CPI do Crime Organizado aprova convocações de Ibaneis Rocha e Cláudio Castro e ajusta quebras de sigilo ao STF

Colegiado também reconvocou Roberto Campos Neto e aprovou a convocação de Renato Dias de Brito Gomes para esclarecer suspeitas e falhas no combate à lavagem de dinheiro.

31/03/2026 às 15:28 por Redação Plox

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado (CPI do Crime Organizado) do Senado aprovou, nesta terça-feira (31), as convocações dos ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A comissão também validou pedidos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas já analisados anteriormente, agora adequados às novas exigências do Supremo Tribunal Federal (STF).


CPI do crime organizado convoca os ex-governadores Ibanês Rocha e Cláudio Castro.

Foto: Geraldo Magela / Agência Senado


Convocação de Ibaneis mira relações comerciais e decisões de governo

O requerimento para convocar Ibaneis foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Segundo ele, o depoimento do ex-governador é essencial para que a CPI compreenda as relações comerciais entre o escritório de advocacia Ibaneis e entidades investigadas pela Polícia Federal (PF), além dos critérios que embasaram decisões do governo distrital envolvendo negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Vieira afirma que, de acordo com informações preliminares, o escritório de advocacia fundado por Ibaneis manteve contratos milionários com entidades ligadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master, alvos de investigações federais, e teria recebido transferências financeiras atípicas do Grupo J&F. Ainda segundo o senador, quando estava à frente do Executivo do Distrito Federal, Ibaneis teria agido pessoalmente para aprovar a aquisição do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pelo BRB. O texto do requerimento menciona que Vorcaro já havia vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos questionados.

Cláudio Castro e o “panorama macroestratégico” sobre o Rio

Ao justificar a convocação de Cláudio Castro, Vieira sustenta que o depoimento do ex-governador pode oferecer um “panorama macroestratégico” para investigar falhas e gargalos institucionais que dificultariam o combate à lavagem de dinheiro e a asfixia financeira do crime organizado, além de avaliar a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal.

De acordo com o senador, o Rio de Janeiro já se tornou “o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país” e, nos últimos anos, houve uma mudança no cenário, com a aproximação entre facções ligadas ao narcotráfico e grupos milicianos formados por agentes e ex-agentes de segurança pública, em uma dinâmica descrita como “narcomilícia”. Vieira é relator da CPI do Crime Organizado.

Convocações após ausências e reconvocação de Campos Neto

Os integrantes da CPI decidiram convocar Castro e Ibaneis após os ex-governadores não atenderem aos convites da comissão. Pelo mesmo motivo, o colegiado aprovou uma nova convocação de Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025.

A reconvocação também foi proposta por Vieira, depois de Campos Neto informar que não poderia comparecer à reunião da CPI desta terça-feira. No requerimento, o senador ressaltou que a convocação ocorre na condição de testemunha qualificada e que não atribui, de forma prévia, responsabilidade ao ex-presidente do Banco Central pelos fatos investigados.

Vieira argumentou ainda que os procedimentos, instrumentos e práticas institucionais do Banco Central podem contribuir de forma relevante para os trabalhos da comissão. Além disso, os senadores aprovaram outras convocações, como a do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central do Brasil, Renato Dias de Brito Gomes.

Quebra de sigilo é ajustada às exigências do STF

Além das convocações, a CPI aprovou pedidos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas já anteriormente analisados, com adequações para atender às novas exigências do STF.

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