Nova pílula contra câncer de pâncreas dobra sobrevida em estudo de fase 3 e pode virar padrão no mundo
Daraxonrasib (RMC-6236) reduziu em 60% o risco de morte e teve sobrevida mediana de 13,2 meses, ante 6,7 com quimioterapia, segundo estudo apresentado na ASCO e publicado no New England Journal of Medicine.
02/06/2026 às 07:05por Redação Plox
02/06/2026 às 07:05
— por Redação Plox
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Um medicamento oral em teste para câncer de pâncreas metastático apresentou um ganho de sobrevida considerado raro para esse tipo de tumor e foi destaque na sessão plenária do congresso anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago, nos Estados Unidos. Os resultados do estudo de fase 3 RASolute 302, que comparou o daraxonrasib (RMC-6236) com quimioterapia em pacientes já tratados, indicaram redução de 60% no risco de morte e sobrevida mediana cerca de duas vezes maior no grupo que recebeu a pílula.
Nova pílula contra câncer de pâncreas dobra sobrevida em estudo de fase 3 e pode virar padrão no mundo.
Foto: Reprodução
De acordo com o artigo publicado em 31 de maio de 2026 no New England Journal of Medicine, a sobrevida global mediana foi de 13,2 meses com daraxonrasib e de 6,7 meses com quimioterapia na população geral do estudo; no subgrupo com mutação RAS G12, os números foram 13,2 meses versus 6,6 meses. O trabalho também aponta melhora na sobrevida livre de progressão (cerca de 7,2 meses com o comprimido, contra 3,6 meses com quimioterapia) e significância estatística (P<0,001), em um ensaio randomizado com 500 participantes.
O que é o daraxonrasib e por que o resultado chama atenção
O daraxonrasib é descrito como um inibidor oral
RAS(ON)
multisseletivo, desenhado para bloquear a sinalização do RAS, uma via frequentemente envolvida na progressão de tumores pancreáticos e historicamente difícil de atingir com medicamentos. O estudo RASolute 302 avaliou o uso do remédio como segunda linha em doença metastática — cenário em que as opções costumam ser limitadas e a tolerabilidade do tratamento pesa muito na decisão clínica.
Segurança e próximos passos regulatórios nos EUA
Além do benefício em sobrevida, houve diferença em tolerabilidade: a taxa de interrupção por eventos adversos foi menor com o daraxonrasib do que com quimioterapia no estudo, segundo o relato clínico associado aos dados apresentados na ASCO e publicados no NEJM. Nos Estados Unidos, o medicamento já recebeu designações regulatórias que aceleram a análise, como Breakthrough Therapy e Orphan Drug, e entrou no piloto de
National Priority Voucher
. A FDA também autorizou um programa de acesso expandido (expanded access) para pacientes elegíveis em situação específica, conforme comunicado oficial da agência.
E no Brasil: por que ainda deve demorar
No Brasil, o acesso depende de etapas próprias: aprovação regulatória pela Anvisa e, depois, decisões de cobertura e incorporação que variam entre saúde suplementar e SUS. Enquanto isso, o país segue com carga relevante da doença: a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028 é de 13.240 casos novos de câncer de pâncreas por ano no Brasil. Especialistas apontam que, mesmo com resultados promissores, a disponibilidade no curto prazo tende a ser incerta, sobretudo por custos e prazos regulatórios.
O daraxonrasib ainda é um medicamento investigacional e, portanto, não deve ser usado fora dos protocolos e regras de acesso autorizadas. A expectativa, segundo as publicações científicas e comunicados regulatórios, é que os dados de fase 3 sustentem pedidos formais de registro e a discussão de mudança de padrão terapêutico em diretrizes internacionais.