Meningite causada por caramujo resulta em morte
Fiocruz alerta sobre a transmissão da doença pelo verme Angiostrongylus cantonensis, encontrado em moluscos infectados
Por Plox
30/06/2024 16h26 - Atualizado há cerca de 1 ano
Em Nova Iguaçu (RJ), a Fiocruz confirmou em abril uma morte causada por meningite eosinofílica, transmitida pelo verme Angiostrongylus cantonensis, presente em um caramujo coletado na região. A análise parasitológica, solicitada pela Secretaria Municipal de Saúde, detectou o parasito no molusco Pomacea maculata, conhecido como lolô ou aruá. Dos 22 caramujos analisados, apenas um estava infectado.

Foto: Pixabay/ Divulgação
Transmissão e sintomas da doença
A meningite eosinofílica é causada pelo verme A. cantonensis, que usa roedores como hospedeiros. As larvas do verme são eliminadas nas fezes dos ratos e ingeridas por caramujos, nos quais se desenvolvem até a forma infectante para vertebrados. A infecção humana ocorre ao ingerir caramujos infectados ou seu muco.
Os sintomas mais comuns incluem dor de cabeça, enquanto rigidez da nuca e febre ocorrem em alguns casos. Distúrbios visuais, enjoo, vômito e parestesia persistente (formigamento ou dormência) também podem ser observados. A maioria dos pacientes se recupera espontaneamente, mas é essencial acompanhamento médico para evitar complicações graves.
Medidas preventivas e orientações
A chefe do Laboratório de Malacologia do IOC/Fiocruz, Silvana Thiengo, enfatiza a necessidade de cuidados ao manusear caramujos e higienizar alimentos. "A população precisa estar alerta para adotar cuidados ao manusear caramujos, higienizar verduras e não ingerir esses animais crus ou malcozidos", afirma Thiengo.
Combate ao vetor e prevenção
Para combater o vetor, recomenda-se catar manualmente os caramujos usando luvas ou sacos plásticos, colocá-los em água fervente por cinco minutos e descartar as conchas quebradas. É crucial não ingerir moluscos crus ou malcozidos e lavar bem frutas e verduras, deixando-as de molho por 30 minutos em uma solução de água com água sanitária.
Monitoramento e abrangência do problema
A Fiocruz sugere que os municípios realizem coletas periódicas de moluscos para análise parasitológica. Entre 2008 e 2021, o parasito foi detectado em moluscos de 14 estados brasileiros. "É importante que as Secretarias de Saúde e a classe médica tomem conhecimento desse cenário para uma prevenção efetiva e diagnósticos mais rápidos", destaca Jucicleide Souza, bióloga do Laboratório de Malacologia.
Alerta nacional
O alerta não se limita ao Rio de Janeiro, mas estende-se a outras regiões do Brasil, reforçando a necessidade de ações preventivas e vigilância contínua para evitar novos casos da doença.