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    'Opinião sim, ofensa não': racismo é crime, não ponto de vista

    Unidos e solidários aos nossos jornalistas negros

    Por Plox

    01/09/2021 13h03 - Atualizado há 26 dias

    A Sempre Editora  – responsável pelas publicações O TEMPO, O Tempo Betim e Super Notícia, pelo portal O Tempo e também pela rádio Super – lança hoje uma campanha, inédita na imprensa mineira, de repúdio a ataques racistas contra profissionais negros da empresa. Em resposta a comentários discriminatórios postados por alguns internautas nas redes sociais do grupo, toda a equipe se manifesta com o pedido de “Opinião Sim, Ofensa Não”. 

    O diretor executivo da Sempre Editora, Heron Guimarães, lembra que os ataques têm sido recorrentes e direcionados a vários profissionais negros. “A diversidade é uma obrigação em nosso grupo e tem trazido uma pluralidade de ideias, vivências e experiências muito positivas para o resultado do nosso trabalho. Estamos solidários à nossa equipe e repudiamos todo tipo de ataque”, afirma. 

    Camisa utilizada pelos profissionais da Sempre Editora em repúdio aos ataques aos jornalistas da empresa Foto Foto: Reprodução
    Camisa utilizada pelos profissionais da Sempre Editora em repúdio aos ataques aos jornalistas da empresaFoto: Reprodução

     

    A editora executiva do grupo, Renata Nunes, lembra que liberdade é diferente de desrespeito. “Defendemos a liberdade de expressão e, até por isso, mantemos nossos vários canais de comunicação abertos para o público. Cada comentário é muito relevante, porém o espaço para opinar não pode ser confundido com um aval para ofensa. Não cabe nesse contexto, e em nenhum outro, discriminação, seja ela de qualquer tipo”, explica. 

    O ataque mais recente foi o sofrido pela jornalista Tatiana Lagôa, em sua coluna “RepresentAtividade”. Um internauta, escondido em um perfil falso, comentou: “Geração de negaiada mimizenta. Merece é surra de chibata” num vídeo em que ela falava sobre racismo. “Eu não espero que todo mundo concorde com o que eu escrevo, e o debate sadio enriquece o conteúdo. Mas, quando alguém faz um comentário alusivo à escravidão, já passa para o campo do inaceitável. Fico muito feliz que o grupo em que trabalho esteja sensível a esse tipo de situação”, diz Tatiana. 

    O caso gerou grande repercussão, com moção de solidariedade protocolada na Câmara de Vereadores de Contagem por Carlin Moura, além de notas de repúdio postadas pelo coletivo Lena Santos, que reúne jornalistas negros de todo o Estado, e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. “Os ataques a jornalistas, principalmente os negros, têm sido crescentes, por isso o debate é fundamental. Eu sou repórter desde 1995 e nunca vi uma campanha com esse mote na imprensa”, diz a presidente do sindicato, Alessandra Mello. 

    Repórter esportivo do grupo, Josias Pereira também já sofreu discriminação várias vezes no exercício da profissão. “O jornalismo esportivo me proporcionou momentos inesquecíveis, entre eles a cobertura de duas finais de Copa do Mundo, além dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. E isso foi conquistado com muita dedicação e busca constante pelo conhecimento. Mas, lamentavelmente, o currículo não silencia o racismo. E as redes sociais escancaram o ódio”, diz. Recentemente, um internauta comentou que o profissional só teria participado de tantas coberturas por causa de “cotas”, e não por competência.

    Uma discriminação que, às vezes, extrapola o campo do virtual. “Nem semp re o preconceito é escancarado com ofensas e xingamentos.E senti isso na pele, durante o trabalho, ao tentar entrevistar moradores de um bairro nobre de BH sobre um caso que repercutiu na região. Fui totalmente ignorada, por diversas vezes, ao tentar abordar entrevistados. Nem um ‘estou com pressa’ foram capazes de me responder. Me senti mal, invisível”, lembra a repórter Renata Evangelista.

    O designer multiplataformas dos jornais André Luiz Barros experimentou o mesmo sentimento quando foi questionado por um conhecido qual a função dele na empresa e teve que ouvir: “Você tem um jeitão de motorista, segurança, porque é raro ver pessoas como você ocuparem um cargo de importância. Isso não me incomodou pela profissão, e sim pelo estereótipo, pois são ocupações muito nobres”.

    Fonte: https://www.otempo.com.br/interessa/comportamento/opiniao-sim-ofensa-nao-racismo-e-crime-nao-ponto-de-vista-1.2535571
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