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O fenômeno El Niño deve influenciar o clima no Sudeste nos próximos meses, com temperaturas acima da média entre o fim do inverno e a primavera. De acordo com o meteorologista Lizandro Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o principal impacto será o aumento do calor, enquanto o volume de chuva tende a permanecer próximo da média histórica.
El Niño deve elevar temperaturas no Sudeste entre o fim do inverno e a primavera
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Segundo o especialista, o El Niño altera a forma como as chuvas ocorrem. Em vez de precipitações prolongadas, a tendência é de pancadas rápidas e intensas, principalmente no fim da tarde e à noite, favorecidas pelo aumento do calor na atmosfera.
O início da estação chuvosa, entre setembro e o começo de novembro, também deve ser marcado por maior irregularidade nas precipitações. Apesar disso, a expectativa é de que a quantidade total de chuva permaneça dentro da variabilidade climática normal, com o aumento das temperaturas sendo o efeito mais significativo do fenômeno na região.
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que o início da estação chuvosa, entre setembro e o começo de novembro, deverá ser marcado por irregularidade nas precipitações no Sudeste. Segundo o meteorologista Marcelo Gemiacki, o principal efeito do El Niño na região será a elevação das temperaturas, favorecendo a formação de pancadas de chuva isoladas.
De acordo com a meteorologista Anete Fernandes, alguns padrões observados nas últimas semanas já antecipam o cenário esperado para os próximos meses. A sucessão de frentes frias sobre a Região Sul tem provocado aumento das temperaturas no Sudeste antes de avançar para o oceano, comportamento comum no inverno, mas que pode indicar as condições típicas associadas ao El Niño.
Anete explica que o fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial, alterando a circulação atmosférica e influenciando o clima em diferentes regiões. Com isso, as frentes frias tendem a permanecer por mais tempo sobre o Sul do país, favorecendo chuvas intensas, enquanto o Sudeste deve enfrentar temperaturas mais elevadas e uma estação chuvosa mais irregular.
Para o fim do inverno e a primavera, a expectativa é de calor intenso, com possibilidade de ondas de calor semelhantes às registradas em 2023. As chuvas devem ocorrer de forma mais concentrada em pancadas isoladas, com menor atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema responsável por períodos prolongados de céu encoberto e chuva contínua. Apesar desse cenário, o Inmet ressalta que ainda não é possível atribuir diretamente as condições atuais à influência do El Niño, considerando que elas também são compatíveis com o comportamento típico do inverno.