Dólar abre volátil nesta terça (31) com tensão no Oriente Médio e alta do petróleo no radar
Escalada do conflito e avanço do petróleo elevam a aversão ao risco e reforçam busca por moeda forte; mercado acompanha efeitos sobre inflação e juros no Brasil
31/03/2026 às 08:54por Redação Plox
31/03/2026 às 08:54
— por Redação Plox
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O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (31) com investidores atentos ao cenário interno e externo, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e à alta do petróleo. O movimento mantém no radar os possíveis efeitos sobre o câmbio, as expectativas de inflação e a trajetória de juros no Brasil.
Neste ambiente, a volatilidade aumentou nos mercados com a volta das preocupações sobre o conflito e seus impactos sobre o fluxo global de energia, fator que costuma elevar a aversão ao risco e reforçar a busca por proteção em moeda forte.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Tensões no Oriente Médio elevam a aversão ao risco e colocam o dólar em foco
Nos últimos dias, o mercado tem acompanhado com mais cautela a evolução do conflito no Oriente Médio. Em 26 de março, a Agência Brasil registrou que o dólar comercial subiu com o retorno das tensões na região, em um movimento associado ao aumento da aversão ao risco e à procura por segurança em moeda forte.
Com a instabilidade externa, o câmbio tende a ganhar protagonismo nas decisões de investidores, principalmente quando o cenário geopolítico pode afetar preços de energia, inflação global e expectativas para juros em diferentes economias.
Petróleo no radar aumenta preocupação com inflação e juros globais
A alta do petróleo também segue no centro das atenções pelo potencial de pressionar a inflação no mundo e, por consequência, influenciar decisões de política monetária. Em 18 de março, a Agência Brasil destacou que a valorização da commodity e as incertezas inflacionárias vinham levando investidores a reduzir apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, movimento que tende a repercutir em moedas e ativos de mercados emergentes.
O encarecimento da energia, quando persistente, pode afetar custos de produção, preços ao consumidor e o ritmo de crescimento econômico, elevando a sensibilidade do mercado a qualquer sinal de mudança nas expectativas para juros.
Banco Central acompanha cenário externo e vê maior risco para a meta de inflação
No Brasil, o Banco Central tem reforçado o acompanhamento do ambiente internacional e do comportamento do câmbio e da inflação. Em 26 de março, ao divulgar projeções e cenários no Relatório de Política Monetária, o BC apontou crescimento de 1,6% para o PIB em 2026 e indicou aumento da probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2026, em comparação com o relatório anterior.
O diagnóstico reforça a leitura de que choques vindos do exterior — como oscilações do petróleo e movimentos do dólar — podem ter efeito sobre o processo de desinflação e sobre a condução da política monetária.
Focus e Copom: Selic e IPCA entram no cálculo do mercado
Em 25 de março, a Agência Brasil informou que, segundo o boletim Focus citado na ata do Copom, analistas de mercado estimavam a Selic em 12,5% ao ano ao fim de 2026, além de uma projeção de inflação (IPCA) de 4,17% para o ano. O documento também registrou a avaliação do BC sobre riscos e incertezas que podem afetar o processo de desinflação e o custo da política monetária.
Com isso, o mercado mantém o foco na combinação entre o noticiário geopolítico, a trajetória do petróleo e a leitura de indicadores econômicos — elementos que podem influenciar combustíveis, inflação e decisões sobre juros, com impacto direto no dia a dia de consumidores e empresas no país.