Empresas investem em inteligência artificial com altos salários

Número de Chief Artificial Intelligence Officers (CAIO) cresce significativamente no Brasil, com salários de até R$ 35 mil, refletindo a crescente valorização dos profissionais de IA.

Por Plox

30/07/2024 12h01 - Atualizado há cerca de 1 ano

Entre 2022 e 2023, o número de profissionais denominados Chief Artificial Intelligence Officers (CAIO) no Brasil saltou de 19 para 122, conforme dados da consultoria Russell Reynolds. Esse crescimento reflete a tendência global onde 21% das grandes empresas nomearam um CAIO para liderar a implementação de políticas de inteligência artificial. Além disso, 28% dessas empresas criaram cargos subordinados dedicados ao mesmo objetivo.

Funções e desafios dos CAIOs

O papel do CAIO não é apenas técnico, mas envolve uma ampla gama de responsabilidades. Esses profissionais precisam ter um conhecimento profundo sobre inteligência artificial, capacidade de comunicação com a sociedade civil, legisladores e gestores de outras empresas, além de habilidades de liderança. “O diretor de tecnologia precisa fazer a ponte entre a estratégia da empresa e o time de tecnologia; para inteligência artificial, isso é muito mais pesado, porque é uma tecnologia multidisciplinar que pode envolver as mais diferentes áreas”, explica Gustavo Zaniboni, fundador e CAIO da Redcore.

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Implementação de IA nas empresas

Atualmente, apenas 7% das grandes empresas ouvidas já implementam alguma solução de IA, enquanto 64% ainda estão na fase de pesquisa. Para que a IA funcione adequadamente, é necessário educar os profissionais sobre a tecnologia, estabelecer uma governança robusta e adotar práticas éticas. Empresas como Dell e Totvs já aderiram a essa tendência. Na Totvs, por exemplo, Cristiano Nobrega, anteriormente diretor de dados, assumiu o cargo de diretor de dados e inteligência artificial após a aquisição da startup Tails.

Salários e qualificações dos CAIOs

De acordo com o guia salarial do grupo Adecco, os salários para cargos de gestão em IA no Brasil podem chegar a R$ 35 mil. Esses profissionais geralmente têm formação em engenharia da computação ou ciência de dados, além de uma base sólida em gestão e experiência prévia em projetos de IA. “Queremos oferecer o serviço de um CAIO para as empresas que não têm dinheiro ou não precisam, pelo tamanho da operação, de um CAIO em tempo integral”, afirma Zaniboni.

Ética e governança na IA

Um dos desafios mais complexos para os CAIOs é a gestão ética da inteligência artificial. Problemas como a reprodução de discriminações através da tecnologia, especialmente em sistemas de reconhecimento facial, exigem um entendimento aprofundado e uma abordagem cuidadosa. “Hoje, há uma confusão entre o que é problema por deficiência da IA, o que é problema de procedimento dentro da empresa e problemas da própria sociedade. Um diretor precisa saber identificar a fonte do erro”, observa Zaniboni.

Adoção de IA em grandes empresas

Algumas empresas preferem delegar a gestão da IA a diretores de inovação ou gerenciamento de dados. No Nubank, por exemplo, Vitor Olivier, diretor de tecnologia, se tornou o porta-voz da visão de IA do banco digital, apresentando planos de otimização do atendimento e combate a fraudes durante a conferência Web Summit. Segundo Olivier, a origem tecnológica do Nubank facilita a adoção de novas ferramentas, mas ressalta a importância de validar processos antes de apresentá-los ao público.

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