PF aponta promoção sem experiência mínima e omissão de panes em voo da Voepass
Relatório final sobre a queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), cita relatos de pressão para não registrar falhas técnicas; acidente matou 62 pessoas.
Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, morreu após sofrer uma perfuração no intestino durante uma colonoscopia realizada no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. O exame, marcado inicialmente como procedimento de rotina, ocorreu na terça-feira, e a morte foi confirmada na tarde de quarta-feira (29), depois de uma cirurgia emergencial e de complicações no quadro clínico.
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A paciente deixa três filhos, de nove, 15 e 20 anos. Ela havia começado recentemente a trabalhar como agente de apoio escolar. O velório está previsto para esta sexta-feira (31), às 8h, no Cemitério da Vila Formosa.

Foto: Divulgação | Prefeitura de São Paulo
De acordo com a tia de Mariana, a professora Mara Aparecida, a equipe médica informou à família que a paciente teve uma grande parte do intestino lacerada durante a colonoscopia. Segundo a familiar, Mariana não apresentava problemas de saúde conhecidos e fazia o exame pela primeira vez.
O procedimento havia sido recomendado devido ao histórico de câncer colorretal na família. Mara relatou ainda que a sobrinha demonstrava medo antes de realizar o exame e que a última conversa entre as duas ocorreu na véspera da colonoscopia.
Ela me ligou antes de ontem só para dizer: “Tia, eu te amo”. Foi a última vez que nós conversamos. Ela disse que faria o exame no dia seguinte e que estava com medo.
Mara Aparecida, tia de Mariana
A família também foi informada pela direção da unidade de que um relatório sobre o ocorrido poderá ser disponibilizado em até 30 dias. Segundo Mara, a explicação repassada aos parentes foi de que o hospital não seria responsável pelo caso, pois o exame teria sido conduzido por um laboratório terceirizado.
Foto: Rede Social
A Secretaria de Segurança Pública informou que a ocorrência é investigada como morte suspeita pelo 62º Distrito Policial. Conforme a pasta, a Polícia Civil solicitou perícias e aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML).
Já a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) comunicou a abertura de uma sindicância interna, em conjunto com a Clínica de Endoscopia Salinas, empresa responsável pela realização do procedimento. A administração municipal informou que o serviço de endoscopia é terceirizado e prestado pela clínica há 25 anos no hospital.
A SMS declarou que lamenta a morte da paciente, que a apuração sobre a conduta médica será rigorosa e que a direção da unidade permanece à disposição dos familiares. Questionada sobre os protocolos utilizados no exame e sobre a equipe que trabalhava na noite de terça-feira, a secretaria não apresentou detalhes.
A colonoscopia é indicada para examinar o intestino grosso e a parte final do intestino delgado. Feito sob sedação, o procedimento é considerado seguro, não provoca dor e requer preparo prévio para a limpeza intestinal. Sua principal finalidade é auxiliar no diagnóstico precoce de doenças, especialmente do câncer colorretal.
Em geral, o rastreamento passa a ser recomendado a partir dos 45 anos para pacientes que desejam investigar esse tipo de câncer. Quando o resultado não aponta alterações, uma nova colonoscopia costuma ser indicada em intervalos de cinco a dez anos, conforme cada caso.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que o câncer colorretal é o segundo mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, sem considerar os tumores de pele não melanoma. A doença também ocupa a terceira posição entre as principais causas de morte por câncer no país.
Segundo o INCA, 65% dos diagnósticos ainda ocorrem em estágios tardios, fase em que as possibilidades de cura diminuem e os custos do tratamento aumentam. Por isso, a colonoscopia é apontada como uma estratégia importante de prevenção.