Neymar se manifesta sobre 'PEC das praias' e nega ligação com seu empreendimento no Nordeste

Projeto imobiliário que busca transformar litoral nordestino em 'Caribe brasileiro' é alvo de críticas; empresa e jogador afirmaram que as obras seguem 'as mais rigorosas leis de proteção ambiental'

Por Plox

31/05/2024 18h04 - Atualizado há 19 dias

O atacante Neymar usou suas redes sociais para rebater as críticas e argumentar que não há conexão entre seus empreendimentos imobiliários no Nordeste e a "PEC da privatização das praias". O projeto, em parceria com a incorporadora Due, planeja a construção de 28 imóveis de alto padrão em um trecho de 100 km do litoral nordestino, entre Pernambuco e Alagoas, apelidado de "Caribe brasileiro".


Impacto ambiental e faturamento bilionário
O empreendimento, que tem potencial de faturamento estimado em até R$ 7,5 bilhões, tem sido alvo de ambientalistas que criticam a proposta em debate no Senado. Em resposta, a NR Sports, empresa que gerencia a carreira do jogador, reiterou uma declaração da incorporadora, garantindo que as construções seguem "as mais rigorosas leis de proteção ambiental". A nota afirma que o projeto no Nordeste não tem qualquer ligação com a PEC e que sua aprovação "não refletirá em nada nos imóveis de sua propriedade".

 

 

Controvérsia nas redes sociais
A reação de Neymar ocorre após grande repercussão nas redes sociais, impulsionada por comentários de artistas. A atriz e comunicadora socioambiental Laila Zaid, em um vídeo viral, acusou Neymar de apoiar a privatização das praias. O vídeo foi amplamente comentado, inclusive pelas atrizes Maeve Jinkings e Luana Piovani. Em resposta, Neymar chamou a atitude de Piovani de "oportunista, leviana, desproporcional e irresponsável", acusando-a de tentar "associar sua imagem a um tema polêmico".

Foto: Reprodução / Rede Social

 

Entenda a 'PEC da privatização das praias'
A proposta de emenda à Constituição que transfere a propriedade dos terrenos do litoral brasileiro do domínio da Marinha para estados, municípios e proprietários privados voltou a ser discutida nesta segunda feira (27), em audiência pública no Senado. Aprovado em fevereiro de 2022 na Câmara dos Deputados, a PEC estava parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado desde agosto de 2023.

 

Foto: Tânia Rego / Agência Brasil

Sob relatoria do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a PEC gera divergências. Organizações ambientalistas alertam que a aprovação da proposta pode comprometer a biodiversidade do litoral brasileiro, enquanto o relator defende que a mudança é necessária para regularizar as propriedades localizadas nos terrenos da Marinha e que as áreas geram prejuízos aos municípios.

Em entrevista à Rádio Nacional, a diretora do Departamento de Oceano e Gestão Costeira do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima,  Ana Paula Prates, explica que, na origem, a demarcação constitucional dos terrenos da Marinha servia para a defesa da soberania nacional, mas que hoje são territórios que protegem a população das mudanças climáticas. Ela defende que a aprovação da PEC seria um grande retrocesso.

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