PEC que acaba com escala 6x1 avança em Brasília e passa a ser acompanhada no Senado

Texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, prevê dois dias de descanso a cada cinco trabalhados e uma transição de 14 meses sem redução salarial.

01/06/2026 às 11:07 por Redação Plox

A disputa em torno do fim da escala 6x1 entrou em uma nova fase em Brasília depois que a Câmara dos Deputados aprovou a proposta em dois turnos, na quarta-feira (27). Agora no Senado, a tramitação passou a ser acompanhada com atenção por governistas, oposicionistas e representantes do setor produtivo, que defendem mais tempo para discutir os impactos da mudança.

Petistas veem ganho político se Senado travar fim da escala 6×1

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Foto: crédito: Foto: Lula Marques /Agência Brasil

Disputa política no Senado

Dentro do PT, a avaliação é que uma eventual demora no Senado não necessariamente representaria uma derrota imediata para o governo Lula. Segundo reportagem do Estado de Minas, um integrante influente do partido afirmou, sob reserva, que a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), poderia fortalecer a narrativa de que o Congresso estaria contrariando uma pauta popular.

A proposta aprovada pelos deputados reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, prevê dois dias de descanso a cada cinco trabalhados e estabelece transição de 14 meses, sem redução salarial. No segundo turno, o texto passou com 461 votos favoráveis e 19 contrários, segundo a Câmara dos Deputados.

Texto ainda depende dos senadores

No Senado, a PEC 221/2019 está em tramitação e aguarda despacho desde 28 de maio. A proposta terá que ser analisada em dois turnos. Se for aprovada sem alterações, poderá ser promulgada pelo Congresso. Caso os senadores mudem o texto, a matéria volta para nova análise da Câmara.

O ritmo da votação ainda é incerto. Antes mesmo de a proposta chegar oficialmente ao Senado, representantes do setor produtivo se reuniram com Alcolumbre e líderes partidários para defender que o debate seja feito de forma técnica, preferencialmente após o período eleitoral. O grupo argumenta que a medida pode afetar diferentes atividades econômicas e pede mais negociação.

Pressão de lados opostos

A proposta apoiada pelo governo disputa espaço com uma alternativa apresentada pela oposição no Senado. A PEC 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), prevê um modelo mais flexível, no qual o trabalhador poderia receber conforme as horas trabalhadas. A versão aprovada na Câmara mantém a redução da jornada sem corte de salário.

O Senado também aprovou a realização de uma sessão temática para discutir os impactos sociais e econômicos do fim da escala 6x1. A data ainda será definida pela Mesa da Casa. Até lá, a pauta deve seguir como um dos principais pontos de pressão política sobre o Congresso, com governistas tentando manter o embalo da aprovação na Câmara e setores contrários buscando alterar ou adiar a votação.

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