Venda do Colégio Angélica é confirmada; conselho cobra esclarecimentos sobre futuro do patrimônio

Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Coronel Fabriciano decidiu pedir formalmente ao Grupo Coelho Diniz que apresente o projeto e detalhe as intenções para o imóvel tombado.

01/06/2026 às 19:26 por Redação Plox

A venda do Colégio Angélica, considerado um dos principais patrimônios históricos de Coronel Fabriciano, foi confirmada ao longo desta semana durante uma reunião do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. A informação de que o imóvel passou para o Grupo Coelho Diniz reacendeu o debate na cidade e mobilizou moradores, ex-alunos e pessoas ligadas à preservação da memória local.


Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Na conversa com os conselheiros, representantes da empresa afirmaram que a proposta prevista para o espaço trará benefícios ao município. Ainda assim, não foram detalhadas quais atividades deverão funcionar no local nem que tipo de intervenção poderá atingir o conjunto arquitetônico do antigo colégio.


Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Conselho pede apresentação formal do projeto

Com a ausência de informações objetivas sobre o futuro uso da área, o conselho decidiu encaminhar um pedido formal para que o Grupo Coelho Diniz apresente o projeto e deixe claras as intenções em relação ao imóvel. A cobrança busca reduzir incertezas e orientar qualquer discussão sobre mudanças a partir de dados concretos.


Os membros do colegiado também reforçaram que o Colégio Angélica é tombado pelo município e, por isso, está protegido por regras que impedem demolição ou descaracterização. Assim, qualquer obra ou adaptação deverá seguir as normas de salvaguarda do patrimônio cultural.

A reunião aconteceu na tarde desta segunda-feira (1).

A reunião aconteceu na tarde desta segunda-feira (1).

Foto: Stella Dutra / Plox Brasil.

Entenda como o tombamento foi ampliado ao longo dos anos

Durante a reunião, o conselho retomou marcos do processo de proteção do bem. A primeira medida ocorreu em 2 de abril de 1997, quando o Decreto nº 1.034 garantiu a preservação da fachada da instituição.


Mais adiante, em 2015, manifestações de pais, alunos e integrantes da comunidade — preocupados com a conservação do prédio — impulsionaram o avanço do tema. Naquele ano, o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural aprovou a abertura do procedimento para o tombamento integral do conjunto arquitetônico. O processo foi concluído rapidamente e terminou com a assinatura do Decreto nº 5.467, em 28 de janeiro de 2016, estendendo a proteção a todo o complexo.


Em 2017, o alcance do tombamento foi ampliado novamente: o Decreto nº 6.200 passou a incluir o acervo interno existente nos prédios, fortalecendo a proteção do patrimônio preservado no interior do colégio.

Medidas discutidas para acompanhar o futuro do imóvel

Entre os encaminhamentos debatidos, os conselheiros mencionaram a possibilidade de criar uma comissão de acompanhamento com participação de representantes da sociedade civil, além de convidar o Grupo Coelho Diniz para apresentar oficialmente o projeto. Também entrou na pauta a solicitação de acompanhamento do Ministério Público e a definição de medidas específicas para preservar a capela e outros elementos históricos presentes no local.


A reunião aconteceu poucos dias depois de rumores sobre uma possível demolição ganharem força nas redes sociais e provocarem grande repercussão entre moradores de Coronel Fabriciano.


O prefeito Sadi Lucca já havia se posicionado publicamente, dizendo que o Colégio Angélica não será demolido e que o tombamento municipal segue válido.

Um marco da educação e da memória do Vale do Aço

Criado em 1950, o Colégio Angélica se consolidou como um dos símbolos da história da educação no município. Mesmo com o encerramento das atividades da escola, em 2022, o edifício permanece como referência cultural, arquitetônica e afetiva para diferentes gerações de moradores do Vale do Aço.

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