MP denuncia morador por injúria racial após ofensas a vereadora de Tatuí: audiência foi marcada para julho

Denúncia do MP-SP cita suspeita de injúria racial e calúnia contra Cíntia Yamamoto Soares (PP), com mensagens e áudios atribuídos ao investigado; defesa nega crime e vereadora diz confiar na Justiça.

03/06/2026 às 07:42 por Redação Plox

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ofereceu denúncia criminal contra um morador de Tatuí (SP) por suspeita de injúria racial e calúnia contra a vereadora Cíntia Yamamoto Soares (PP). O caso envolve ofensas e acusações divulgadas durante sessões da Câmara e também por mensagens e áudios em aplicativos, segundo relato da parlamentar.

Vereadora registra denúncia contra morador após ser alvo de repetidas ofensas em sessões e nas redes sociais

Vereadora registra denúncia contra morador após ser alvo de repetidas ofensas em sessões e nas redes sociais.

Foto: Reprodução/Câmara de Tatuí


De acordo com as informações divulgadas na reportagem que deu origem ao material encaminhado à redação, um dos áudios atribuídos ao investigado traz a expressão “japonesinha do Paraguai”, além de acusações de que a vereadora teria cometido peculato — crime que envolve desvio ou apropriação de bem público por agente que tem acesso em razão do cargo.

Processo e próximos passos

Na ação, o Ministério Público afirma que o homem praticou injúria motivada pela raça da vereadora

Na ação, o Ministério Público afirma que o homem praticou injúria motivada pela raça da vereadora.

Foto: Reprodução


Conforme informado, o investigado foi citado em 4 de maio, ocasião em que a defesa apresentou manifestação preliminar. Após análise, o MP manteve a denúncia, e uma audiência de instrução e julgamento foi marcada para 27 de julho.

As informações também apontam que a denúncia foi aceita pela Justiça em 2 de março de 2026. Procurada, a defesa negou a prática criminosa e sustentou que o conteúdo digital precisa ser analisado tecnicamente e no contexto, afirmando que qualquer conclusão antes da instrução seria precipitada.

O que diz a vereadora

Em conversa em grupo de mensagens, homem chama vereadora de japonesinha do Paraguai

Em conversa em grupo de mensagens, homem chama vereadora de japonesinha do Paraguai.

Foto: Reprodução


À reportagem, Cíntia Yamamoto afirmou confiar na Justiça e disse considerar o episódio um caso de violência política de gênero. Ela relatou que o alvo das ofensas seria ela, e que os ataques teriam ocorrido de forma recorrente no ambiente legislativo e nas redes.

Em página institucional da Câmara Municipal, Cíntia Yamamoto aparece como vereadora do PP na legislatura 2025–2028. Ela integra comissões no período 2025/2026, conforme registro público do Legislativo municipal.

Contexto legal

Vereadora faz parte da Câmara Municipal de Tatuí (P)

Vereadora faz parte da Câmara Municipal de Tatuí (P).

Foto: Divulgação/Câmara de Tatuí


No Brasil, a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo pela Lei Federal nº 14.532/2023, que alterou a legislação sobre crimes resultantes de preconceito. O Supremo Tribunal Federal também já consolidou entendimento de que a injúria racial se enquadra no âmbito do racismo, com repercussões como a imprescritibilidade.

O processo deve seguir para a fase de instrução, quando provas e depoimentos são analisados, e a Justiça define os próximos encaminhamentos.

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