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    Golpistas invadem Caixa Tem antes de trabalhador para desviar FGTS

    Para o beneficiário que foi vítima ser ressarcido, a Caixa orienta a fazer pedido de contestação em qualquer agência

    Por Plox

    04/06/2022 11h06 - Atualizado há 24 dias

    Os brasileiros enfrentam mais uma fraude digital com o desvio do saque extraordinário de até R$ 1.000 do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Como o pagamento é feito de forma automática, em conta poupança digital aberta em nome do trabalhador e movimentada por meio do Caixa Tem, golpistas invadem o aplicativo antes com o CPF da vítima, colocam senha, email e número de telefone diferentes e desviam o valor, utilizando a opção boleto para receber o pagamento.

    Ao baixar o Caixa Tem para ter acesso ao saque, a pessoa se depara com a informação de que o CPF (Cadastro de Pessoa Física) já foi cadastrado. A estudante de psicologia Daniella Silva foi uma das vítimas deste golpe. Quando colocou o seu número de CPF no Caixa Tem, ela foi informada de que já havia uma conta em seu nome. Ao pedir uma nova senha, constatou que o email cadastrado não era o seu, impedindo que entrasse no aplicativo por não ter a senha.

     

    Golpistas usam dados de usuários do Caixa Tem para sacar valores do saque do FGTS

     

    Para tentar solucionar o problema, Daniella foi a uma agência da Caixa e descobriu que o valor de R$ 1.000 não havia sido sacado ainda e conseguiu resgatar o dinheiro. "Mas, na agência, o funcionário disse que 90% do movimento era por causa desse tipo de fraude", afirmou a estudante. 

     

    O pagamento do saque extraordinário de até R$ 1.000 do FGTS foi liberado até agora para 35,5 milhões de pessoas desde 20 de abril. O calendário é de acordo com a data de aniversário e vai até 15 de junho, mas o valor poderá ser resgatado até 15 de dezembro. Ao todo, a expectativa é que sejam beneficiados 42 milhões de trabalhadores.

    Os golpes utilizando o pagamento de benefícios sociais do governo não são novidades. Em 2020, muitos trabalhadores enfrentaram o mesmo problema com o chamado na época saque energencial do FGTS.

     

     

     

    Quando acessavam o Caixa Tem, o CPF já estava cadastrado com um email de outra pessoa, que retirava o valor por meio de boleto. As pessoas procuravam a Caixa, que abria uma contestação e demorava mais de dez dias para pagar o valor desviado.

     

    Investigação

    A Caixa não informa o número de beneficiários atingidos até agora. Só no Procon-SP, o número de reclamações referentes ao FGTS aumentou 65,7% em maio. Em nota, o banco afirma que todas as informações de suspeitas de fraudes são consideradas sigilosas e repassadas à Polícia Federal e aos beneficiários, para análise e investigação. A Polícia Federal também informou que não comenta eventuais investigações em andamento.

    "A Caixa aperfeiçoa continuamente os critérios de segurança de acesso aos seus aplicativos e movimentações financeiras, observando as melhores práticas de mercado e as evoluções necessárias ao observar a maneira de operar de fraudadores e golpistas", afirmou o banco em nota.

    De acordo com o banco, são utilizados mecanismos como validação de dados e de documentos, autenticação por senha e segundo fator de autenticação para aprimorar a segurança dos sistemas.

    O calendário do saque extraordinário começou em 20 de abril e vai até 15 de junho
    O calendário do saque extraordinário começou em 20 de abril e vai até 15 de junhoADRIANA TOFFETTI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO-21/05/2022

     

    O que fazer em caso de fraude

    Em caso de movimentação não reconhecida pelo cliente, o banco afirma que pedidos de contestações devem ser realizados em qualquer agência da Caixa, portando CPF e documento de identificação, para o beneficiário ser ressarcido.

    Para o Procon-SP, a segurança do aplicativo é de responsabilidade da Caixa e que, por isso, em casos de saque por terceiros, o consumidor deve ser ressarcido.

    "O Procon orienta que o consumidor consulte sempre seus extratos bancários, inclusive o do FGTS, e qualquer alteração não reconhecida deve ser imediatamente comunicada à instituição financeira. Caso não haja solução com a empresa, o consumidor pode registrar reclamação no Procon-SP", afirma o órgão de defesa do direito do consumidor.

    Foram registradas neste ano 216 reclamações até 24 de maio referentes ao FGTS. Quando começou o pagamento do saque extraordinário, as queixas dobraram, passando de 36 em março para 63 maio. 

