Marjane Satrapi, autora de “Persépolis”, morre aos 56 anos em Paris

Morte foi confirmada pela Presidência da França; Palácio do Eliseu e Academia de Belas Artes lamentaram a perda da escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana.

04/06/2026 às 14:32 por Redação Plox

A escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, autora da novela gráfica “Persépolis”, morreu aos 56 anos em Paris. A morte foi confirmada nesta quinta-feira (4) pela Presidência da França, que a descreveu como uma figura da cultura francesa e uma artista ligada à defesa da liberdade. 


Marjane Satrapi, autora de “Persépolis”, morre aos 56 anos.

Foto: Rama/Wikimedia Commons


Obra transformou infância no Irã em narrativa mundial

Nascida no Irã em 1969, Satrapi ficou conhecida internacionalmente ao narrar, em “Persépolis”, a própria infância e juventude atravessadas pela Revolução Islâmica de 1979, pela repressão política e pelo exílio. Publicada a partir de 2000, a obra em preto e branco tornou-se uma das novelas gráficas mais influentes do século 21.  


Obra transformou infância no Irã em narrativa mundial.

Foto: Reprodução


Do quadrinho ao cinema

Em 2007, “Persépolis” chegou aos cinemas em animação dirigida por Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud. O filme ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de melhor animação. Satrapi também publicou obras como “Bordados” e “Frango com Ameixas” e dirigiu produções como “The Voices” e “Radioactive”. 


Do quadrinho ao cinema.

Foto: Reprodução/FRAME


Família falou em morte “de tristeza”

Segundo comunicado de pessoas próximas à artista divulgado à imprensa francesa, Marjane Satrapi teria “morrido de tristeza” pouco mais de um ano após a morte do marido, o produtor e ator sueco Mattias Ripa. A causa médica da morte não foi informada oficialmente. O relato familiar foi reproduzido por agências internacionais, que também destacaram o luto vivido pela autora desde 2025.

A expressão usada pela família não substitui uma conclusão médica. O Ministério da Saúde informa que a depressão é um problema de saúde grave e tratável, cujo diagnóstico depende de avaliação profissional. Entre os sinais de alerta estão tristeza persistente, perda de energia, falta de interesse, alterações de sono e apetite, além de pensamentos negativos recorrentes.

Voz crítica do regime iraniano

Além da literatura e do cinema, Satrapi se tornou uma voz pública em defesa dos direitos das mulheres e contra a repressão no Irã. Em 2025, recusou a Legião de Honra, a mais alta condecoração francesa, em protesto contra o que considerava uma postura insuficiente da França diante da situação iraniana.

A Academia de Belas Artes da França, da qual Satrapi fazia parte, lamentou a morte e destacou a criação de uma fundação voltada a apoiar estudantes estrangeiros de cinema em Paris. Em nota, o Palácio do Eliseu afirmou que a artista transformou uma infância iraniana em uma “fábula universal”.

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