Primeiro turno das eleições francesas é liderado pela extrema direita
Marine Le Pen e seu partido Reagrupamento Nacional obtêm mais de 34% dos votos, com Macron em terceiro lugar
Por Plox
30/06/2024 16h57 - Atualizado há cerca de 1 ano
A extrema direita conquistou o primeiro turno das eleições legislativas na França neste domingo (30), superando as expectativas e deixando o partido de centro-direita do presidente Emmanuel Macron em terceiro lugar. O Reagrupamento Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, obteve mais de 34% dos votos, segundo estimativas iniciais.

Resultados e alianças
A aliança de Macron ficou em terceiro lugar, conseguindo entre 20,5% e 21,5% dos votos, atrás da coalizão de esquerda Nova Frente Popular (NFP), que obteve entre 28,5% e 29,1%, conforme as projeções dos institutos de pesquisa Ifop e Ipsos. A ascensão do RN marca um momento significativo, sendo a primeira vez desde a libertação da ocupação nazista em 1945 que a extrema direita alcança tal nível de poder na França.
Segundo turno
O segundo turno das eleições, marcado para 7 de julho, será decisivo para determinar se o RN conseguirá a maioria absoluta na Assembleia Nacional. Marine Le Pen, em seu discurso aos apoiadores em Hénin-Beaumont, afirmou: "Precisamos de uma maioria absoluta". Ela comemorou o enfraquecimento do "bloco macronista".
Implicações internacionais
A possível vitória da extrema direita poderia influenciar o apoio da França à Ucrânia, apesar do partido de Le Pen afirmar seu apoio a Kiev. O RN, no entanto, tem sido criticado por sua proximidade com a Rússia de Vladimir Putin, buscando evitar confrontos diretos com Moscou.
Participação e dinâmica eleitoral
A taxa de votação foi historicamente alta, atingindo 59,39% às 17h00 locais, três horas antes do fechamento das urnas, de acordo com o Ministério do Interior. O sistema eleitoral francês, que elege 577 deputados em círculos uninominais com dois turnos, mantém a incerteza sobre o resultado final, com diferentes projeções variando entre uma maioria simples ou absoluta.
Reações políticas
Jean-Luc Mélenchon, líder da NFP, garantiu que seu partido retirará candidatos que ficarem em terceiro lugar para aumentar as chances de derrotar o RN no segundo turno. Macron apelou por uma aliança "ampla" e "claramente democrática e republicana" contra o RN, sem confirmar se retirará seus candidatos para fortalecer a NFP contra a extrema direita.
Próximos passos
Com as eleições antecipadas convocadas por Macron após a vitória do RN nas eleições europeias, o presidente agora enfrenta a possibilidade de um governo de oposição a menos de um mês dos Jogos Olímpicos de Paris. O RN já anunciou Jordan Bardella, jovem líder do partido, como candidato a primeiro-ministro caso consigam a maioria absoluta.
Propostas do RN
O programa do RN inclui medidas como a limitação da imigração, a imposição de "autoridade" nas escolas e a redução da conta de luz das residências. Os rivais do RN alertaram sobre os riscos da chegada da extrema direita ao poder, com o jornal Le Monde destacando: "Entregar a eles qualquer poder significa correr o risco de ver desfeito pouco a pouco tudo o que foi construído e conquistado ao longo de mais de dois séculos e meio."