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    O que está por trás da alta das internações de jovens com covid

    Médicos relatam aumento de hospitalizações com mais gravidade de pessoas abaixo de 55 anos no Brasil

    Por Plox

    04/03/2021 10h30 - Atualizado há cerca de 1 ano

    O momento atual da pandemia no Brasil está sendo marcado pelo aumento da frequência com que pessoas abaixo de 55 anos e sem comorbidades dão entrada nos pronto-socorros e nas unidades de terapia intensiva com quadros graves de covid-19.

    Embora ainda não haja dados epidemiológicos que confirmem se isto é uma tendência ou apenas um recorte do momento, profissionais de saúde já observam a distinção deste cenário em relação ao que se constatou no pico de casos e mortes em 2020.

    Brasil vive explosão de novos casos de covid-19 e mortes, com aumento de jovens doentes JOÃO GABRIEL ALVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO - 16.2.2020
    Brasil vive explosão de novos casos de covid-19 e mortes, com aumento de jovens doentesJOÃO GABRIEL ALVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO - 16.2.2020

     

     

    "O aspecto clínico dos pacientes é diferente daquele que víamos na primeiro onda. Antes eram idosos e portadores de doenças crônicas, o que chamamos de comorbidade. Hoje 60% são mais jovens, na faixa de 30 a 50 anos, sem doença prévia. E o tempo que estão ficando na UTI é maior. Tínhamos antes média de 7 a 10 dias de internação, agora está em 14 a 17 dias de internação no mínimo em UTI", afirmou o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, em entrevista coletiva no começo da semana.

    Mas quais as explicações possíveis para esse aumento de pessoas jovens e sem doenças de base, como hipertensão e diabetes, internadas?

     

    Mais circulação e aglomerações

    Um fato é indiscutível. Desde o fim do ano passado, houve uma tendência à normalização da vida cotidiana, com mais pessoas nas ruas e aglomerações — muitas delas necessárias, como o transporte público usado por trabalhadores; mas outras ilegais, a exemplo de festas lotadas de participantes sem máscara.

     

     

    "A epidemia mudou, com certeza, porque os jovens estão se expondo mais, e os idosos conseguem se prevenir mais. Não há dúvida que o número absoluto de jovens sem comorbidades e com formas graves está cada vez maior. [...] Talvez esteja aumentando só porque o número total de casos está aumentando. Antes, a gente conseguia fazer um isolamento social muito maior, e a doença pegava só os que tinham mais comorbidades", salienta o médico infectologista e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu Alexandre Naime Barbosa.

    A retomada das atividades econômicas desde novembro e a dificuldade de governos em restringir a circulação de pessoas fizeram com que o país tivesse uma escalada de novos casos e mortes desde a primeira semana de 2021, chegando ao recorde diário de óbitos na terça-feira (3), com 1.641 registros.

    Variante P.1

    A identificação de uma variante de atenção (chamada P.1) em Manaus, no começo de janeiro, pode estar relacionada a esse aumento de casos, mas ainda não há estudos que mostrem nem mesmo a prevalência da nova cepa entre os casos confirmados de covid-19 no Brasil.

    A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou no último fim de semana que adultos infectados com a P.1 chegam a ter uma carga viral dez vezes maior do que aqueles que contraíram cepas mais antigas.

    A médica Suzana Lobo, diretora-presidente da Amib (Associação Brasileira de Medicina Intensiva), relata que muitos jovens têm chegado aos hospitais com quadros graves de covid-19. Uma carga viral mais elevada seria uma das explicações para isso, segundo ela.

    "O paciente que supostamente tem uma carga viral maior vai ter uma resposta inflamatória maior e a tendência é que essa resposta inflamatória tenha um impacto maior no pulmão, coração e outros órgãos."

    Barbosa complementa que, a despeito da "plausibilidade biológica", são necessários estudos comparativos para determinar o impacto da infecção pela cepa P.1 em relação às outras.

    "Existe um raciocínio biológico correto em se imaginar que quem tem carga viral mais alta pode ter uma doença mais grave. Esse é um embasamento de que, talvez, a variante P.1 seja mais agressiva. Mas isso precisa de um estudo observacional como os britânicos fizeram, comparando 100 pacientes internados com a variante original versus 100 pacientes internados com a variante deles [B.1.1.7]. E aí viram que apesar de a variante britânica ser 70% mais infectante, não houve diferença em relação ao desfecho, não morreram mais pessoas."

    O infectologista faz outro alerta: com uma carga viral elevada, as pessoas infectadas com a P.1 transmitem mais o vírus.

    Fonte: https://noticias.r7.com/saude/o-que-esta-por-tras-da-alta-das-internacoes-de-jovens-com-covid-04032021
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