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Política
Governo federal confirma adesão de Minas Gerais ao Propag para renegociar dívida de R$ 180 bilhões
Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados permite alongar débito mineiro com a União por até 30 anos, com juros zerados, exigindo investimentos em educação, segurança pública e contribuição ao Fundo de Equalização Federativa
31/12/2025 às 21:57por Redação Plox
31/12/2025 às 21:57
— por Redação Plox
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O governo federal confirmou, nesta quarta-feira, 31 de dezembro, a adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). A decisão, oficializada em despacho do Ministério da Fazenda publicado no Diário Oficial da União (DOU), abre caminho para que o Palácio Tiradentes renegocie a dívida de quase R$ 180 bilhões com a União em condições mais vantajosas.
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Foto: Luiz Santana/ALMG
O que é o Propag
Instituído pela Lei Complementar nº 212/2025, o Propag é um programa de refinanciamento das dívidas dos Estados e do Distrito Federal com a União. Ele permite que esses débitos sejam quitados em até 30 anos, com cobrança de juros menores do que os praticados em alternativas já existentes, como o Regime de Recuperação Fiscal (RRF).
Principais regras do programa
Pelas regras do Propag, os estados que aderirem deverão direcionar parte dos valores economizados com a redução de juros para investimentos em áreas como educação e segurança pública. Outra parcela da economia será obrigatoriamente aplicada no Fundo de Equalização Federativa (FEF), mecanismo criado para reduzir desigualdades entre as unidades da Federação.
O compromisso de aplicar a economia gerada em políticas públicas e no FEF é uma das contrapartidas centrais exigidas pela União, funcionando como condição para manutenção dos benefícios do programa.
Quem pode aderir ao Propag
Todas as unidades federativas podem solicitar ingresso no Propag para renegociar suas dívidas com a União. Até o momento, além de Minas Gerais, Goiás e Sergipe já receberam o aval do Ministério da Fazenda para participação no programa.
Riscos de exclusão do programa
De acordo com as diretrizes da União, os estados que descumprirem as obrigações assumidas podem ser expulsos do Propag. Isso inclui a falta de aportes no FEF, a não realização dos investimentos pactuados em áreas prioritárias ou a contratação de empréstimos para pagar as parcelas da renegociação prevista no programa. Atrasos no pagamento da dívida por determinado período também podem levar à exclusão.
Como será a adesão de Minas Gerais
Para ingressar no Propag, o governo de Romeu Zema pretende apresentar ativos e recursos estimados em cerca de R$ 96 bilhões. Minas optou pela modalidade que prevê abatimento de até 20% do saldo devedor. Com isso, a dívida com a União será paga em até 30 anos, corrigida pelo IPCA e com juros zerados, conforme previsto na lei que criou o programa.
Nessa configuração, o estado é obrigado a ofertar, no mínimo, R$ 36 bilhões em ativos à União, o que corresponde a 20% dos atuais R$ 181 bilhões de dívida. O governo mineiro, porém, decidiu indicar um valor superior a esse patamar para ampliar a margem de negociação com o governo federal.
A legislação estabelece que a adesão dos estados ao Propag pode ser formalizada até 31 de dezembro de 2025, enquanto a definição e a negociação de ativos que serão usados para abater a dívida poderão se estender até 31 de dezembro de 2026.
Ativos que podem ser usados por Minas
No abatimento da dívida, Minas Gerais pretende utilizar uma cesta diversificada de ativos: imóveis passíveis de venda ou federalização, fluxos de recebíveis, estoques de dívidas e participações societárias em empresas. Parte relevante desses recursos poderá vir da venda da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
O governo Zema já conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o projeto de lei que autoriza a privatização da Copasa, e os trâmites para negociação da companhia na Bolsa de Valores foram iniciados, abrindo caminho para que a empresa seja incorporada ao pacote de ativos a ser ofertado à União.