Ministério da Saúde anuncia plano de R$ 9,8 bilhões para preparar o SUS contra efeitos do El Niño

Programa AdaptaSUS prevê 27 metas e 93 ações até 2035, com medidas de prevenção, monitoramento e resposta a desastres climáticos e ondas de calor no país.

30/06/2026 às 15:27 por Redação Plox

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (30) um conjunto de medidas para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos efeitos do El Niño e do avanço de eventos climáticos extremos no país. Batizado de AdaptaSUS, o plano prevê R$ 9,8 bilhões em investimentos, com 27 metas e 93 ações programadas até 2035.  


SUS terá R$ 9,8 bilhões para enfrentar El Niño, calor extremo e desastres climáticos.

Foto: Divulgação/Ministério de Saúde



A estratégia reúne ações de prevenção, monitoramento e resposta a situações como ondas de calor, secas, incêndios florestais, enchentes e deslizamentos. O planejamento inclui integração com estados, municípios e Defesa Civil, mobilização de equipes de saúde, reforço de medicamentos, vacinas e água potável, além da reconstrução de serviços atingidos. 


Estratégia reúne ações de prevenção, monitoramento e resposta a situações como ondas de calor, secas, incêndios florestais, enchentes e deslizamentos.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


Centros vão cruzar dados climáticos e de saúde

O governo pretende instalar oito Centros de Informação em Saúde e Clima em Belo Horizonte, Belém, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Santarém e na Bahia. A implantação da rede começa nesta quarta-feira (1º), com investimento inicial de R$ 9 milhões em equipamentos, estrutura e formação de equipes. 


Governo pretende instalar oito Centros de Informação em Saúde e Clima.

Foto: Divulgação/Agência Fio Cruz de Notícias


Esses centros deverão reunir informações meteorológicas, epidemiológicas, demográficas e socioeconômicas para identificar áreas de maior risco e orientar alertas à população. As unidades terão profissionais como meteorologistas, epidemiologistas, geógrafos e cientistas de dados.

A Força Nacional do SUS também será ampliada com oito bases regionais, previstas para entrar em operação até 2027. A meta é permitir que equipes especializadas cheguem a qualquer emergência no país em até 12 horas e iniciem uma resposta compatível com a gravidade do desastre nas primeiras 72 horas.

Painel terá alertas de calor para todos os municípios

Outra medida é o Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor e Equidade em Saúde. A plataforma oferecerá previsões de risco para os 5.570 municípios brasileiros com até cinco dias de antecedência, cruzando dados meteorológicos com indicadores de vulnerabilidade social.

O Ministério da Saúde reforçou que idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol estão entre os grupos mais vulneráveis. As orientações incluem aumentar a ingestão de água, evitar o sol entre 10h e 16h e reduzir esforços físicos durante períodos de calor intenso.

A preocupação é reforçada por um estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz, que associou cerca de 120 mil mortes no Brasil às ondas de calor entre 2000 e 2019. Para 2026 e 2027, o governo projeta riscos diferentes entre as regiões, como seca e incêndios na Amazônia, calor e chuvas irregulares no Sudeste e enchentes e deslizamentos no Sul.

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