Lula reúne ministros para reforçar defesa do governo e preparar disputa nos estados
Encontro no Planalto nesta terça (31) busca municiar a equipe com entregas da Esplanada e alinhar estratégia diante do bolsonarismo, com foco em ministros que devem deixar cargos para as eleições
31/03/2026 às 10:26por Redação Plox
31/03/2026 às 10:26
— por Redação Plox
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O presidente Lula (PT) reúne nesta terça-feira (31) a equipe ministerial para reafirmar a necessidade de defesa das ações do governo. A orientação será direcionada, sobretudo, aos ministros que deixarão os cargos para concorrer às eleições de outubro.
Nesta despedida, Lula deverá recomendar a defesa de seu legado e agradecer pelo trabalho. Prestes a deixar o governo para concorrer ao Senado pela Bahia, o chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), fará um balanço das realizações.
Ministros serão municiados com entregas de toda a Esplanada
Segundo auxiliares do presidente, a ideia é municiar os colegas com as entregas de toda a Esplanada, e não apenas de suas pastas. Assim, os ministros teriam uma visão geral da gestão para o enfrentamento ao bolsonarismo em suas regiões — e Flávio Bolsonaro (PL) deverá ser o principal adversário do petista na disputa.
Aliados do presidente também vêm sendo orientados a falar sobre o impacto negativo na economia brasileira da guerra no Oriente Médio, lembrando que iniciativas do governo de Donald Trump contam com apoio da família Bolsonaro.
Metade dos ministros deixa o governo, e Lula cobrará atuação em campanha eleitoral
Foto: crédito: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Reunião terá falas de Rui Costa, Sidônio Palmeira e Dario Durigan
Como costuma ocorrer nas reuniões ministeriais, o encontro será iniciado por um discurso do presidente, seguido por falas de alguns ministros. Desta vez, as apresentações devem ser comandadas por Rui Costa, Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) e Dario Durigan, sucessor de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.
Durigan foi escalado para uma exposição sobre avanços e desafios na área econômica. Segundo interlocutores, ele deve fazer um balanço das ações da pasta até este momento do mandato. A pedido de Lula, foi feito um estudo sobre os efeitos da taxa de juros na economia, já apresentado ao presidente e a colaboradores diretos.
O encontro ocorrerá na Sala Suprema do Palácio do Planalto, espaço reservado para reuniões de grande porte. O foco estará nos novos ministros, mas a reunião contará com a presença dos chefes de todas as pastas, inclusive dos que permanecerão nos cargos.
A previsão é de que a reunião desta terça seja mais curta do que as edições de anos anteriores, com encerramento por volta das 12h, devido à viagem de Lula a São Paulo à tarde.
Vinte ministros devem se afastar com a aproximação das eleições
No total, 20 ministros entre os 38 devem se afastar dos cargos por conta das eleições, seja para disputar cargos públicos, por remanejamentos para outras pastas ou para atuar na campanha do presidente. O prazo oficial para desincompatibilização termina no sábado (4), mas a maioria deve anunciar a saída antes da data.
Com a aproximação do período eleitoral, a orientação transmitida à equipe vinha sendo a de que ministros com mandato parlamentar se afastassem durante a disputa para reforçar o palanque de Lula nos estados. Essa intenção foi mantida, com ajustes conforme os planos do presidente para cada integrante do time.
Haddad e Márcio França entram no rearranjo de candidaturas e pastas
Entre os exemplos citados estão Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB), hoje à frente da pasta do Empreendedorismo. Haddad, então chefe da Fazenda, não pretendia disputar a eleição neste ano, mas será candidato ao governo de São Paulo a pedido de Lula.
Já França deve assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, uma vez que Geraldo Alckmin (PSB) se lançará à vice-presidência novamente.
Saídas no núcleo do Planalto e sucessões ainda em aberto
Entre os ministros palacianos, que atuam diretamente com o presidente, Rui Costa e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) deixarão os postos para disputar vagas no Senado — pela Bahia e pelo Paraná, respectivamente. Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Sidônio Palmeira e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), por sua vez, devem permanecer no governo.
A sucessão da maioria dos ministérios deve ficar com os secretários-executivos de cada pasta, como vem sendo anunciado pelos titulares e pelo próprio Lula. Alguns casos, porém, ainda dependem de deliberação, como a definição de quem assumirá a articulação política no lugar de Gleisi.
Lula desistiu de nomear o secretário-executivo do Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), Olavo Noleto, para o Ministério das Relações Institucionais após líderes do Congresso demonstrarem ressalvas ao nome.
Decisões pendentes envolvem Previdência, Educação e Minas e Energia
O rumo de alguns ministros ainda está em definição, em certos casos por depender de aval do próprio presidente. É o caso de Wolney Queiroz (Previdência Social), que pode deixar o cargo para disputar vaga de deputado federal por Pernambuco.
Camilo Santana (Educação) pode apoiar a campanha de Lula ou se lançar candidato ao governo do Ceará. Nesta segunda-feira (30), Lula anunciou o secretário-executivo do MEC, Leonardo Barchini, para assumir o posto.
Também seguem sob deliberação os planos para Alexandre Silveira (PSD), das Minas e Energia. Conforme noticiado pela coluna Painel, da Folha, Lula teria pedido que ele permanecesse no cargo. A preocupação, segundo o texto, seria manter a estabilidade da “cozinha” do governo diante das saídas de nomes próximos ao presidente, como Haddad, Rui Costa e Gleisi.
Comunicação e cobranças internas voltam ao centro da reunião
Sidônio Palmeira deverá apresentar um balanço sobre a comunicação do governo. Para os futuros ministros, a orientação é manter o ritmo do trabalho nas pastas. De acordo com o texto, não é a primeira vez que Lula cobra solidariedade de sua equipe.
Em reunião ministerial realizada em novembro passado, a cobrança específica teria sido para que ministros que já haviam sido governadores adotassem uma posição mais ofensiva no debate sobre segurança pública nos estados.