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Em Serranópolis de Minas, no Norte de Minas Gerais, o tradicional requeijão moreno mantém viva uma história de família, trabalho no campo e memória afetiva que hoje atrai visitantes ao Sítio Vó Luzia.
Requeijão moreno é tradicional no interior de MG Carlos A. Lucas / Arquivo pessoal
Foto: Carlos A. Lucas / Arquivo pessoal
É ali que Carlos Alessandro Lucas e a esposa produzem, de forma artesanal, cerca de 50 quilos da iguaria por semana, atividade que atravessa gerações na família. A origem remete ao avô de Carlos, produtor de leite, que via no requeijão uma forma de aproveitar o excedente e garantir renda extra na cidade.
“Meu avô era um produtor de leite e, para aproveitar o excedente e garantir uma renda extra, minha avó fazia requeijão moreno para vender na cidade”, relata o produtor.
Carlos Alessandro Lucas
Com a morte da avó, a fabricação foi interrompida. Em 2019, porém, a fartura de leite e a saudade do sabor fizeram Carlos retomar a produção. Ele conta que foram necessárias várias tentativas, recorrendo às lembranças da infância, à orientação do pai e de outros familiares até chegar ao ponto ideal do requeijão.
Para regularizar a atividade, Carlos buscou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), em busca de orientação sobre boas práticas de fabricação do requeijão moreno, formalização da agroindústria e assistência técnica em bovinocultura leiteira.
Além do requeijão, a família diversificou o trabalho no campo e passou a produzir doce de leite, manteiga de requeijão e a investir na cultura do café. A comercialização acontece em Belo Horizonte e diretamente no sítio, e a qualidade dos produtos já foi reconhecida com diversas medalhas em concursos, reforçando a vocação da propriedade para a agroindústria artesanal.
O Sítio Vó Luzia está na mesma família há cerca de 80 anos. Para Carlos, a atividade rural sempre foi mais que trabalho: é um projeto de vida. Ele aprendeu com o avô e com o pai e nunca chegou a considerar deixar o campo para morar na cidade, vendo como privilégio dar continuidade ao trabalho iniciado pelos avós e mantendo a expectativa de que os filhos assumam esse legado no futuro.
A abertura do sítio para visitantes começou em 2020, de forma despretensiosa. Um amigo sugeriu que fosse organizado um café com requeijão para um pequeno grupo, que aprovou a experiência. A partir daí, a divulgação se espalhou de boca em boca, e o que era teste virou uma nova frente de atividade para a família.
O turismo rural passou então a ajudar na superação de um dos maiores desafios do sítio: a falta de recursos financeiros para manter e expandir a produção. O contato com os visitantes se tornou fonte de renda complementar e também uma forma de valorizar a história da família.
Quem agenda uma visita ao Sítio Vó Luzia encontra uma experiência que combina lazer e tradição: é possível montar a cavalo, conhecer o modo de fazer do requeijão moreno, provar o café, as delícias caseiras, as frutas da região e mergulhar na rotina de uma típica propriedade rural mineira.
Segundo relatos de extensionistas que acompanham o trabalho da família, o sucesso do sítio está ligado à recepção acolhedora oferecida aos visitantes e ao perfil empreendedor dos produtores. O turismo ainda é recente no município, mas começa a ganhar espaço, impulsionado pelas paisagens da Cordilheira do Espinhaço, vistas como um forte atrativo para geração de emprego e renda no campo.
A Emater-MG atua na promoção do empreendimento por meio do projeto estratégico Ruralidade Viva, que conecta visitantes às vivências da agricultura familiar. A iniciativa acompanha o avanço do turismo rural em Minas Gerais, valorizando o trabalho de produtores como a família do Sítio Vó Luzia e contribuindo para o fortalecimento da economia local.