos (como papéis e embalagens limpas) e buscar, quando possível, pontos de coleta, cooperativas e campanhas específicas na cidade. Onde não houver rota de reciclagem para o material, ele tende a ser destinado a aterros, com decomposição lenta e potencial contribuição para emissões associadas ao manejo de resíduos.

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