MG tem cerca de 53,3 mil adolescentes de 15 a 17 anos fora da escola, aponta Sind-UTE/MG

Levantamento com base em dados apresentados à ALMG indica que o estado segue abaixo da meta de universalização do ensino médio prevista no PEE, válido até 2027.

02/06/2026 às 07:39 por Redação Plox

Minas Gerais ainda tem cerca de 53,3 mil adolescentes de 15 a 17 anos fora do atendimento escolar, segundo levantamento divulgado pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). O estudo aponta que o estado segue abaixo da meta de universalização do ensino médio prevista no Plano Estadual de Educação (PEE), que tem vigência até 2027.


MG tem cerca de 53,3 mil adolescentes de 15 a 17 anos fora da escola, aponta Sind-UTE/MG

Foto: José Cruz/Agência Brasil


Meta ainda não foi alcançada

A análise do sindicato foi feita a partir de dados apresentados pela Secretaria de Estado de Educação em audiência da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O PEE prevê atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevação da taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% até o fim do período de vigência do plano.

Segundo os dados discutidos na ALMG, Minas registrou, em 2024, taxa de 93,7% de adolescentes de 15 a 17 anos frequentando a escola ou com a educação básica concluída. O índice era de 92,6% em 2019. Apesar do avanço, o percentual ainda não representa a universalização prevista, o que mantém milhares de jovens fora da escola.

Outro indicador apresentado na audiência mostra que 83,6% da população dessa faixa etária frequentava o ensino médio ou já tinha concluído a educação básica em 2024. A meta estabelecida no plano é de 85%. Para o Sind-UTE, os números indicam que a ampliação de matrículas precisa ser acompanhada de políticas de permanência, combate à evasão e enfrentamento das desigualdades que afetam a trajetória escolar dos adolescentes.

EJA também fica distante da meta

O levantamento também aponta dificuldade no cumprimento da meta relacionada à Educação de Jovens e Adultos (EJA). O Plano Estadual de Educação estabelece que pelo menos 25% das matrículas da modalidade sejam integradas à educação profissional. Em 2024, segundo o Sind-UTE, apenas 0,5% das matrículas da EJA estavam vinculadas a esse modelo de formação.

Na rede estadual, o sindicato afirma que o cenário era ainda mais restrito em 2024: entre 112.837 matrículas regulares de EJA sob responsabilidade do Governo de Minas, apenas quatro alunos estavam em cursos integrados à educação profissional técnica. A entidade avalia que o dado revela um distanciamento entre o planejamento previsto no PEE e a oferta efetiva da modalidade.

Durante a audiência na ALMG, representante da Secretaria de Estado de Educação citou desafios ligados à baixa procura pela EJA integrada à educação profissional e informou avanço em 2026, com 4.564 vagas preenchidas no programa Trilhas de Futuro voltado a jovens e adultos, o equivalente a cerca de 7% das matrículas da EJA naquele momento.

Para o Sind-UTE, a universalização do acesso e a garantia de permanência dos estudantes devem ser tratadas como prioridades imediatas. A entidade defende mais investimentos, busca ativa, estratégias voltadas a grupos vulneráveis e políticas que integrem escolarização, qualificação profissional e condições reais para que jovens e adultos concluam os estudos.

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