Dólar cai frente ao real após proposta dos EUA de tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros

Na manhã desta terça (2), a moeda recuava 0,33% e era cotada a R$ 5,0052, com o mercado repercutindo a medida que ainda passará por consulta pública e decisão final em julho.

02/06/2026 às 09:43 por Redação Plox

O dólar operava em queda frente ao real na manhã desta terça-feira (2 de junho), em um dia marcado pela repercussão da proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Por volta das 9h12, a moeda norte-americana recuava 0,33%, cotada a R$ 5,0052 na venda, segundo dados de mercado citados pela Reuters.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: FreePik


Tarifa ainda não está em vigor

A medida foi proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da lei comercial americana. O órgão afirma que práticas brasileiras em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal seriam prejudiciais ao comércio dos EUA.

A tarifa, porém, ainda não começou a valer. O governo americano abriu período de consulta pública até 1º de julho e marcou uma audiência para 6 de julho. A decisão final sobre eventuais sanções deve ocorrer até 15 de julho, prazo previsto no processo.

Café, carnes e aeronaves ficam fora da lista

Segundo a Reuters, a proposta prevê exceções para itens relevantes da pauta brasileira de exportações, como café, carne bovina, terras raras, aeronaves e peças aeronáuticas. Também ficariam fora da nova tarifa produtos como frutas, petróleo, derivados, compostos farmacêuticos, químicos orgânicos e fertilizantes.

Ainda assim, o anúncio mantém o mercado atento ao impacto sobre setores exportadores e à relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. A avaliação de investidores é que a abertura de consultas ainda deixa espaço para negociações antes de uma decisão definitiva.

Oriente Médio e inflação também pesam no mercado

No cenário externo, investidores acompanham as tensões no Oriente Médio e as negociações envolvendo Estados Unidos e Irã, fator que influencia os preços do petróleo e, por consequência, as expectativas para inflação global.

No Brasil, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nessa segunda-feira (1º) mostrou nova alta na projeção do mercado para a inflação de 2026. A estimativa para o IPCA subiu de 5,04% para 5,09%, na 12ª elevação semanal seguida. A projeção para o PIB passou de 1,89% para 1,90%, enquanto a expectativa para o dólar no fim do ano recuou de R$ 5,17 para R$ 5,16.

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