    Como se prevenir

    O defensor público federal Daniel Teles afirma que, com a alta demanda de fraude bancária, a Defensoria Pública da União orienta medidas preventivas e também medidas após a fraude. Entre as preventivas, não fornecer dados pessoais ou senhas por meio de mensagens recebidas no celular ou ligações telefônicas, evitar a ajuda de terceiros na movimentação da conta, especialmente com pessoas que o usuário não tenha uma relação de confiança, e não anotar e guardar a senha em papel nem compartilhar.

    "Muitas vezes, o fraudador se utiliza da ingenuidade da pessoa por meio de mensagem, seja se passando pela Caixa ou com alguma proposta tentadora em relação a alguma movimentação financeira. A gente sempre orienta a pessoa a evitar responder esse tipo de mensagem", afirma o defensor. 

    No caso de a pessoa constatar que foi vítima de uma transferência fraudulenta, a primeira providência é abrir uma contestação na Caixa. "É muito importante registrar essa reclamação e anotar o número do protocolo do atendimento. Caso o problema não seja resolvido, e o banco não extorne os valores, será necessário entrar com uma ação judicial contra a Caixa para reaver esses valores, solicitar uma reparação por danos materias ou até mesmo danos morais", explica.

    De acordo com Teles, a ação pode ser feita por meio da Defensoria Pública da União, que tem unidade em todas as capitais e em algumas cidades do interior. Outra alternativa é a própria pessoa entrar com a ação no juizado especial federal, acessando o site do órgão, ou mesmo procurar um advogado particular.  

    Os principais cuidados para evitar golpes

    • Não forneça senha nem outros dados de acesso em sites ou aplicativos não oficiais, bem como em ligações telefônicas.

    • Desconfie de SMS, email ou qualquer forma de comunicação que diga ser de seu banco, mas que seja de número celular comum e contenha erros de escrita.

    • Links suspeitos podem levar à instalação de programas espiões, que ficam ocultos no celular ou computador para coletar informações de navegação e dados do usuário.

    • Utilize sempre navegadores e softwares de antivírus atualizados.

    • A Caixa jamais solicita senha e assinatura eletrônica numa mesma página, sendo a assinatura digitada somente por meio da imagem do teclado virtual.

    • A Caixa não solicita ao cliente o desbloqueio nem o cadastramento de novos dispositivos móveis (celulares).

    • O banco recomenda que sejam utilizados somente os canais oficiais do banco para buscar informações e acesso aos serviços, jamais compartilhando dados pessoais, usuário de login e senha.

    • Os clientes não devem aceitar ajuda de estranhos, mesmo dentro das agências. Caso necessitem de atendimento, devem sempre procurar um empregado da Caixa devidamente identificado.Os brasileiros enfrentam mais uma fraude digital com o desvio do saque extraordinário de até R$ 1.000 do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Como o pagamento é feito de forma automática, em conta poupança digital aberta em nome do trabalhador e movimentada por meio do Caixa Tem, golpistas invadem o aplicativo antes com o CPF da vítima, colocam senha, email e número de telefone diferentes e desviam o valor, utilizando a opção boleto para receber o pagamento.

    Ao baixar o Caixa Tem para ter acesso ao saque, a pessoa se depara com a informação de que o CPF (Cadastro de Pessoa Física) já foi cadastrado. A estudante de psicologia Daniella Silva foi uma das vítimas deste golpe. Quando colocou o seu número de CPF no Caixa Tem, ela foi informada de que já havia uma conta em seu nome. Ao pedir uma nova senha, constatou que o email cadastrado não era o seu, impedindo que entrasse no aplicativo por não ter a senha.

     

     

     

    Para tentar solucionar o problema, Daniella foi a uma agência da Caixa e descobriu que o valor de R$ 1.000 não havia sido sacado ainda e conseguiu resgatar o dinheiro. "Mas, na agência, o funcionário disse que 90% do movimento era por causa desse tipo de fraude", afirmou a estudante. 

     

    O pagamento do saque extraordinário de até R$ 1.000 do FGTS foi liberado até agora para 35,5 milhões de pessoas desde 20 de abril. O calendário é de acordo com a data de aniversário e vai até 15 de junho, mas o valor poderá ser resgatado até 15 de dezembro. Ao todo, a expectativa é que sejam beneficiados 42 milhões de trabalhadores.

    Os golpes utilizando o pagamento de benefícios sociais do governo não são novidades. Em 2020, muitos trabalhadores enfrentaram o mesmo problema com o chamado na época saque energencial do FGTS.

     

     

     

    Quando acessavam o Caixa Tem, o CPF já estava cadastrado com um email de outra pessoa, que retirava o valor por meio de boleto. As pessoas procuravam a Caixa, que abria uma contestação e demorava mais de dez dias para pagar o valor desviado.

