Maduro manda Forças Armadas reprimir protestos na Venezuela; mais de 10 mortos
A onda de protestos contra o governo de Maduro começou na segunda-feira (29), logo após o anúncio da vitória do presidente nas eleições
Por Plox
30/07/2024 22h42 - Atualizado há cerca de 1 ano
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou o posicionamento das Forças Armadas e policiais nas ruas e comunidades do país a partir desta quarta-feira (31), em resposta aos protestos nacionais que surgiram após sua vitória nas eleições do último domingo (28).
Pronunciamento de Maduro
Em uma reunião conjunta do Conselho de Estado e de Defesa na terça-feira (30), Maduro anunciou a medida e comunicou o público venezuelano em pronunciamento posterior. “Quero ver os policiais nas ruas até que haja a consolidação do plano de paz”, afirmou o presidente.
Convocação pró-governo
Além da ação militar, Maduro convocou seus apoiadores a se reunirem em frente ao Palácio de Miraflores nesta quarta-feira, sede do governo, para um protesto em apoio ao seu governo.
Protestos e resposta do governo
A onda de protestos contra o governo de Maduro começou na segunda-feira (29), logo após o anúncio da vitória do presidente nas eleições com 51% dos votos, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Os números são contestados pela oposição e pela comunidade internacional, que exigem a divulgação completa das contagens dos votos, um processo que Maduro classificou como "tentativa de desestabilização".
Violência e detenções
Os protestos, que se espalharam por todas as regiões do país e continuaram até a noite de terça-feira (30), resultaram em pelo menos 11 mortos e dezenas de feridos, conforme relatado por ONGs venezuelanas. O procurador-geral do país anunciou que mais de 700 pessoas já foram presas.
Acusações contra opositores
Maduro responsabilizou os opositores María Corina Machado e Edmundo González pelos protestos, afirmando que “a Justiça vai chegar” para eles. "A responsabilidade é sua, senhor Edmundo Gonzalez Urrutia, por tudo o que está acontecendo na Venezuela, pela violência criminosa, pelos delinquentes, pelos feridos, pelos falecidos, pela destruição. O senhor será o responsável direto, senhor Gonzalez Urrutia, e a senhora também, senhora Machado. E a justiça vai chegar", declarou Maduro.
Tentativa de desestabilização
O presidente denunciou uma "investida mundial" do imperialismo estadunidense, da direita internacional extremista e do narcotráfico colombiano, alegando que estão tentando se apoderar do país por meio da criminalidade e da violência. Maduro também afirmou que diversas sedes do Conselho Nacional Eleitoral foram atacadas por grupos que ele chamou de terroristas, resultando na destruição de máquinas e agressões a funcionários eleitorais.
Reações internacionais e pedidos de transparência
Os resultados eleitorais, que deram a Maduro 51,2% dos votos contra 44% de Edmundo González, foram anunciados com 80% dos votos apurados. A oposição acusa o CNE de fraude e pede transparência. María Corina Machado afirmou ter acesso a 73% das atas, que, segundo ela, mostram a vitória de González. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e vários países da América Latina expressaram preocupação e pediram uma revisão completa dos resultados.
Comissões especiais
Maduro anunciou a criação de duas comissões especiais: uma para avaliar o sistema de biossegurança da Venezuela com assessoria da Rússia e da China, e outra para defender a opinião pública nas redes sociais, liderada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.