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    Sem emprego, mineiros vão às ruas em busca da sobrevivência

    Em Belo Horizonte e Contagem, pessoas de idades e perfis diversos tiram o sustento de pequenas vendas

    Por Plox

    03/07/2021 12h22 - Atualizado há 4 meses

    Romilda Barbosa de Souza Dias, 65, cozinheira; Walmira Santos Souza, 61, designer de interiores e paisagista; Adriana Pereira da Silva, 42, serviços gerais; Guilherme Henrique Ferreira de Oliveira, 29, auxiliar de serviços gerais; Daniel Pereira Braga, 24, atendente.

    Moradores de Belo Horizonte e Contagem, com idades e profissões diferentes, mas que fazem parte do grupo de 14,8 milhões de brasileiros que estão desempregados, segundo dados do IBGE.

    Sem emprego, mineiros vão às ruas em busca da sobrevivência
    Fotos: Alex de Jesus 

     

    Na avenida Francisco Sales, região Centro-Sul de BH, Adriana vende balas a R$ 2. Há mais de um ano, ela, que é mãe solo de quatro filhas, perdeu o emprego. Moradora do bairro Ribeiro de Abreu, na região Norte, ela sai de casa por volta das 7h30, com a filha de 16 anos. 

    “Não tem emprego, o único jeito que arrumei foi vender bala”, diz ela. Por dia, ela tira cerca de R$ 70, mas, com as despesas com transporte, alimentação e mercadoria, consegue levar para casa R$ 30. Nas últimas semanas, as vendas só deram para pagar a passagem e o almoço. “Espero que as coisas melhorem, que os nossos governantes parem de brigar por coisas supérfluas e olhem mais para quem está passando necessidade”, desabafa.

    Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, entre janeiro de 2020 e maio de 2021, foram registradas 528.785 admissões e 518.763 demissões em Belo Horizonte.

    Pelas ruas do hipercentro, Guilherme oferece máscaras: uma por R$ 5 e três por R$ 10. Morador do bairro Engenho Nogueira, na Pampulha, ele sai de casa às 6h e termina por volta das 14h. Dependendo do dia, consegue tirar R$ 150.

    “Há cinco anos perdi o emprego de carteira assinada. Com a pandemia, as dificuldades aumentaram. Vendo máscaras para levar um pouco para casa, minha mãe tem quatro filhos. Espero mais para a frente conseguir um serviço bom”, afirma Guilherme.

    Na porta da estação Eldorado, em Contagem, dona Romilda chega às 4h e só volta para casa às 21h. Desempregada há oito anos, ela é a responsável por levar o sustento para casa, onde mora com o companheiro e seis netos.

    “Minha barraca tem máscara, meia, cueca, balas e amendoim. É muito triste para gente viver nessa situação. Não paro nenhum dia de trabalhar, domingo chego aqui às 3h35. Não sei falar, não sei ler, mas espero que as pessoas que estão lá em cima tomem conta da gente”, diz ela.

    Segundo a prefeitura, Contagem teve 29.526 demissões e 33.479 admissões de janeiro a abril.

    Cartazes para buscar uma colocação

    Na lagoa da Pampulha, próximo à Casa do Baile, a paisagista Walmira Santos usa cartazes para pedir emprego. Profissional na área há 20 anos, ela precisou fechar a loja em Lagoa Santa para cuidar da mãe em Belo Horizonte.

    Com a morte da mãe, há dois anos, Walmira começou a se restabelecer, mas, com a chegada da pandemia, não conseguiu abrir outro comércio. Com a falta de emprego, Walmira começou a ter depressão, ansiedade e insônia.

    “Ali na orla tem um movimento muito grande, as pessoas têm um poder aquisitivo melhor. Paro perto de um quebra-molas, quando os motoristas reduzem a velocidade e podem ler o que está escrito”, conta Walmira. 

    Na porta da UAI, na praça Sete, Daniel Pereira guarda na mochila os currículos que distribui durante o dia. Na carteira, leva R$ 4 e um cartão de passagem emprestado pelos pais. “A pandemia atrapalhou tudo. Meu sonho é trabalhar de lixeiro. É um salário que dá para se manter”, finaliza Pereira.

    Pedagoga borda chinelos para sustentar a família

    Com agulhas, material de artesanato e uma caixa de sapato, a pedagoga Janete de Jesus Santos Alves, 40, borda chinelos e vende em uma barraca no bairro Eldorado, em Contagem.

    Ela trabalhava em uma escola particular, mas foi mandada embora no ano passado, após a suspensão das aulas. “Em novembro, com o auxílio emergencial, compramos uma máquina de fazer chinelos e começamos a vender na rua”, conta Janete. 

    A produção acontece em casa, em Ribeirão das Neves, e vai até a madrugada. Ela, os filhos e o marido ficam envolvidos no trabalho, e as vendas são realizadas de quarta a sábado. Cada par de chinelos é vendido por R$ 35. 

    “Tenho que trabalhar feliz, não adianta chorar. Perdi muita gente querida. O trabalho a gente corre atrás”, diz ela.

    Municípios disponibilizam assistência

    Procuradas, as prefeituras de Belo Horizonte (PBH) e Contagem afirmaram que prestam assistência aos desempregados.

    A PBH informou que, desde abril de 2020, disponibiliza cestas básicas e kits de higiene para famílias em situação de vulnerabilidade social e econômica no município, além das famílias de estudantes matriculados na rede municipal de educação, e um auxílio no valor de R$ 300.

    Já a Prefeitura de Contagem afirmou que, por meio da Secretaria de Trabalho e Geração de Renda, tem efetivado parcerias com a CDL e o Senac a fim de oferecer qualificação e recolocação. Além disso, a prefeitura distribui alimentos por meio de cozinhas comunitárias, cartão POP Rua e cestas básicas. 

    Fonte: https://www.otempo.com.br/economia/sem-emprego-mineiros-vao-as-ruas-em-busca-da-sobrevivencia-1.2507703
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