Haddad diz que tensão com EUA deve se dissipar e negociações continuam
Ministro da Fazenda afirma que conversas sobre tarifa seguem em curso e que diálogo com secretário do Tesouro dos EUA pode ocorrer nos próximos dias
Por Plox
30/07/2025 10h29 - Atualizado há 26 dias
A poucos dias da entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta quarta-feira (30) que as tratativas com o governo norte-americano continuam em andamento e demonstram sinais de evolução.

Durante uma conversa com jornalistas em Brasília, Haddad afirmou que a data do início da taxação, marcada para 1º de agosto, não deve ser encarada como o encerramento do diálogo, mas sim como o ponto de partida para uma nova fase de conversas. Segundo ele, o governo brasileiro continua comprometido em resolver a questão.
“Essa semana foi melhor. E se depender do Brasil, essa tensão desaparece, porque ela é artificial. E produzida por pessoas do próprio país. Quer dizer, faz sentido alimentar essa tensão. Brasileiros lá alimentaram essa tensão. Essa tensão vai se dissipar. Quando ela se dissipar, a racionalidade vai conduzir os seus trabalhos. E nós vamos chegar a um denominador”, afirmou o ministro.
A fala de Haddad sinaliza confiança de que o diálogo prevalecerá e que haverá espaço para reverter a decisão norte-americana
O ministro ainda revelou que tenta agendar uma ligação com Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA — cargo equivalente ao de ministro da Fazenda. O contato deve ocorrer nos próximos dias, assim que Bessent retornar de uma missão oficial na Europa. A assessoria do secretário pediu paciência, mas não descartou o diálogo com o Brasil.
Paralelamente, o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mantém comunicação com Howard Lutnick, secretário de Comércio dos EUA. Nesta semana, os dois realizaram a terceira reunião desde o anúncio da medida tarifária, sendo essa a mais longa até agora, com duração de aproximadamente três horas.
A tarifa, anunciada por Donald Trump em 9 de julho, atinge diretamente os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos. O presidente americano tornou pública a medida por meio de uma carta publicada nas redes sociais e direcionada a Luiz Inácio Lula da Silva. No texto, Trump cita o ex-presidente Jair Bolsonaro e alega que o Brasil persegue injustamente o líder político por sua condição de réu no Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, Bolsonaro estaria sendo vítima de uma “caça às bruxas”.
Mesmo com a iminência da cobrança adicional, o governo brasileiro mantém esforços diplomáticos com o objetivo de evitar prejuízos maiores para a economia nacional e para setores estratégicos da exportação.