FMI diz que economia brasileira segue resistente e projeta crescimento de 2,5% no médio prazo

Órgão cita proteção relativa ao choque do petróleo, mas alerta para riscos geopolíticos, inflação e condições financeiras mais apertadas.

01/06/2026 às 14:41 por Redação Plox

O Fundo Monetário Internacional avaliou que a economia brasileira segue resistente mesmo em meio à guerra no Oriente Médio, à alta global da energia e às incertezas financeiras. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (1º), após missão anual no país, o FMI projetou que o crescimento do Brasil deve ganhar força gradualmente e chegar a cerca de 2,5% no médio prazo


Fundo Monetário Internacional avaliou que a economia brasileira segue resistente mesmo em meio à guerra no Oriente Médio, à alta global da energia e às incertezas financeiras.

Foto: Imagem criada por Inteligência Artificial/Henrique Lacerda/PLOX


Brasil fica menos exposto ao choque do petróleo

A leitura do Fundo é que o país está relativamente protegido dos efeitos da escalada nos preços internacionais do petróleo. A avaliação considera dois fatores centrais: o Brasil é exportador líquido de petróleo e tem uma matriz elétrica com forte participação de fontes renováveis.

A missão do FMI ocorreu entre 18 e 29 de maio, no âmbito das consultas do Artigo IV, procedimento regular feito com países-membros. A equipe foi liderada por Daniel Leigh e se reuniu com autoridades brasileiras, representantes do setor privado, instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil.

Juros, inflação e risco fiscal entram no alerta

Apesar do tom positivo, o FMI apontou riscos para a trajetória de crescimento. Entre eles estão o agravamento das tensões geopolíticas e condições financeiras mais apertadas. O organismo também alertou que a inflação voltou a subir recentemente por causa da energia mais cara e só deve convergir para a meta de 3% até meados de 2028.

O Fundo considerou adequada a redução dos juros pelo Banco Central em março e abril, mas defendeu flexibilidade nas próximas decisões de política monetária. Para o FMI, o compromisso com a meta de inflação continua essencial para ancorar expectativas e reduzir a pressão sobre os preços.

FMI defende avanço fiscal e reformas

Na área fiscal, o comunicado recomenda que o Brasil continue fortalecendo as contas públicas. O FMI defendeu preservar receitas extraordinárias ligadas ao petróleo, manter medidas de alívio focalizadas e temporárias diante do choque externo e avançar em reformas para reduzir rigidez de gastos e renúncias fiscais.

A instituição também destacou que o sistema financeiro brasileiro permanece resiliente, com bancos capitalizados e líquidos, mas pediu vigilância sobre riscos no crédito a pessoas físicas. Segundo o Fundo, reservas internacionais adequadas, câmbio flutuante e marcos de política econômica sólidos ajudam a sustentar a capacidade de reação do país.

Durigan fala em crescimento sustentável de 4%

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, presidiu a reunião de encerramento da missão do FMI na última sexta-feira (29). Segundo o Ministério da Fazenda, ele afirmou que a meta do governo é alcançar crescimento anual sustentável de 4% ou mais, com ganho de produtividade.

Os dados mais recentes do IBGE reforçam a avaliação de retomada no início do ano. O Produto Interno Bruto cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, com avanço da agropecuária, da indústria e dos serviços. O relatório final da missão do FMI ainda será submetido à direção do Fundo e deve ser levado à Diretoria Executiva para discussão.

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