     

    Investigação

    A Caixa não informa o número de beneficiários atingidos até agora. Só no Procon-SP, o número de reclamações referentes ao FGTS aumentou 65,7% em maio. Em nota, o banco afirma que todas as informações de suspeitas de fraudes são consideradas sigilosas e repassadas à Polícia Federal e aos beneficiários, para análise e investigação. A Polícia Federal também informou que não comenta eventuais investigações em andamento.

    "A Caixa aperfeiçoa continuamente os critérios de segurança de acesso aos seus aplicativos e movimentações financeiras, observando as melhores práticas de mercado e as evoluções necessárias ao observar a maneira de operar de fraudadores e golpistas", afirmou o banco em nota.

    De acordo com o banco, são utilizados mecanismos como validação de dados e de documentos, autenticação por senha e segundo fator de autenticação para aprimorar a segurança dos sistemas.

    O calendário do saque extraordinário começou em 20 de abril e vai até 15 de junho

    O calendário do saque extraordinário começou em 20 de abril e vai até 15 de junho

    ADRIANA TOFFETTI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO-21/05/2022

    O que fazer em caso de fraude

    Em caso de movimentação não reconhecida pelo cliente, o banco afirma que pedidos de contestações devem ser realizados em qualquer agência da Caixa, portando CPF e documento de identificação, para o beneficiário ser ressarcido.

    Para o Procon-SP, a segurança do aplicativo é de responsabilidade da Caixa e que, por isso, em casos de saque por terceiros, o consumidor deve ser ressarcido.

    "O Procon orienta que o consumidor consulte sempre seus extratos bancários, inclusive o do FGTS, e qualquer alteração não reconhecida deve ser imediatamente comunicada à instituição financeira. Caso não haja solução com a empresa, o consumidor pode registrar reclamação no Procon-SP", afirma o órgão de defesa do direito do consumidor.

    Foram registradas neste ano 216 reclamações até 24 de maio referentes ao FGTS. Quando começou o pagamento do saque extraordinário, as queixas dobraram, passando de 36 em março para 63 maio. 

    Como se prevenir

    O defensor público federal Daniel Teles afirma que, com a alta demanda de fraude bancária, a Defensoria Pública da União orienta medidas preventivas e também medidas após a fraude. Entre as preventivas, não fornecer dados pessoais ou senhas por meio de mensagens recebidas no celular ou ligações telefônicas, evitar a ajuda de terceiros na movimentação da conta, especialmente com pessoas que o usuário não tenha uma relação de confiança, e não anotar e guardar a senha em papel nem compartilhar.

    "Muitas vezes, o fraudador se utiliza da ingenuidade da pessoa por meio de mensagem, seja se passando pela Caixa ou com alguma proposta tentadora em relação a alguma movimentação financeira. A gente sempre orienta a pessoa a evitar responder esse tipo de mensagem", afirma o defensor. 

    No caso de a pessoa constatar que foi vítima de uma transferência fraudulenta, a primeira providência é abrir uma contestação na Caixa. "É muito importante registrar essa reclamação e anotar o número do protocolo do atendimento. Caso o problema não seja resolvido, e o banco não extorne os valores, será necessário entrar com uma ação judicial contra a Caixa para reaver esses valores, solicitar uma reparação por danos materias ou até mesmo danos morais", explica.

    De acordo com Teles, a ação pode ser feita por meio da Defensoria Pública da União, que tem unidade em todas as capitais e em algumas cidades do interior. Outra alternativa é a própria pessoa entrar com a ação no juizado especial federal, acessando o site do órgão, ou mesmo procurar um advogado particular.  

    Os principais cuidados para evitar golpes

    • Não forneça senha nem outros dados de acesso em sites ou aplicativos não oficiais, bem como em ligações telefônicas.

    • Desconfie de SMS, email ou qualquer forma de comunicação que diga ser de seu banco, mas que seja de número celular comum e contenha erros de escrita.

    • Links suspeitos podem levar à instalação de programas espiões, que ficam ocultos no celular ou computador para coletar informações de navegação e dados do usuário.

    • Utilize sempre navegadores e softwares de antivírus atualizados.

    • A Caixa jamais solicita senha e assinatura eletrônica numa mesma página, sendo a assinatura digitada somente por meio da imagem do teclado virtual.

    • A Caixa não solicita ao cliente o desbloqueio nem o cadastramento de novos dispositivos móveis (celulares).

    • O banco recomenda que sejam utilizados somente os canais oficiais do banco para buscar informações e acesso aos serviços, jamais compartilhando dados pessoais, usuário de login e senha.

    • Os clientes não devem aceitar ajuda de estranhos, mesmo dentro das agências. Caso necessitem de atendimento, devem sempre procurar um empregado da Caixa devidamente identificado.

    Fonte: https://noticias.r7.com/economia/golpistas-invadem-caixa-tem-antes-de-trabalhador-para-desviar-fgts-04062022
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