Notificações de violência contra crianças e adolescentes sobem 125% no Brasil, aponta levantamento

Dados do Sinan analisados pela SPDM mostram avanço de 73.635 registros em 2020 para 165.413 em 2025, com predominância de vítimas do sexo feminino e ocorrências principalmente no ambiente doméstico.

30/06/2026 às 15:44 por Redação Plox

O número de notificações de violência contra crianças e adolescentes registradas pelos serviços de saúde passou de 73.635, em 2020, para 165.413 em 2025. A alta de 125% foi identificada em levantamento da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), elaborado com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde


Notificações de violência contra crianças e adolescentes sobem 125% em cinco anos.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Ao longo dos seis anos analisados, foram contabilizadas cerca de 685,6 mil notificações envolvendo pessoas de até 18 anos. Os registros do Sinan não devem ser confundidos com denúncias policiais: o sistema reúne casos suspeitos ou confirmados identificados durante atendimentos de saúde. A notificação de violência doméstica, sexual e de outras formas de agressão é obrigatória nos serviços públicos e privados.

Meninas são maioria entre as vítimas

Meninas e adolescentes do sexo feminino representam 62% das vítimas, enquanto os meninos correspondem a 38%. Em relação à raça ou cor informada nos registros, 49,1% foram classificados como pardos, 35,7% como brancos e 7,6% como negros. A violência sexual apareceu em 34% das notificações, seguida por negligência ou abandono, com 33,3%, e violência física, com 32,9%.

Os adolescentes concentraram 43% dos registros. Crianças na primeira infância responderam por 37% e aquelas com idade entre 7 e 12 anos, por 20%. O ambiente doméstico foi apontado como o principal local das ocorrências. Na análise dos prováveis autores, a mãe apareceu em 34% das notificações e o pai em 26%, dado que inclui diferentes formas de violência, entre elas situações de negligência.

Minas está entre os estados com mais registros

São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentraram, juntos, 52% das notificações realizadas entre 2020 e 2025. O crescimento foi observado em todas as regiões do país. A SPDM ressalta que parte da alta pode estar relacionada ao avanço na identificação e no registro dos casos pelas redes de saúde e proteção, embora o volume também revele a persistência da violência contra o público infantojuvenil.

Casos suspeitos ou confirmados devem ser comunicados ao Conselho Tutelar. Denúncias também podem ser feitas gratuitamente pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. O serviço recebe relatos de forma identificada ou anônima e encaminha as informações aos órgãos responsáveis.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a