A partir do dia 1º de julho, o reforço vacinal contra meningite destinado a crianças de um ano de idade passará a ser feito com a vacina meningocócica ACWY no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa mudança amplia a proteção ao incluir mais sorogrupos da bactéria causadora da doença.
Foto: Divulgação (Foto:/Sesa) Até então, o esquema vacinal infantil incluía duas doses da vacina meningocócica do tipo C, aplicadas aos três e cinco meses, seguidas de um reforço aos 12 meses. Agora, este reforço será substituído pela versão ACWY, considerada mais abrangente.
Segundo o Ministério da Saúde, crianças que já completaram o ciclo vacinal anterior com as duas doses e o reforço não precisam tomar a nova vacina neste momento. Entretanto, aquelas que não receberam o reforço aos 12 meses poderão ser vacinadas com a ACWY.
Essa ampliação faz parte das Diretrizes para o Enfrentamento das Meningites até 2030, lançadas pelo Ministério no ano passado, em colaboração com organizações nacionais, internacionais e a sociedade civil. O documento segue orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o enfrentamento global da meningite bacteriana.
Antes da mudança, a vacina ACWY era destinada apenas a adolescentes entre 11 e 14 anos, como dose única ou reforço, conforme o histórico de vacinação.
Em 2025, o Brasil já contabiliza 4.406 casos confirmados de meningite, dos quais 1.731 são do tipo bacteriana e 1.584 do tipo viral. Outros 1.091 casos envolvem causas ou tipos ainda não identificados.
Outras vacinas ofertadas pelo SUS, como BCG, penta e as pneumocócicas 10, 13 e 23-valente, também contribuem para a prevenção de formas graves da doença. A meningite é uma inflamação das meninges — membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal — e pode ser provocada por agentes infecciosos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Há ainda formas não infecciosas da doença, associadas a câncer com metástase nas meninges, lúpus, reações a medicamentos, traumatismos e cirurgias cerebrais.
“A transmissão da meningite geralmente ocorre de pessoa para pessoa, pelas vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta”, destaca o Ministério da Saúde
. Também pode ocorrer pela via fecal-oral, por meio de água, alimentos contaminados ou contato com fezes.
A doença é considerada endêmica no Brasil. As variantes bacterianas tendem a aumentar nos meses de outono e inverno, enquanto as virais têm maior incidência na primavera e no verão.