Lula acusa Flávio Bolsonaro de pedir a Trump interferência contra o Pix e comércio do Brasil
Declaração foi feita em Rio Verde (GO) após encontro do senador com Donald Trump na Casa Branca; Flávio negou e disse ter pedido que os EUA não taxem produtos brasileiros.
03/06/2026 às 07:28por Redação Plox
03/06/2026 às 07:28
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou, nesta terça-feira (2), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interferência contra o Pix e contra interesses comerciais do Brasil. A declaração foi feita durante agenda em Goiás, em meio à divulgação de um relatório do governo norte-americano que questiona práticas brasileiras no comércio digital e propõe novas tarifas sobre produtos do país.
Lula acusa Flávio Bolsonaro de acionar Trump contra Pix e tarifas; senador nega.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Interferência no Pix
Em discurso no Hospital Universitário de Rio Verde (GO), Lula afirmou que Flávio teria ido aos Estados Unidos para pedir que Trump interviesse no sistema de pagamentos brasileiro. O presidente disse que o governo não aceitará interferência no Pix, tecnologia criada pelo Banco Central e amplamente usada por consumidores, empresas e instituições financeiras no Brasil.
A fala ocorre dias depois de Flávio Bolsonaro se reunir com Trump na Casa Branca, em Washington. O encontro também contou com a presença de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, Flávio negou ter pedido qualquer medida contra empresas brasileiras e afirmou que solicitou ao presidente norte-americano que não taxasse produtos do Brasil.
Em discurso no Hospital Universitário de Rio Verde (GO), Lula afirmou que Flávio teria ido aos Estados Unidos para pedir que Trump interviesse no sistema de pagamentos brasileiro.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Relatório dos EUA amplia tensão
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, concluiu que determinadas práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” ou “discriminatórias” e poderiam restringir o comércio norte-americano. Entre os pontos citados estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
No caso do Pix, o governo norte-americano afirma que o Brasil favoreceria uma infraestrutura nacional em prejuízo de empresas de pagamentos dos EUA. A Febraban rebateu a leitura e afirmou que o Pix é uma infraestrutura de pagamento, não um produto comercial, e que o sistema favorece a competição e o funcionamento da economia.
Impacto nas exportações brasileiras
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a proposta de tarifa de 25% dos Estados Unidos poderia atingir cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Os setores mais expostos incluem máquinas e equipamentos industriais, plásticos, calçados, produtos de madeira, papel cartão, ferro fundido, peixes e crustáceos.
O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o Pix não está na mesa de negociação com os Estados Unidos. O governo brasileiro sustenta que manterá o diálogo com Washington, mas diz que não fará concessões em temas considerados ligados à soberania nacional.
Próximos passos
O USTR abriu prazo para manifestações sobre a proposta. Os pedidos para participação em audiência devem ser enviados até 22 de junho, os comentários escritos até 1º de julho, e uma audiência pública está prevista para 6 de julho, em Washington. O órgão norte-americano informou que deve tomar uma decisão dentro do prazo legal previsto para 15 de julho.