MPMG denuncia vereador Almir Silva e outras quatro pessoas por suspeita de servidores fantasmas em Uberaba

Denúncia apresentada à Justiça em 11 de maio, na Operação Caça Fantasmas, cita suspeita de peculato-desvio e associação criminosa e aponta prejuízo material atualizado superior a R$ 636 mil.

04/06/2026 às 08:06 por Redação Plox

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou o vereador Almir Silva, do Republicanos, e outras quatro pessoas por suposto envolvimento em um esquema de servidores fantasmas na Câmara Municipal de Uberaba, no Triângulo Mineiro. A denúncia foi apresentada à Justiça em 11 de maio, no âmbito da Operação Caça Fantasmas, e aponta suspeita dos crimes de peculato-desvio e associação criminosa.


Vereador Almir Silva, de Uberaba, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais

Vereador Almir Silva, de Uberaba, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais

Foto: Câmara Municipal de Uberaba/Divulgação


Prejuízo passa de R$ 636 mil

Segundo o MPMG, o esquema teria funcionado entre 2017 e 2025, com a nomeação e manutenção de assessores parlamentares fictícios vinculados ao gabinete do vereador. A Promotoria afirma que os cargos eram usados para viabilizar o pagamento indevido de salários e benefícios com recursos públicos da Câmara Municipal.

O prejuízo material atualizado supera R$ 636 mil, valor que considera apenas o núcleo denunciado nesta primeira fase da investigação. O Ministério Público também pediu à Justiça o afastamento cautelar do parlamentar do cargo e a fixação de indenização por dano moral coletivo em valor equivalente ao dano material apurado, caso haja condenação.

Empresário e familiares também foram denunciados

De acordo com a denúncia, além do vereador, foram denunciados um empresário, a esposa dele e dois familiares dela. O MPMG sustenta que o empresário teria atuado como articulador externo e beneficiário econômico do esquema, enquanto a esposa dele teria exercido papel operacional entre o parlamentar, o empresário e os parentes formalmente vinculados ao gabinete.

Ainda conforme o Ministério Público, três pessoas ligadas ao mesmo núcleo familiar teriam figurado como assessores parlamentares sem prestar os serviços correspondentes. A denúncia aponta que o vereador, o empresário e a esposa dele responderão por peculato-desvio, por mais de 100 vezes, em continuidade delitiva, e associação criminosa. O pai e o sobrinho da mulher foram denunciados por peculato-desvio, mas não por associação criminosa, por terem tido atuação considerada periférica.

Investigação terá nova fase

A apuração foi desenvolvida pela Polícia Civil de Minas Gerais como desdobramento da Operação Glifosato, deflagrada em 2024. Segundo o MPMG, uma segunda fase da Operação Caça Fantasmas deverá investigar a possível atuação de outros oito supostos servidores fantasmas ligados ao mesmo gabinete, além de eventuais crimes de lavagem de dinheiro.

O Ministério Público também informou que foi instaurado procedimento separado para apurar o suposto cancelamento irregular de multas administrativas na Prefeitura de Uberaba, com possível participação do parlamentar e de uma servidora comissionada da Câmara Municipal.

Vereador integra Mesa Diretora

Almir Pereira da Silva, conhecido como Almir Silva, é vereador de Uberaba pelo Republicanos e ocupa o cargo de 1º secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal. A denúncia ainda será analisada pela Justiça, e os investigados só poderão ser considerados culpados após decisão definitiva.

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